ANO: 26 | Nº: 6590
25/07/2020 Fogo cruzado

Pré-candidato do PSL prioriza barragem, manutenção de ruas e estradas vicinais

Foto: Tiago Rolim de Moura

Com pré-candidatura ao Executivo formalizada pelo Partido Social Liberal (PSL), o vice-prefeito de Bagé, Manoel Machado, trabalha no desenvolvimento de uma plataforma que contempla propostas voltadas à infraestrutura, com destaque para a obra da barragem da Arvorezinha, para a manutenção de ruas e de estradas vicinais. “São eixos cruciais para a economia”, define.
A trajetória política de Machado, 66 anos, iniciou em 1986. O pré-candidato foi vereador por dois mandatos, integrando base e oposição. Também foi secretário municipal de Assistência Social, no início da década de 1990. “Tive a oportunidade de fazer um trabalho que ficou marcado, com projetos importantes, tornando a assistência social uma política pública de fato e de direito na cidade”, destaca, ao observar que atuou na implantação de diretrizes para o setor, impostas pela Constituição Federal de 1988.
A disputa pela Prefeitura não é novidade para o pré-candidato do PSL. Machado disputou o cargo no pleito de 2012, pelo PSDB, e, em 2016, foi eleito vice-prefeito, com a coligação ‘Todos Pela Mudança’, ainda pelo PSDB, em chapa encabeçada por Divaldo Lara, do PTB. “Ajudei vários prefeitos a se eleger. Muitas vezes abri mão para ajudar, como no caso da última eleição. Eu tinha sido candidato e viria de novo, mas, a pedido de alguns segmentos da comunidade, tendo em vista que o prefeito atual, na época, tinha uma densidade eleitoral maior, que apontava nas pesquisas, abri mão mais uma vez e vim de vice”, pontua.
O PSL também não é novo no cenário eleitoral de Bagé. Em 2016, Uidson Ricardo Santos dos Santos (Zoinho) disputou a Prefeitura pela sigla. A candidatura Zoinho, porém, foi indeferida pela Justiça Eleitoral, porque o diretório da legenda não estava vigente no município quando a convenção aprovou o nome do candidato. Zoinho manteve a candidatura com recurso judicial. Machado ingressou na sigla em julho do ano passado e hoje responde pela presidência do diretório municipal.


Conjuntura
Em 2020, o PSL vai receber uma das maiores fatias do Fundo Eleitoral e deverá contar com o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. O partido já tem 26 pré-candidatos ao Legislativo, em Bagé. Machado adianta que a convenção, para definição das candidaturas, será realizada em setembro. “Nosso nome, por enquanto, é uma unanimidade”, destaca, ao observar, porém, que o caminho para o diálogo com outras legendas está aberto. “Conversaremos com aqueles que querem nos apoiar. Estamos de portas abertas, desde que tenha afinidade com nosso trabalho e nosso programa”, condiciona.
Machado acredita que a experiência como vice-prefeito credencia a pré-candidatura junto ao PSL. “Desde o início, tenho ajudado o governo em diversos trabalhos e também aprendi muito com isso. Nosso gabinete sempre trabalhou para trazer coisas para Bagé. O projeto das novas moradias é um exemplo. Foi um projeto que conseguimos a liberação em Brasília. E fico feliz por estar sendo entregue agora, algo que é único no Rio Grande do Sul. Fico com a sensação de que cumpri meu papel como vice-prefeito”, pontua.
O pré-candidato chegou a assumir o Executivo, em setembro do ano passado, em função do afastamento do prefeito. O trabalho desempenhado ao longo de 85 dias no cargo também é mencionado como aprendizado. “Consegui tocar uma série de projetos importantes, relacionados às escolas cívico-militares e à barragem, nos ministérios, e à avenida Santa Tecla, junto ao Dnit. Com o retorno do prefeito, perdi o contato destes projetos. Mas foram avanços que a gente teve neste período”, salienta.


