ANO: 26 | Nº: 6577

Padre Jair da Silva

pejairs@yahoo.com.br
Pároco da Catedral
04/07/2020 Padre Jair da Silva (Opinião)

É Ele que renova as nossas forças


Há pouco tempo, uma reclamação muito comum era esta: "Estou cansado (a)". Hoje, com a realidade da pandemia, esta reclamação está dando espaço para uma outra dimensão, que na verdade se complementam. Ou seja, no rosto das pessoas hoje, encontramos uma expressão de muito desânimo e tristeza. O cansaço, o desânimo e a tristeza são reflexos de que estamos sem forças para carregar nossos fardos.
"Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso" (Mt 11, 28). Com estas palavras Jesus não quis dizer que com Ele teremos uma vida sem fardos, mas nos convida a rever o nosso cansaço. Talvez nós estejamos carregando fardos desnecessários, criados ou alimentados por nós mesmos, como o fardo de um passado não aceito, de uma dor não digerida, de uma ofensa não perdoada. Eis a chave da explicação: existem fardos que nós não precisamos carregar. Ou seja, quem está com Jesus não carrega mágoas, entende melhor os momentos de dor, diz não quando se é necessário dizer não.
Certa vez, alguém viu uma menina bem pobre carregando seu irmãozinho nas costas, e perguntou-lhe: "Ele não é pesado?" A menina respondeu: "Não! É meu irmão!" Quando falamos de fardos, a primeira idéia que nos vem à mente é nos livrarmos deles, jogá-los fora. Quando o relacionamento pesa, quando os pais idosos pesam, quando os filhos pesam, quando os valores como a integridade, a retidão, a fidelidade, o ideal de amar até o fim pesam, o mundo também nos pergunta: "Isto não está pesado? Tu não gostarias de jogá-lo fora, de te livrar desse fardo?" Se tu consegues enxergar a pessoa além do "peso" que ela agora está sendo na tua vida, tu também dirás: "Não! É meu marido! É minha esposa! São meus pais! São meus filhos! É a minha família! É o meu trabalho! São os meus valores!" Evidentemente só quem pode responder assim é quem vê além das aparências, além dos interesses. Quem vê os outros como irmãos, não como peso. Isto é, quem vê com os olhos de Jesus.
Ao nos convidar a depositar n'Ele o nosso cansaço, o nosso fardo, Jesus também disse: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso" (Mt 11,29). A mansidão e a humildade do coração de Jesus podem nos ensinar a nos livrar de fardos inúteis e de cansaços desnecessários. Jesus sempre escolheu viver na humildade e na simplicidade. Além disso, ele nunca aceitou ser empurrado pelas pressões externas. Todas as cobranças e exigências do mundo à sua volta eram "filtradas" em seu coração, um coração que procurava se colocar diante do Pai todos os dias, e ali ele separava aquilo que parecia ser urgente daquilo que de fato era essencial.
Muitas vezes o que nos adoece, porque consome nossas energias e nos esgota interiormente, é justamente a falta de humildade e de simplicidade. Não podemos esquecer que o caminho da cura e da mudança passa pela reaproximação da humildade e da simplicidade de vida, por recuperar aquilo que é essencial, na certeza de que precisamos de muito pouco para sermos felizes. Ficamos, muitas vezes, desperdiçando energia com a soberba, o orgulho, a vaidade, a arrogância e com a preocupação em aparentar ter. Ao invés disso, somos convidados por Jesus a tomar sobre nós o seu jugo, o que significa abraçar o Evangelho como norma de vida, pautando a nossa existência pela simplicidade do coração de Deus, do Pai que escolheu revelar-se aos humildes e simples de coração.
Como cristãos, como discípulos de Jesus Cristo, somos convidados não somente a nos refugiar no Seu coração manso e humilde, mas também a nos fazer extensão do Seu coração, procurando ser o conforto às pessoas cansadas e abatidas, pessoas esgotadas, por causa de uma sociedade desumanizada, e mais ainda agora, em meio a essa situação de tanto sofrimento que a pandemia tem provocado.

Pe. Jair da Silva
pejairs@yahoo.com.br
(55) 997051832

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