ANO: 26 | Nº: 6542

Padre Jair da Silva

pejairs@yahoo.com.br
Pároco da Catedral
27/06/2020 Padre Jair da Silva (Opinião)

Pequenos gestos, grandes atitudes

Três homens, andando pelas montanhas, foram surpreendidos por uma tempestade. Para se proteger refugiaram-se numa caverna. De repente, uma pedra enorme despencou do alto e fechou completamente a entrada da gruta. Os três chegaram à conclusão que somente Deus podia salvá-los. Assim, começaram a implorar a ajuda do Todo-poderoso apresentando os atos das suas vidas que pensavam ser mais merecedores de consideração por parte de Deus. O primeiro disse: "Eu tinha somente uma cabra. Todos os dias a levava para pastar e ter um pouco de leite para os meus velhos pais. Também juntava lenha para vender a fim de que nunca lhes faltasse comida. Certo dia, cheguei e os encontrei adormecidos. Esperei a noite toda até eles acordarem. De manhã, dei comida para eles e depois eu também me alimentei e fui descansar. Senhor, se eu disse a verdade, dê-me um sinal da tua bondade". A pedra afastou-se um pouco. O segundo falou assim: "Tempos atrás, apaixonei-me por uma jovem muito pobre, porém ela não aceitou se casar comigo. Então eu juntei todo o ouro que pude e disse para ela que tudo aquilo seria seu, se ela me vendesse o seu corpo por uma noite. A pobre jovem veio, mas o temor de Deus entrou no meu coração. Não toquei nela e lhe deixei todo o ouro. Senhor, se eu disse a verdade, dê-me um sinal da tua bondade". A pedra afastou-se mais um pouco. O terceiro homem, também, contou a sua história: "Eu tive muitos homens trabalhando comigo. Quando concluímos os trabalhos dei a todos o salário devido. Um, porém, não se apresentou. Com o dinheiro dele comprei uma ovelha. Os anos passaram e a ovelha tornou-se um rebanho. Quando, enfim, o homem apareceu para receber o seu dinheiro, mostrei para ele o rebanho. Achou que estava zombando dele, mas eu insisti para que levasse o que era seu. Agora, Senhor, se eu disse a verdade, dê-me um sinal da tua misericórdia". A pedra afastou-se mais um pouco e os três homens conseguiram sair da caverna.

Afinal, os três homens fizeram mesmo alguma coisa extraordinária, tão importante a ponto de conseguir comover o coração de Deus? Não deveríamos, todos, honrar os pais e as mães? Não deveríamos respeitar as pessoas mais fracas e necessitadas? Não deveríamos ser honestos e justos? Eles fizeram apenas o que estava certo. Nenhum heroísmo, nada tão fora do comum. Acontece, no entanto, que, muitas vezes, um gesto de bondade simples e pequeno, repetido, talvez, todos os dias, pareça-nos de pouco valor.

Nós consideramos grandes somente aquelas pessoas que se destacam por algum dom especial ou algum gesto que chame atenção. Parece que esquecemos a grandeza daqueles que todos os dias e a toda hora praticam o bem, que nunca serão manchetes de noticiário, mas nunca também deixarão de praticar o bem. Só acreditamos que para mudar as coisas precisa ter poder e dinheiro. Dificilmente esperamos algo de novo dos pobres, dos pequenos e dos errados. Se mudarmos o mais profundo do nosso coração, não precisamos nem de dinheiro e nem de outros recursos. Vejamos os gestos de solidariedade neste tempo de pandemia. Quem realmente está partilhando, sendo solidário? Quem está salvando vidas?

Em Mt 11,2-5 João Batista manda perguntar a Jesus se é ele quem deveria vir ou se deveriam aguardar outro. Jesus responde aos enviados para prestarem atenção ao que estão ouvindo e vendo: "os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados" (Mt 11, 5). Com certeza cada gesto de amor feito por nós jamais será esquecido por Deus. Como diz um provérbio popular: "quem dá aos pobres empresta a Deus". Oxalá a resposta dada por Jesus seja hoje a nossa grande motivação, que o sofrimento dos pobres, dos doentes, dos excluídos nunca seja pela nossa indiferença ou falta de solidariedade.

Pe. Jair da Silva
pejairs@yahoo.com.br
(55) 997051832

 

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