ANO: 26 | Nº: 6525

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
23/05/2020

"Arte de cuidar incondicionalmente"

Foto: Reprodução JM

Jussara é graduada em Enfermagem e Obstetrícia e em Farmácia, pela Urcamp, e pós-graduada em Saúde Pública
Jussara é graduada em Enfermagem e Obstetrícia e em Farmácia, pela Urcamp, e pós-graduada em Saúde Pública

 

"Arte de cuidar incondicionalmente"

O ano virou, 2020 chegou, as férias terminaram, o carnaval passou e quando todos achavam que a vida voltaria ao normal, o mundo todo foi pego de surpresa por uma pandemia, a pior da história da humanidade. Em questão de dias, um vírus com um milésimo da largura de um cílio humano, colocou o mundo em isolamento social, abalou o sistema de saúde e paralisou a economia global. Enquanto a maioria das pessoas se protegia em casa, os profissionais da saúde se mantiveram a postos, pois escolheram viver e se dedicar, para salvar vidas.

Dia 12 de maio, comemorou-se o dia Mundial do Enfermeiro, e dia 20, foi o dia do auxiliar e técnico de Enfermagem. Esses profissionais, hoje, mais do que nunca, merecem a nossa homenagem pelo trabalho que realizam e por estarem lutando bravamente no combate à pandemia da covid-19.

A Urcamp, se orgulha de fazer parte da história de vida de milhares de profissionais da área da saúde de nossa cidade. De acordo com a coordenadora do Curso de Enfermagem, Carmen Helena Gomes Jardim Vaz, os egressos da Urcamp desenvolvem excelentes trabalhos em nossa cidade, ocupando inclusive os principais postos de chefia, em diversos órgãos de saúde de Bagé. "Os dados comprovam a qualificação dos nossos alunos, dos 59 enfermeiros da Santa Casa, 50 são egressos da Urcamp, chegando a um percentual de 85%", comenta Carmen.

A coluna social, como tenho dito, tem se adaptado aos novos tempos, trazendo reportagens com um cunho solidário e mais humanizado. Hoje, trago fragmentos do depoimento de quatro profissionais, entre novatas e experientes, que integram o quadro da Santa Casa, ambiente onde foram diagnosticados os primeiros casos da doença em Bagé, para saber qual foi o sentimento e como estão reagindo neste momento complexo que estamos vivendo.  

 

" É um momento tenso sem dúvidas"

Pâmela Halabi Machado Bragança, 30 anos, formada no Curso de Enfermagem há oito, pela Urcamp. Há pouco mais de um mês, integra a equipe da Santa Casa. A enfermeira está atuando no setor de isolamento na supervisão noturna e conta como está sendo enfrentar o coronavírus. "Lidamos com uma doença que ceifou milhares de vidas e ainda segue sendo uma desconhecida, por ser muito recente", reflete.  Pamela diz que se sente feliz e grata por poder ajudar. "Acredito que cuidar do outro é um dom de poucos, a Enfermagem é o eixo de um hospital, e, ultimamente, estamos tendo que nos doar mais, termos mais paciência. Com certeza, sairemos modificados quando a pandemia passar", comentou.  

 

40 anos de dedicação

Zeleida Ferreira Nunes, 58 anos, técnica de Enfermagem que atua no CTI Infantil. São quatro décadas de dedicação a área da Saúde, ela já passou por inúmeras situações ao longo destes 40 anos de profissão e confessa que no início da pandemia se preocupou por ser uma doença desconhecida. "Mas, como profissionais da saúde, sabemos que temos muitos desafios e precisamos enfrentar com responsabilidade  e profissionalismo, procuramos fazer o melhor para lidar com o vírus", disse. A técnica menciona que é impossível não ficar triste pelos colegas que não sobreviveram a doença, mas faz parte da profissão. No momento o mais importante é o paciente.  

 

A enfermeira mais antiga do hospital

Apaixonada pela profissão, Jussara Lehr Balsan Delevati, de 46 anos, já dedicou metade da sua vida a área da saúde. Formada há 23 anos, pela Urcamp, mesmo tempo que tem de trabalho na Santa Casa, sendo a mais antiga da equipe, em tempo de serviço. Ela atua, hoje, na UTI adulto.  A experiente profissional sabe que mesmo sendo um vírus novo, ele não é o primeiro e não será o último a surgir. Fazer parte de time que enfrenta uma grande batalha contra um inimigo invisível não deve ser fácil, mas a enfermeira frisa. "Na nossa área são muitos os inimigos invisíveis diários e esse é mais um, por isso, temos que continuar a trabalhar focados e agora com atenção redobrada, mas eu, assim como os demais colegas, me sinto uma privilegiada em poder estar fazendo aquilo que gosto e me propus", comenta.

Sobre o futuro a enfermeira reforça, que  essa é uma realidade nova que devemos enfrentar e que já passou a fazer parte do nosso dia a dia. O conselho que ela da a comunidade e para que todos  ajam com prudência e cuidados necessários. "Esse vírus veio para ficar e até o surgimento de uma vacina ele vai circular e gerar suas consequências", afirmou.  Para finalizar, Jussara comenta que a Covid deu uma enorme visibilidade as profissões que envolvem a saúde. "Assim, expôs uma realidade que assola todo o sistema, inclusive, demonstrando que todos somos iguais diante desta pandemia, independente de classe, credo, raça, etc.., com isso, mesmo causando danos irreparáveis, possibilitou evoluirmos enquanto seres humanos, para que possamos sair desta melhores no trato com as pessoas de maneira geral", avalia.

 

"Aprendi a sorrir com os olhos"

A mais nova da equipe da Santa Casa é a técnica de Enfermagem Alessandra Zorzi da Silva, de 27 anos, que está formada há oito. Foi em meio à onda do coronavírus, que a técnica foi contratada para  trabalhar na Emergência do Pronto-Socorro. Ela confessa que se adaptar e até se isolar dos colegas e setores dentro do hospital, foi algo novo e desafiador, mas, necessário para enfrentar a Covid. "Eu, como profissional da saúde, me sinto responsável e honrada em poder contribuir com minha profissão. Enquanto muitos podem ficar em casa em isolamento, eu vou ao encontro do inimigo invisível. Mas, ao voltar para casa após um plantão, como qualquer ser humano, ela teme. "Uso os EPIs necessários e tomo as medidas de precauções tanto para me proteger como proteger meus familiares. Acredito que esse ano de 2020 embora desafiador será de uma nova chance para olhar com empatia e amor para o próximo. Espero que profissionais da área da saúde possam cada vez mais ser reconhecidos e valorizados por todos. Com otimismo, vamos sair dessa fase difícil e logo poderemos abraçar quem amamos, ter nossa vida social novamente. O importante é não deixar de sorrir e acreditar que dias melhores virão", declarou.

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