ANO: 26 | Nº: 6576

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
11/06/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Um novo desafio


Nos últimos meses tenho sido consultado por várias pessoas e alguns partidos, incluindo o meu próprio, o PT, sobre a minha disposição de ser, novamente, candidato a prefeito em Bagé. Para todos, respondia que o desafio era encantador, mas que era preciso dar tempo ao tempo. Em breve, fará 12 anos que conclui o meu segundo mandato como prefeito na cidade. Felizmente, as marcas daquelas duas gestões estão aí, nas ruas, prédios históricos, escolas, postos de saúde, praças e serviços de nossa cidade. O mais importante: essas marcas também podem ser vistas na vida de milhares de bajeenses.

Eu próprio tenho lembranças muito fortes daquele período. Não apenas pelo impacto que teve em mim, que trabalhava entre 12h e 18h diariamente para enfrentar as deficiências e projetar as potencialidades de Bagé, mas pelo impacto que percebemos todos na vida dos bajeenses e na imagem de nossa cidade. Foram dias duros, principalmente os do início da primeira gestão, mas lembro do conjunto da obra com muito carinho e amor. Cada coisa foi feita envolvendo o cérebro e o coração. Naqueles oito anos me apaixonei muito mais por Bagé.

A obra, evidentemente, não foi exclusiva responsabilidade minha. Tive condições de montar uma equipe sensacional de secretários e assessores e sempre contei com o comprometimento total dos servidores, com apoio da Câmara Municipal e de muitas entidades sindicais, assistenciais e de bairros para a minha gestão.

Comecei o meu primeiro governo quando o presidente do Brasil ainda era o Fernando Henrique Cardoso. Mantive com o seu governo uma relação institucional de respeito e cooperação administrativa, apesar de lhe fazer oposição política. Quando governamos, temos a responsabilidade de representar todos os cidadãos da cidade, independente de seus quadrantes políticos e ideológicos. Por isso, o respeito e a integração institucional é um dever muito mais do que um direito dos governantes. Pois foi com o apoio do governo FHC que implantamos aqui o Programa Saúde da Família (PSF), hoje Estratégia de Saúde da Família (ESF), um programa fundamental para criar e tornar forte o atendimento básico de saúde em nossa cidade. Também, com o apoio daquele governo construímos o Aterro Sanitário e iniciamos as obras de saneamento básico que iriam mudar a realidade da cidade nesta área.

Depois, veio Lula e o que podemos chamar de "era de ouro" de Bagé. Foram dezenas de projetos com o apoio do governo federal naquela época. Na saúde, o SAMU, cuja primeira cidade do interior a implantá-lo foi Bagé. Na educação, as ampliações e qualificação das escolas, a criação dos refeitórios, os programas de ocupação das crianças no horário inverso, entre outros. Na assistência social, a organização e implantação do Bolsa Família no município, que foi exemplar e premiado por sua eficiência. São tantos os programas, em todas as áreas, que não seria possível falar de todos neste espaço. Mas não posso deixar de referir à conquista da UNIPAMPA e do IFET para nossa cidade. Foi uma luta histórica, uma mobilização que sensibilizou toda a nossa comunidade e das cidades vizinhas e que está aí, hoje, rendendo os frutos que imaginávamos, colocando Bagé no rol exclusivíssimo das cidades que possuem Universidades Federais e podem aproveitar de tudo o que isso significa.
Sempre tive a sensação de que dei o melhor de mim e realizei tudo o que estava sob o meu alcance. Nunca, nem mesmo o melhor dos melhores gestores, faz tudo o que deseja e nem tudo o que é preciso. Governar, como já disseram muitos, é o exercício de fazer escolhas. Infelizmente, não nos é dado o poder de resolver todos os problemas, nem de conceber todas as ideias capazes de gerar projetos para o desenvolvimento da região. Mas tenho a consciência tranquila sobre o que foi feito e, mais importante, do como foi feito. Minha gestão foi irreparável do ponto de vista ético e moral. Durante oito anos, governei com responsabilidade e transparência e não houve nenhuma, repito, nenhuma denúncia de mal feitos.

Mas o tempo passou. Houve evoluções em nossa cidade, mas também houve retrocessos. O principal deles, sintetizado pelo afastamento do atual prefeito, que responde vários processos por malversação, improbidade e desvio de recursos públicos. Infelizmente, a gestão dos que sempre me fizeram oposição, tem sido danosa para Bagé, tanto do ponto de vista da imagem da cidade, que começou a aparecer não nas editorias de política e administração públicas dos jornais da capital, mas na editoria de polícia. Não é só esse, evidentemente, o retrocesso. Cito dois muito concretos e simbólicos: a) os professores municipais deixaram de receber o piso salarial, instituído em minha gestão e sempre pagos nos governos posteriores do PT; b) os índices de mortalidade infantil voltaram a subir após anos de queda, tendo alcançado o menor patamar histórico exatamente no último ano de minha gestão.

Uma gestão que desvia dinheiro, desvaloriza professores e desprotege os recém-nascidos e as gestantes mais necessitadas não cumpriu o seu dever. Bastariam essas razões para justificar uma candidatura a prefeito. Mas existem muitas outras. Basta olhar a cidade, o país. É preciso dar um basta a quem promove o ódio e produz sistematicamente o que passou a se chamar de fake news, com ataques mentirosos à reputação de pessoas. É preciso retirar o relho e colocar um livro em seu lugar. É preciso enterrar a mentira e reconstruir a transparência na gestão pública em Bagé.

O que fiz no passado está aí para ser visto, usufruído e até criticado. Mas essa não pode ser a única justificativa de uma pré-candidatura. O que é preciso consertar também está aí e pode ser visto em ruas esburacadas, em privilégios insustentáveis para CCs, em escândalos de corrupção e em incompetência administrativa. Mas o simples conserto também não pode ser a única justificativa para uma pré-candidatura. Por isso, consultei os amigos neste final de semana através de uma simples pergunta em meu perfil de Facebook, sobre se deveria ou não me candidatar. As quase 1500 respostas positivas que obtive de bajeenses, os seus comentários e os sonhos que acalentam comigo de fazer Bagé voltar a ser o que já foi, essa sim é uma justificativa mais do que suficiente.

Ainda neste mês, encaminharei meu nome ao meu partido como pré-candidato a prefeito e estabelecerei diálogo com a sociedade e com outros partidos para que se possa formar uma Frente política na cidade, disposta e capaz de fazer Bagé avançar. Para o bem de todos. Para reconstruirmos a felicidade em nossa cidade.

Líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa

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