ANO: 26 | Nº: 6586

Fernando Risch

fegrisch@gmail.com
Escritor
30/05/2020 Fernando Risch (Opinião)

Boa sorte

 

Tem coisas que chegam ao fim muito antes de acabar. Isso porque, geralmente, nos estágios do luto, a aceitação é difícil e as situações se prolongam por pura insistência e dissonância com a realidade. Mas não estou falando de morte aqui, estou falando de fim. Fim não é um ponto, o dia que culmina em um acontecimento marcante, o fim de verdade vem antes. É bem certo que só lembramos da ruptura, mas ela é apenas um ato simbólico do processo já finalizado.

Estas finalizações deixam marcas. Lembramo-nos onde estávamos, com quem estávamos e o que fazíamos. Em 2001, no ataque ao World Trade Center, por exemplo, eu tinha 11 anos. Eu estava em casa, me curando de uma cirurgia de apendicite e assistia TV na cama da minha mãe quando ocorreu.

Mais recentemente, neste ano, eu voltava da praia do Cassino, sento ao banco do carona, enquanto ouvia ao jogo da final da Recopa Gaúcha entre Pelotas e Grêmio quando, do rádio, comunicaram a morte de Kobe Bryant num terrível acidente de helicóptero. Eu lembro exatamente por onde passávamos, o trecho específico da estrada e o que havia na paisagem.

Pois bem, o fim já chegou. Do quê? Você sabe, daquela farsa que se instaurou lá por 2018 e nos sangra até hoje em atos de psicopatia. A pedra foi cantada e avisada de forma incessante. Este fim vem sendo especulado há algum tempo, porque ele era, acima de tudo, óbvio.

Com o fim exposto, agora só falta esperar o derradeiro dia que nos marcará para sempre, que lembraremos com cristalina clareza, com quem, onde e como estávamos. O dia do ponto final, da consequência derradeira de um dos maiores engodos de nossa história. Como diria Vanessa da Mata: "É só isso, não mais jeito, acabou, boa sorte".

E boa sorte mesmo aos patranheiros. Irão precisar.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...