Áreas prioritárias
“Tenho vontade de fazer o bem. Quero fazer a coisa certa, dando ênfase às políticas públicas principais, como educação e saúde, que recebem recursos do governo federal, procurando melhorar o máximo possível, mas também tocar projetos de infraestrutura urbana e rural”, define Machado. A plataforma prévia, apresentada pelo representante do PSL, ainda reserva espaço especial para a estrutura viária. “Precisamos melhorar a condição dos nossos bairros. Nossas ruas precisam de algo efetivo. Me debati muito com nossos secretários neste sentido. Infelizmente, vice-prefeito não tem muito poder de decisão. Algumas coisa conseguimos, mas muita coisa não”, revela.
Melhorias para as ruas de bairros e vilas são apontadas como prioridades, por Machado, ao lado do que define como processo de recuperação das estradas. “Não houve um trabalho com ênfase, como se isso fosse de fato prioridade. Eu considero prioridade. Defendo muito o setor primário. Sou nascido e criado na Campanha. Sei o que é o sacrifício do homem do campo, que produz para sustentar a economia da cidade. Em Bagé, se o campo não estiver bem, nada vai bem. Não existe a circulação de dinheiro. Então temos que dar prioridade para este setor. O mínimo que podemos fazer é estradas. E é só o que nos pedem. Não nos pedem mais nada”, pondera.


Barragem da Arvorezinha
A obra da barragem da Arvorezinha é encarada, pelo pré-candidato do PSL, como 'fundamental para o desenvolvimento'. “Quando fui a Brasília, como prefeito em exercício, entreguei o plano de trabalho da barragem, em mãos, ao ministro (de Desenvolvimento Regional) Gustavo Canuto (que deixou a pasta este ano), e disse que o projeto é muito importante para nós. Disse que Bagé é uma cidade polo e que precisa se desenvolver. Precisamos de indústrias. Mas indústrias sem água não existem. Por isso a barragem é prioritária”, argumenta.
Machado afirma que, durante a agenda em Brasília, o projeto 'ficou encaminhado, inclusive com a garantia de recursos'. “Ficou faltando a desapropriação da área. Foi feito até um decreto para desapropriar. O dinheiro que utilizaria era do Pré-Sal, que não veio em dezembro, e, então, não pude fazer a desapropriação. Mas é, sim, possível fazer a barragem. Sei como fazer. Tem que ter credibilidade junto aos órgãos governamentais. E credibilidade nós temos”, salienta.


Escolas cívico-militares
O pré-candidato do PSL é enfático ao defender a manutenção das escolas cívico-militares, implantadas em Bagé, como modelo para a educação municipal. “Estas escolas vêm para ajudar na formação cidadã. O currículo é o mesmo. O que tem neste modelo é a disciplina e a ordem, focando naquele conceito de formar um cidadão patriota, que acredita mais no país e na família”, justifica, ao reforçar o entendimento de que é preciso manter as instituições.
Machado recorda que atuou na habilitação do município junto ao Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares. “O município fez um trabalho maravilhoso, pioneiro, com a instalação, mas, por um equívoco, havia ficado de fora. Fomos a Brasília, conversamos com a equipe do ministério da Educação, e conseguimos abrir espaço para o treinamento de uma equipe. Reforçamos nosso interesse. E quando uma escola de Rondônia acabou ficando de fora, a vaga foi então destinada para Bagé”, lembra.


