ANO: 26 | Nº: 6590
13/06/2020 Fogo cruzado

“Espero um ambiente de campanhas propositivas e sem ódio”, adianta Mainardi

Foto: Divulgação

Liderança do PT na Assembleia Legislativa confirmou pré-candidatura à Prefeitura de Bagé
Liderança do PT na Assembleia Legislativa confirmou pré-candidatura à Prefeitura de Bagé

Com pré-candidatura à Prefeitura de Bagé formalizada junto ao diretório municipal do PT, na noite de quinta-feira, o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi alimenta expectativa sobre o nível de debate que deve ser estabelecido no pleito de 2020, adiantando que sua plataforma tem cinco áreas prioritárias. A agenda petista inclui pautas da saúde, da educação, da assistência social e da infraestrutura. Mas o destaque fica por conta da obra da barragem da Arvorezinha, tema que tem pautado a discussão política na cidade.
Mainardi disputou a Prefeitura de Bagé cinco vezes, vencendo em duas eleições. A primeira gestão foi garantida na quarta tentativa, em 2000, quando venceu Carlos Sá Azambuja (Guanaco), do PP, que buscava a reeleição, em um cenário de disputa que contava, ainda, com Guarani de Bem, do PFL, Carlos Alberto Fico, do PSB, e Clementino Molina, do PTB. Em 2004, garantiu a reeleição, vencendo Jackson Kamphorst, do PSTU, Jucelino Rosa dos Santos, do PDT, Sonia Leite, do PP, e Pedro Trindade Martins (Sabella), do MDB, totalizando 62,93% dos votos válidos.
Enumerando realizações de suas duas gestões, o petista afirma que a pré-candidatura ao pleito municipal de 2020 nasce a partir de uma espécie de mobilização. “Existe um contexto de decepção com a atual gestão, que criou muitas ilusões. Em uma situação como essa, as pessoas acabam discutindo quem pode ser candidato. Na medida em que fui um prefeito realizador, e as coisas estão aí para serem vistas, creio que nome surgiu neste cenário. Por onde eu andava, as pessoas passaram a me pedir ou perguntar se eu seria candidato. Então, fiz essa consulta (através de perfil pessoal, no Facebook) e o retorno foi extremamente positivo. Aproximadamente 1,5 mil pessoas manifestaram apoio”, pontua.
A pré-candidatura de Mainardi marca o retorno do PT à disputa pelo Executivo municipal. Em 2016, após a segunda gestão de Dudu Colombo, o partido optou pelo apoio ao candidato do PCdoB, Fico, que era o vice-prefeito. A eleição seria vencida por Divaldo Lara, do PTB. “Acho que foi a decisão correta (coligação com o PCdoB). Fico era o melhor nome para aquela eleição. Havia um desgaste natural dos 16 anos, principalmente fruto do governo do Dudu. As obras que a atual gestão está tocando são projetos deixados por ele, que não conseguiu fazer. Eu não poderia ser o candidato. Primeiro, porque não representava aquele governo. Todo mundo sabe que, quando se elegeu, Dudu rompeu comigo. E em função do rompimento, me afastei e nunca fui ouvido sobre absolutamente nada. Nunca. Eu não poderia ser, oportunisticamente, o candidato. Não podia ser candidato do governo e não podia ser candidato da oposição”, avalia.


