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Meteorologista amador se baseia em conhecimento na vida rural para fazer previsões
Criado no campo, o corretor rural Armando Azambuja, de 67 anos, utiliza de conhecimento empírico dos tempos em que ainda vivia no campo para fazer previsões meteorológicas. Conservador, usa algumas ferramentas antigas para prever a temperatura e a chuva. O bibelô na forma de um pequeno galo que, dependendo das condições climáticas, pode ficar na cor azul ou na cor rosa, o manto de Nossa Senhora de Fátima, bem como pluviômetro, barômetro e movimento de animais no campo são algumas das ferramentas base para as previsões diárias.
Azambuja iniciou as previsões há mais de 10 anos, quando tinha uma propriedade rural na localidade de Tunas, distrito de Palmas. Ele conta que realizava um diário campeiro da estância com toda a movimentação dos animais e, inclusive, a variação do tempo. “ Tudo era feito através da movimentação dos animais, que têm instinto apurado para a chuva”, comenta.
Figura pitoresca, Azambuja tem na vestimenta gaúcha sua aliada diária e mantém a tradição no uso de bombacha e lenço. Diariamente, coloca o barômetro no pátio e faz questão de levantar bem cedo para medir e informar os amigos no Facebook, rede social que utiliza como aliada para a divulgação.
O corretor rural ressalta que mantém seus escritos diários e anuais desde 2012. Ele informou que, na última chuva, marcou, em seu pluviômetro, 212 milímetros (mm) de precipitação em um total, no mês, de 235mm. Já em janeiro deste ano, contabilizou 117 mm, em fevereiro 40mm, em março 19mm - sendo que neste mês que houve baixa precipitação, os termômetros chegaram, no dia 13 de março, a 43° centígrados. Em abril, o meteorologista contabilizou 87 mm. “A partir de agora, vai voltar a normalidade. As coisas são cíclicas e a previsão se repete a cada sete anos” comentou.
Levantamento
Azambuja conta que, no final de cada ano, realiza um levantamento total de chuvas, geadas, temperatura. Ele informa que, em 2018, por exemplo, choveu 1.791 mm, já em 2019 foram 2.349mm - somente em janeiro daquele ano houve uma precipitação de 615 mm. "O problema de Bagé é que as chuvas são mal distribuídas. Tudo é extremo, calor, chuva e frio”, disse.
Para as previsões, além das ferramentas, Azambuja se baseia no vento, umidade da rua, movimento das nuvens. Ele afirma que, na região da fronteira, a maioria da chuva vem do Uruguai. “Se chove lá é quase certo que vai chover aqui e, posteriormente, vai para Porto Alegre”, comenta. Mas também afirma que se chove em Porto Alegre, não vem para a região, visto que a precipitação é originária da Argentina.
Para o corretor, a previsão do tempo “não é batata”, afirmando que não é fácil prever. “Mesmo com todos os equipamentos é difícil, não tem como adivinhar. O máximo é dois dias”, afirma.