Máquina pública
Machado explica que o PSL ainda trabalha na elaboração de um plano prévio de governo, mas já avalia a organização das pastas que podem comportar as estruturas de atuação do Executivo. “Acho que o número que tem, hoje, está bom. Gosto muito do número 12. Ele remete aos apóstolos. Mas precisamos de 12 pessoas que realmente fechem com o prefeito e tenham vontade de fazer. Não posso dizer que, em uma necessidade, não possa aumentar ou diminuir o número de secretarias. O certo é que tem que reorganizar muita coisa”, avalia.
O perfil de agente para composição do primeiro escalão projetado pelo PSL considera o que Machado define como 'capacidade de servir'. “Política não é para ficar rico ou ganhar dinheiro. O político recebe os vencimentos para sobreviver. É assim que eu encaro. Nunca fui um profissional da política. Sou um empresário. Não preciso da política para viver. Cursei Administração e acabei me formando em Direito. Tive uma trajetória de esforço. O que buscaremos são pessoas alinhadas com este nosso pensamento, de que a política é o ato de servir. A gente procura quem seja patriota e respeite a família”, garante.
O pré-candidato exemplifica algumas propostas de reorganização vislumbradas para as pastas municipais. “A Secretaria de Assistência Social é também responsável pela Habitação e pela política para Idosos. Acho que fica bastante sobrecarregada. Algum serviço pode ser retirado. Também é possível criar uma secretaria de Infraestrutura Urbana e Rural. Assim continuamos com 12 secretarias. Temos uma secretaria de Desenvolvimento Rural que não sei se cumpre muito a finalidade. O dever é fazer estrada. E já tem uma secretaria de Desenvolvimento. Ela não é do município? Então pode ser do desenvolvimento urbano e rural. Essas questões podem ser ajustadas”, pondera.


Cultura
Com histórico de contribuições para o movimento tradicionalista, Machado vislumbra o reforço de eventos como prioridade para o setor da cultura. “Em 1985, o movimento praticamente não existia mais. Criamos o primeiro piquete tradicionalista, trouxemos as festas campeiras e minamos a cidade de piquetes, despertando o interesse nos mais novos, para não deixar a tradição morrer. É algo que quero reativar em Bagé”, pontua.
Uma alternativa apontada por Machado, que chegou a atuar como coordenador da Semana Crioula Internacional, é justamente a integração da agenda com a organização da Fiesta de la Patria Gaucha, realizada em Tacuarembó, no Uruguai. “É a maior festa da América Latina, no que se refere a este segmento”, reconhece.


Aposta em parcerias
“Acho que precisamos inovar, para poder facilitar as coisas na Administração”, aponta Machado, ao ratificar o compromisso com o programa Cidades Sustentáveis, estruturado em 12 eixos temáticos, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A perspectiva de inovação defendida pelo representante do PSL pressupõe, entretanto, parcerias com clubes de serviços, instituições, Exército, Brigada Militar, Polícia Civil, Judiciário e Ministério Público. “Precisamos desta harmonia. Também precisamos do Legislativo, mas a partir de uma relação de diálogo e respeito”, considera.


Funcionalismo
O pré-candidato do PSL reconhece, como demanda prioritária para a gestão municipal, a revisão salarial dos servidores. “No governo PT, tivemos uma visão mais socialista, diferente da liberal, que defende a família, a livre iniciativa e o direito de propriedade. Acho que as pessoas precisam produzir, para gerar riqueza e empregos. A visão socialista acha que o Estado tem que assumir tudo. Nessa visão, penso que cometeram um erro, porque o município inchou muito e falta dinheiro para dar aumento ao pessoal”, relaciona.
Machado classifica a situação salarial dos servidores como 'muito difícil'. “Tudo sobe e o servidor sempre ganhando o mesmo salário, que não sobe nunca. É muito triste. Quando estava como prefeito em exercício, recebi o Sindicato. E eles têm razão nas reivindicações. Tem que haver uma solução. Não podemos mais cometer essa injustiça com o nosso povo. É necessário encontrar um jeito de corrigir. E isso é com eles mesmos. Eles devem apresentar a solução. Vamos pegar nosso corpo técnico para trabalhar e ver o que pode ser feito hoje ou amanhã, sem demagogias. Isso é prioridade, sem dúvida”, enfatiza.

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