Saúde, educação e assistência social
Mainardi recorda que a estratégia de gerenciamento local do programa Bolsa Família rendeu três prêmios nacionais à administração bajeense. Estes resultados, na avaliação do petista, representam a importância da 'qualificação da gestão', um dos focos da pré-candidatura. “Temos que avançar, e não só para uma gestão qualificada, mas também para gerarmos programas de atenção às pessoas que não têm emprego e renda”, enfatiza, ao reforçar que a pasta da assistência social 'estará sempre sobre a mesa, para ser tratada diariamente', como ferramenta para enfrentar a crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
O petista acredita que a Saúde também merece atenção especial. “Estamos acompanhando a atual gestão da pandemia. Existem erros e acertos. Penso que a situação pior ainda está por vir. Acho que o Brasil vai enfrentar uma dificuldade brutal, por falta de uma coordenação nacional. Mas também acho que muita coisa vai mudar. Vai ficar mais clara a importância do SUS (Sistema Único da Saúde) e da gestão pública da área. Temos que recuperar a qualidade do serviço de saúde na sua totalidade”, prioriza.
O pré-candidato menciona, como o exemplo, a elevação do índice de mortalidade infantil no município, que, em sua avaliação, 'reflete a qualidade dos serviços'. “Em cima da mesa, quero ter a pasta da Saúde sendo observada constantemente. Cada bebê que morrer em Bagé tem que ter uma explicação, a partir de uma investigação sobre a causa. A saúde a gente cuida nos detalhes, para que se tenha um trabalho preventivo qualificado. Na área dos hospitais, temos gestões qualificadas”, reconhece.
Definida como temática central, a Educação também é encarada pela perspectiva de qualificação. “Fizemos muito nesta área. Compramos o Geteco, o São Pedro e assumimos o Bidart. Conquistamos uma universidade federal e um instituto federal de educação. Construímos várias escolas, refeitórios e estruturamos a rede física. Também qualificamos o magistério. O que precisamos fazer, agora, é qualificar os serviços e garantir o pagamento do piso nacional para os professores”, enumera.


Demandas do funcionalismo
Mainardi traça uma espécie de paralelo entre sua primeira gestão e o que qualifica como primeiro desafio do próximo prefeito de Bagé, utilizando como exemplos demandas do funcionalismo. “Quando assumi (em 2001), encontramos um passivo de salários atrasados impressionante. Tinha setores do funcionalismo que chegavam a ter 23 meses de salários atrasados. Agora vamos enfrentar outro problema, que é recuperar o Funpas (Fundo de Pensão e Aposentadoria do Servidor de Bagé). E se não recuperar um passivo da atual gestão, amanhã ou depois, o Funpas não terá mais dinheiro para pagar os salários e isso acaba vindo para a folha da prefeitura”, aponta.
O petista adota cautela ao falar sobre a perspectiva de reescalonamento dos níveis básicos de vencimento dos servidores municipais, uma das principais demandas da categoria. “Não sou irresponsável de sair anunciando aquilo que depois não se pode concretizar. A questão do funcionalismo precisa ser vista com muito cuidado. Temos que encontrar, através de diálogo com os sindicatos, uma equação que nos permita, primeiramente, recuperar o Funpas, que é para podermos garantir as aposentadorias. Reescalonamento e outras questões temos que ver de acordo com as condições que a prefeitura terá para fazer”, reflete.


