ANO: 26 | Nº: 6578

Fernando Risch

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Escritor
13/06/2020 Fernando Risch (Opinião)

Quarenta mil


No dia 23 de maio, eu escrevi uma coluna, neste mesmo espaço, falando sobre o Tribunal de Haia. Naquela época, há longínquas três semanas, o Brasil chegava a 20 mil mortes pelo Covid-19. Hoje, enquanto você lê essas palavras, o país já ultrapassou 40 mil óbitos pela doença. Eu vou recapitular o que escrevi naquele dia: "Demoramos 3 meses para contabilizar 10 mil vítimas e 12 dias para alcançarmos 20 mil. Os 30 mil virão e virão mais rápido, assim como os 40 mil..."

Cá estamos, com 40 mil vítimas desta doença desconhecida, que nos dias atuais foi usada da forma mais bizarra possível como capital político. Admito que falhei quando os 30 mil chegaram e eu não sinalizei neste espaço com fulgor. Mas creio que você, leitor, possa imaginar a proporção. Se para chegarmos aos 10 mil mortos demoramos 3 meses e dos 20 mil para os 40 mil demoramos 23 dias, a matemática não fica muito difícil de entender.

A projeção assusta. A projeção brasileira e de qualquer outro país que esteja olhando para nós. Com razão, a União Europeia já anunciou que não permitirá a entrada de brasileiros por não confiar na maneira que estamos manejando nossa crise. Não podemos culpá-los e execrá-los. Alias, não se pode fazer isso com ninguém que alertou o óbvio. E como o óbvio anda sendo alertado ultimamente, nos últimos anos, e recebendo poucos ouvidos.

Não darei aqui, nestas linhas de um sábado pós-Dia dos Namorados, a solução, porque não cabe a mim entregar isso. O que posso garantir, e com uma confiante e ampla certeza, é que o presidente da República, que está diretamente atrelado a tragédia de mortandade a qual vivemos, não fará nada.

Para não ser injusto, ouso dizer que fará, sim. Amanhã, em um domingo, como tantos outros, quebrará todos os protocolos de segurança em atos com viés de ruptura democrática, e o fará sorrindo, debochando. Se por ventura for questionado pelas dezenas de milhares de mortes pela Covid-19, ele responderá com sarcasmo, como se não fosse responsável, e a claque aplaudirá.

Mas não se abale, leitor. Eu não sou vidente, só relato o óbvio, e o óbvio para Jair Messias Bolsonaro é enfrentar um tribunal internacional e ser imputado como responsável, pela crueldade e omissão, por um genocídio na República Federativa do Brasil.

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