ANO: 26 | Nº: 6586

Rodrigo Tavares

27/06/2020 Rodrigo Tavares (Opinião)

Tupinilândia

Foto: Reprodução JM


Tem muita gente preocupada em ser Balzac e esquece de ser Júlio Verne – disse Samir Machado de Machado certa vez em entrevista ao jornal Zero Hora. E essa frase já diz muito desse autor que é uma das vozes mais criativas e inventivas da literatura brasileira contemporânea.
Samir Machado de Machado é um escritor, editor e designer gráfico brasileiro. Machado formou-se em publicidade e propaganda pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2003. Atualmente, está cursando o Mestrado em Escrita Criativa pela mesma instituição.
Machado tem uma longa história envolvendo a literatura contemporânea produzida no Rio Grande do Sul. Nos anos 2010, fundou a "Não Editora", juntamente de outros escritores porto-alegrenses. Referida editora tinha o objetivo de dizer "não" ao convencional e publicar livros que saíssem do lugar comum. Com este selo, Samir editou a coleção Ficção de Polpa, uma homenagem aos livros de gênero. Misturando referências clássicas ao universo pulp, lançou Quatro Soldados (Não Editora, 2013), ambientado nas Missões Jesuíticas do século 18, e o Homens Elegantes (Rocco, 2016), na Londres de 1760, o novo romance de Samir se passa em um período mais atual. Apesar de históricos, Samir sempre cria histórias repletas de ação e emoção.
No ano de 2018, o autor lança pela Editora Todavia o livro Tupinilância, onde, conforme a sinopse oficial, o "autor vira de ponta-cabeça os clichês dos romances de aventura e ação, e reflete sobre temas como nostalgia, memória e nacionalismo. No início dos anos 1980, com o Brasil rumando para a abertura política, um industrialista constrói em segredo um parque de diversões. Batizado de Tupinilândia, o parque funcionaria como uma celebração do nacionalismo e da nova democracia que se aproximava. Todavia, durante um fim de semana em que se testavam as operações do parque, um grupo de militares invade o lugar e faz funcionários e visitantes de reféns".
O livro se divide em duas partes. A segunda parte se passa em 2016, quando um arqueólogo é contratado para explorar as ruínas do projeto. Ao chegar com sua equipe, descobre um terrível segredo, e a partir daí as duas pontas do romance se unem numa aventura literária pelo passado recente do Brasil e pela memória dos anos 1980. O livro está sendo lançado na França nesse ano, e por lá é apontado como uma mistura entre Parque dos Dinossauros e 1984, de Orwell.
A crítica literária Taizze Odelli afirma que "Tupinilândia é um ótimo livro por conter entretenimento de primeira e uma visão assustadora do que a sociedade é capaz de fazer. Porque estamos em uma época em que tudo pode ser alterado, inventado e difundido para confundir as pessoas".
Tupinilândia foi o vencedor do 2º Prêmio Minuano de Literatura, em 2019 e é um dos livros mais interessantes escritos nos últimos anos. Samir mistura seus conhecimentos históricos, sobre filmes e gibis para mostrar que é possível produzir literatura de entretenimento e com qualidade no Brasil. Por fim, em 2020, Samir, acompanhado se Luisa Geisler, Marcelo Ferroni e Natalia Borges Polesso, escreveu o livro Corpos Secos, sobre um Brasil atacado por uma pandemia zumbi. Mais atual, impossível.
Samir já esteve presente na primeira edição do FestFronteira e era um dos autores confirmados na edição desse ano.

 

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