Barragem da Arvorezinha
Tratado, por Mainardi, como um dos temas centrais de qualquer gestão, o terreno da infraestrutura não abrange a barragem da Arvorezinha. O foco do petista, neste campo, está direcionado à manutenção de vias e estradas. O reservatório representa uma espécie de área específica. “Temos quase 300 quilômetros de ruas de chão. A ideia é montar um conjunto expressivo de patrulhas completas, para que seja possível, após grandes volumes de chuva, por exemplo, recuperar a cidade em poucos dias. Não sei quantos quilômetros de asfalto vou fazer. Asfalto é muito caro. Não posso prometer aquilo que eu não sei se terei condições de fazer. Minha obrigação, aquilo que se pode chamar de feijão com arroz, na gestão pública, é manter a cidade iluminada, limpa e com ruas conservadas. É estratégico, inclusive, garantir estas condições, em um cronograma de manutenção permanente”, salienta.
A barragem, conforme Mainardi, representa a primeira prioridade, em diferentes aspectos. “Vou disputar este tema na opinião pública, de forma a esclarecer a verdade. Quando assumi a Prefeitura, e começamos a tratar das questões da falta de água em Bagé, a constatação foi de que era inviável querer fazer uma nova barragem se produzíamos e distribuíamos água para uma cidade 50% maior do que Bagé. Havia um problema estrutural gravíssimo, de desperdício, porque não havia medição na casa das pessoas. A pessoa gastava o quanto quisesse e pagava uma taxa fixa. Também havia perda física, na rede. Ao longo do tempo, foram feitas manutenções, mas nunca uma manutenção geral. O problema é que a gente não sabia qual era efetivamente a perda física”, recorda.
O petista afirma que a administração 'sabia quanta água saía da hidráulica, mas não sabia quanto chegava nas casas das pessoas, porque não tinha hidrômetro'. “Não tinha como medir o quanto chegava. Então, não sabíamos quanto era a perda física. Fui tratar desse assunto e me questionaram como eu queria fazer um investimento em uma nova barragem se estava botando 50% da água que era tratada na hidráulica fora. Para ter nova barragem, tinha que resolver isso. E eu fui fazer. Construímos um novo Daeb. Iniciamos uma política efetiva de cortes de quem não pagava. Mais da metade das pessoas não pagava. E nada acontecia. Tivemos que disciplinar isso. Fizemos uma reestruturação do Departamento, com novo concurso. Me reelegi, em 2004, enfrentando a demagogia dos que batiam na tecla de que estávamos cortando água de quem não pagava. Criamos a tarifa social, para quem tem baixa renda, e fizemos muitas obras de reparos na rede. Quando estava bastante evoluído neste aspecto, fui atrás do mais difícil, que era recurso para barragem”, detalha.
Mainardi afirma que deixou 'projeto, com o dinheiro assegurado, incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)'. “Não fiz nenhuma campanha prometendo barragem. Ninguém vai encontrar em nenhum lugar a promessa de fazer a barragem, nem quando me reelegi. Eu não tinha como me comprometer com uma obra de dezenas de milhões de reais. E não me comprometi. Quem diz que eu prometi fazer, não fala a verdade. O que estou dizendo hoje é o seguinte: os recursos estão assegurados. Foram mantidos, inclusive, pelo atual governo. Precisamos de gestão competente para fazer a obra e eu farei. Vou mostrar que fizemos um governo bom não apenas na época, porque tínhamos relações com Brasília, mas sim porque tínhamos competência. Essa é uma questão de competência e faremos. Eu nunca prometi barragem, mas eu vou fazer, por que o dinheiro está assegurado e tem projeto”, diz.


Cenário político
Após confirmar a pré-candidatura, o petista adianta que agora deve trabalhar na formação do que define como frente política, no sentido de uma coligação. PSB, PCdoB, Rede e PSOL, partidos que integram o Bloco de Oposição Municipal (BOM), criado, de acordo com o petista, 'para poder mostrar que os caminhos muitas vezes adotados pelo governo estavam errados', integram a lista de legendas com as quais o PT devem manter diálogo. “O BOM ajudou muito a esclarecer a opinião pública. Mas esse é um processo anterior”, pondera, ao revelar que alianças com partidos de direita estão descartadas. “Buscaremos conversar com os partidos de esquerda e de centro. Neste campo, diria que, além de PSB, PCdoB, PSOL e Rede, temos o PDT e o MDB”, revela.
Criticando semelhanças que estabelece entre os governos de Divaldo Lara, à frente da prefeitura, e do presidente Jair Bolsonaro, o pré-candidato do PT alimenta expectativa por uma campanha 'de alto nível'. “Não sabemos como será a eleição. O potencial candidato do governo, em tese o mais forte, é o prefeito. Mas ele não sabe se será candidato. Aguarda um recurso no TSE. Então, não sei com quem vou disputar a eleição, representando o governo municipal. Mas não tenho nenhum problema de enfrentar qualquer adversário, porque minha preocupação estará em formular ideias e propostas para Bagé e em conquistar as pessoas no sentido de nos dar esta oportunidade de mostrar que é possível fazer. Esperamos tratar dos assuntos importantes, dos problemas de Bagé e das suas soluções, discutindo, sim, mas sem ataques e sem fake news. Espero um ambiente de campanhas propositivas e sem ódio. Espero que não se tenha que investigar um gabinete do ódio, aqui em Bagé”, projeta.


AVISO: Tendo em vista a proximidade de mais um pleito eleitoral, o JM deu início à realização de entrevistas com todos os políticos que formalizarem suas pré-candidaturas, junto aos partidos, para concorrerem à Prefeitura de Bagé. Este comunicado busca deixar claro que este veículo de comunicação é plural e garante espaço para todas as agremiações partidárias.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...