ANO: 26 | Nº: 6556
28/05/2020 Segurança

Bagé conta com Centro de Referência de Atendimento à Mulher

Foto: Divulgação

A violência doméstica tem sido pauta, ultimamente, com números alarmantes sobre a busca por ajuda e apoio de mulheres vítimas. Bagé conta, desde 2011, com um Centro de Referência de atendimento à Mulher, que presta acolhida, acompanhamento psicológico e social e orientação jurídica às mulheres em situação de violência. Em entrevista com a titular da Coordenadoria Municipal da Mulher, Cândida Navarro, a reportagem do Jornal Minuano buscou entender como funciona esse espaço especializado.

Conforme a coordenadora, o Centro existe desde 2011, mas está em atuação plena desde 2017, segundo Cândida. “Tivemos apoio da atual gestão municipal e temos, durante esse período, de 2017 até hoje (maio/2020), cerca de quatro mil atendimentos, dentro dos conformes ditados pelo Ministério da Justiça e em conformidade com a Lei Maria da Penha”, relata.

Mas como funciona o Centro? Cândida destaca que o órgão é parte da rede que faz a ação terapêutica. “A Coordenadoria da Mulher faz ações preventivas, de planejamento de campanhas, eventos, assessora o poder público, articula com a sociedade e poderes. O Centro de Referência trabalha após a violência já ter ocorrido, é quem ampara a mulher vítima”, explica.

O local conta com advogadas, assistentes sociais e psicólogas para que, segundo Cândida, a vítima que, mesmo sem ter feito o registro de ocorrência na Polícia Civil, receba o apoio. “Ela deve fazer o registro sempre, incentivamos e acompanhamos para isso, mas se ela se sentir incapaz, que não esteja a vontade e nem forte para isso, igual iremos auxiliar. A equipe do Centro ampara até para que ela decida fazer registro, mesmo quando ela (a vítima), tenha condições de fazer é uma decisão da mulher. Se ela não tiver poder de decisão, está em condições de extrema violência. A Brigada Militar registra. Nosso papel é acompanhar essa mulher, ir com ela na Delegacia, acolher ela se precisar de amparo jurídico”, acrescentou.

Outro fato que é coordenado pelo Centro de Referência é a Casa Abrigo de Mulheres Vítimas, informa a coordenadora. “Em casos de extrema necessidade de abrigo, por ela seguir em risco, não ter para onde ir, nós iremos encaminhá-la para o abrigamento, pelo tempo que ela precisar, para ela refletir, se cuidar, até que possa voltar para casa, caso o agressor esteja preso, ou que aja uma medida protetiva em vigência. O período que a mulher e os filhos menores de idade, em média, ficam na casa abrigo é entre 30 e 180 dias”, declara Cândida.

Na Casa Abrigo não há telefone, o endereço é mantido em sigilo para a proteção das vítimas e toda mulher que precisar do serviço e do local, , conforme explica a coordenadora, pode ter já ficado e retornar que receberá total apoio da equipe. “Por exemplo: se a vítima não tem emprego, precisa de assistência social, iremos encaminhá-la para o poder público, pela assistente social, que irá estudar cada caso para dar o respaldo material necessário”, explica.

Cândida conta que muitas mulheres não sabem que estão vivendo um relacionamento abusivo e em violência doméstica. “Quando acontece a agressão física, geralmente essa mulher já passou por uma violência psicológica, por brigas e xingamentos. Pelos relatos, seguidamente é assim: briga, lua de mel (tudo bem), xingamentos e gritos, nova lua de mel, tapas, nova lua de mel, socos, chutes e ameaças de morte. Então, contamos também com apoio psicológico para todos os casos”, salienta a coordenadora.

O Centro de Referência trabalha interligado com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam/Bagé), enfatiza Cândida. “Temos um trabalho com a Polícia Civil, pois quando a mulher registra o boletim de ocorrência, preenche uma ficha para receber o apoio do Centro de Referência. Todas as segundas-feiras buscamos essas fichas e vamos atrás destas mulheres, para que elas recebam o amparo necessário. Temos um plantão de 24 horas, todos os dias da semana, com técnicos qualificados que entram em contato com essas vítimas, para fortalecermos essa mulher, para que ela entenda que não está sozinha e estamos ali para a ajudá-la. Para este amparo, temos uma equipe treinada e competente”, garante.

Aumento de atendimentos

A coordenadora ainda conta que, com a pandemia, desde a segunda quinzena de abril até a primeira semana de maio, teve um “pico” em casos de violência. “Geralmente atendemos, um, dois até três casos, em dias mais movimentos chegamos a atender até 11 casos. Neste período de pandemia, notamos o aumento, com cerca de 12 casos diários”, argumenta.

Cândida pondera ainda que o trabalho mais forte é de não fazer julgamentos. “Somente a vítima sabe o que passa, não devemos julgá-la jamais, ela que sabe identificar, se voltou com esse agressor e precisar novamente do serviço do Centro de Referência terá total apoio, quantas vezes ela precisar e quiser. É nosso dever acolher e ajudar”, relata.

Cerca de 20 mulheres são monitoradas por semana, com ligações para saber como estão, se estão fortalecidas, bem, se necessitam de ajuda, completa a coordenadora. “Temos uma rede pública, a Coordenadoria da Mulher, o Centro de Referência (terapêutico), a Patrulha Maria da Penha, Polícia Civil (DEAM e DPPA) e o poder judiciário. O elo é muito forte, estamos sempre em diálogo, entre os órgãos, para estarmos sempre fortes e poder fortalecer essas vítimas”, contou Cândida.

Finalizando, a coordenadora garante que o serviço é de extrema importância. “É muito difícil essa mulher admitir que fracassou, identificar que está sofrendo violência, pois ela tem amor pelo companheiro e estava sendo enganada. Esta sofrendo violência dentro do local onde ela deveria estar protegida e por quem um dia disse que a amava. A sociedade ainda julga, diz que se o homem sustenta ela, tem que aceitar, mas não sabe o quão caro é esse sustento, com este fardo de violência. Precisamos acolher, ajudar, incentivar a estudar, se sustentar, a ela e aos filhos, buscar ser colocada no mercado de trabalho. Quando a violência doméstica contra mulher entra, toda família sofre”, conclui.

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher tem o número de plantão (53) 999663829.

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