ANO: 26 | Nº: 6590

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
02/07/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Nossa bandeira não será vermelha

Refiro-me, evidentemente, ao tema da Covid-19. Como todos sabem, o governo do estado instituiu um modelo de gestão da doença conhecido como Afastamento Controlado, que a partir de determinados critérios relacionados ao avanço da contaminação e à capacidade de atendimento do sistema de saúde, gera um indicador que determina se aquela região terá mais ou menos restrições de mobilidade. O indicador da bandeira vermelha é o que demonstra risco alto de contágio e, portanto, maior gravidade da doença. Acima dele, apenas a bandeira preta, que indica a necessidade de um lockdown, um termo em inglês que significa a necessidade de um fechamento total, com confinamento rigoroso dos cidadãos.

Felizmente, nossa região se mantém, pela segunda semana, com um indicador amarelo, que não significa que estamos livres da Covid-19, mas que estamos em condições melhores, comparativamente, para enfrentar a doença. No que depender de mim, manteremos essa situação até a superação completa dessa pandemia, que tem impactado fortemente nossas vidas e a nossa economia.

As previsões das instituições mais sérias, de âmbito mundial e nacional, é que nossa economia terá um decréscimo de quase 10% neste ano. Todos sabemos o que isso significa em termos sociais. E precisamos, evidentemente, nos preparar para enfrentar essa situação, que trará (e já está trazendo) desemprego e aumento de necessidades básicas da população. É verdade que já vínhamos em uma situação crítica, gerada pela política chamada de "hiper-liberal" do Paulo Guedes (banqueiro e ministro da economia do Bolsonaro). Sinteticamente, essa política do Guedes e do Bolsonaro acredita que o mercado é capaz de resolver todas as dificuldades econômicas e que o Estado atrapalha a economia.

Para vocês terem uma ideia, essa política foi capaz de deixar mais de 1 milhão de brasileiros na fila de espera do Bolsa Família, retirar mais de R$ 20 bilhões do orçamento do SUS nos últimos três anos, através da chamada Lei do Teto, que estabeleceu limites de investimentos em saúde, e produzir uma reforma trabalhista e previdenciária que diminui pensões e retirou direitos dos trabalhadores. O resultado é que a pandemia nos pegou de "calças curtas", com muitas pessoas necessitadas.

Preocupado com esta situação, os deputados da oposição ao governo apresentaram a proposta do Auxílio Emergencial de R$ 600,00. Se fosse só essa a contribuição da oposição – na qual eu me incluo – ao enfrentamento da Covid-19, já estaria de bom tamanho. Hoje, a luta é por manter este auxílio até o final da pandemia, mas o governo quer estendê-lo por apenas três meses e com valores decrescentes de R$ 500, R$ 400 e R$ 300.

No âmbito estadual, como líder da maior bancada da oposição, apresentei uma proposta para o governador, de uso da mecânica dos empréstimos subsidiados do Banrisul, que garantiria salário em dia para os servidores (com tudo o que isso significa em ativação da economia, principalmente dos pequenos negócios) e recursos para enfrentar a seca. Infelizmente, a ideia está parada nos escaninhos do gabinete. Também, como deputado estadual, protocolei dois projetos especificamente relacionados à pandemia que tramitam na Assembleia Legislativa: um, que garante proteção para os familiares de trabalhadores da saúde, através do pagamento de uma indenização e pensão especial em caso de falecimento em trabalho causado por contaminação do novo coronavírus; e outro que garante a ampliação dos prazos de validade dos concursos públicos, demanda de milhares de gaúchos, muito deles bajeenses.

Mas a ajuda às pessoas neste momento difícil, passa, também, por iniciativas próprias e não apenas pelas coletivas. Eu, por exemplo, tenho uma tradição de ajudar ao nosso sistema de saúde local através da articulação e destinação de emendas do orçamento federal ao financiamento de nossa Santa Casa. Apenas neste ano, mobilizei cerca de R$ 1,5 milhão em recursos oriundos de emendas de parlamentares que são meus parceiros e sempre ajudaram Bagé. Cito-os, embora não tenham me pedido essa referência: Paulo Pimenta, Dionilso Marcon, Maria do Rosário e o senador Paim. Esses recursos foram ou estão sendo investidos em melhorias e qualificação no atendimento no principal hospital da cidade. Devo fazer justiça: o deputado Afonso Hamm também destinou recursos para Santa Casa e isso é uma atitude que deve ser elogiada.

Fiz mais. Articulei junto aos assentados do MST a doação de alimentos, através da Cáritas, instituição ligada à Igreja Católica, para milhares de pessoas que moram nas periferias de nossa cidade e, infelizmente, por conta da estrutura injusta de nosso sistema econômico, precisam de uma ajuda direta para enfrentar necessidades básicas de alimentação. Através da articulação com uma rede de costureiras das comunidades, distribuímos, também, centenas de máscaras para auxiliar na proteção e no afastamento necessário para quem não consegue deixar de circular por motivos de sobrevivência.

Enfim, tenho feito a minha parte para que nossa bandeira não mude de cor, mas só em relação à Covid-19, como todos sabem. Elogio profundamente nossos trabalhadores da saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, motoristas de ambulâncias, administrativos hospitalares e tantos outros profissionais que trabalham na linha de frente do combate a esta pandemia) e também nossa população pelo entendimento e atendimento das condutas necessárias para enfrentarmos com cuidados a esta doença, que, como se sabe, só estará definitivamente controlada quando tivermos disponível a vacina ou uma medicação realmente efetiva.

Concluo, sugerindo a todos os bajeenses que se unam em uma corrente do bem para que o nosso conterrâneo, o médico André Kalil, avance em suas pesquisas e nos traga boas notícias na Live que está sendo promovida pela Urcamp e por este jornal no próximo dia 7 de julho, às 19h. Eu estarei assistindo, torcendo, porque, saibam, tenho todos os dias, e nestes dias mais ainda, Bagé na cabeça e no coração.

Líder da bancada do PT na ALRS

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