ANO: 26 | Nº: 6590

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
28/07/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Carinho feito com as mãos

O carinho com as mãos pode fugir ao óbvio, pode não ser o aperto de mão, o afago no rosto, o abraço... O afeto pode ser expresso em gestos impregnados de amor e travestidos de pura simplicidade. Talvez por vir de uma família de artesãs - avós, mãe, pai, tias, irmã e primas -, tenho uma admiração especial por aqueles presentes que foram feitos a mão, aqueles que entregam além do gesto, mais que o próprio objeto oferece o tempo e o talento de quem os confeccionou.
Talvez tenha essa percepção porque minha mãe conseguia com simplicidade e rapidez fazer uma mesa de refeição contemplando as preferências de todos; esse, entre outros tantos, era o eu te amo de minha mãe. Ela expressou isso em cada pratinho especial que fez e em cada pequeno e exclusivo objeto que confeccionou e presenteou. Talvez por essa forma familiar de presentear, eu tenha predileção em expressar amor assim e também perceba a sutileza de um modo de acarinhar menos óbvio e até discreto.
Gary Chapman em seu livro "As 5 linguagens do amor" (fica a dica para você aprofundar mais sobre o assunto) descreve que cada pessoa comunica seus sentimentos preferencialmente de uma forma. Mesmo que esta linguagem, um misto de presentes com gestos de serviço, não seja o seu idioma nativo para a declaração de seus afetos, este pode ser o momento ideal para arriscar-se a praticá-lo. O isolamento e distanciamento sociais impõem à criatividade e ao desejo de troca afetiva novas formas de se expressar. Desafiar a mente e o coração a exercitar os gestos de atenção, generosidade e cuidado fazem muito bem à alma nesses momentos de limitação da convivência em função da pandemia Covid-19, além de treinar a receptividade para perceber o amor implícito nas palavras e gestos pequenos do dia a dia.
"Eu te amo" pode ser: Se cuida, põe o casaquinho, não esquece o álcool gel, o doce preferido que foi guardado num potinho e te aguarda na geladeira, uma música que marcou época enviada pelas redes sociais, um cachecol tricotado a mão, aquela receita de família, uma piada sem graça que só a intimidade proporciona compreensão e riso, um desenho de criança, uma foto, uma planta, compartilhar, presentear sem que seja algo simplesmente comprado, ao contrário, é tesouro afetivo feito com as mãos pensando em alguém.


"Generosidade e cuidado fazem muito bem à alma"

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