ANO: 26 | Nº: 6588

Rodrigo Tavares

23/05/2020 Rodrigo Tavares (Opinião)

O que acontece no escuro

Foto: Reprodução JM

O que acontece no escuro, de Davi Koteck (Editora Taverna, 2019)
O que acontece no escuro, de Davi Koteck (Editora Taverna, 2019)
Davi Koteck faria sua estreia em Bagé no FestFronteira de 2020, e com certeza estará no festival, assim que a pandemia permitir. O autor, que é uma das grandes revelações da literatura brasileira contemporânea, é natural de Porto Alegre (RS). Publicou o livro O que acontece no escuro (Editora Taverna, 2019), e participou da antologia Qualquer Ontem (Editora Bestiário). Tem contos e poemas publicados na São Paulo Review, Ruído Manifesto, Revista Travessa em Três Tempos, e outros. Tem um livro de poemas no prelo, "Todo abismo é navegável a barquinhos de papel", sem previsão de lançamento.
Koteck tem na inquietação uma de suas características. Iniciou os estudos universitários na área do jornalismo, partiu pro Direito e, atualmente, cursa Escrita Criativa na PUC/RS. O que eu posso afirmar desde já é que essa jornada agitada é uma para nós, leitores, um grande diferencial. Em primeiro lugar, porque Davi tem diversos pontos de vista para elaborar seus textos e, principalmente, porque ele decidiu continuar os estudos na carreira certa, ele já era um escritor, muito antes de ter coragem de assumir isso. E a referida inquietação transborda em seus textos.
Quando li o primeiro conto do Davi, ainda antes da oficina do Luiz Antonio de Assis Brasil, na qual fomos colegas em 2018, notei que ali tinha uma voz diferente, daquelas que a gente lê e fica "será que é isso mesmo?". Aí fui lendo os contos enquanto eram construídos, fui entendendo o método caótico e perfeccionista, as frases e suas engrenagens. Davi entende o conto contemporâneo como poucos e em O que acontece no escuro (Editora Taverna, 2019) nos entrega um texto visceral, com personagens demasiadamente humanos, cheios de conflitos e de momentos marcantes como um pedaço de madeira com um cheiro estranho, uma marca de pneu na areia, jeitos de se fumar ou, até mesmo, um jeito pouco convencional de lembrar de uma fórmula para o vestibular.
Não estou sozinho nos elogios ao autor, o próprio Assis Brasil diz que Davi Koteck é um escritor que renova sua esperança na ficção. Daniel Galera diz que o livro é uma "câmara de ecos das angústias contemporâneas". E a Carol Bensimon frisou que há tempos um livro de estreia não a empolgava tanto.
Quanto ao texto propriamente dito, é possível notar algumas repetições, algumas imagens que parecem ser a questão essencial do autor ou o "centro do livro" como diria Orhan Pamuk. Cheio de subtextos, de não ditos, de espaços escuros, o livro é uma pequena obra de arte. Um livro para ler e reler e um autor para ser acompanhado. Leiam Davi Koteck.

 

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