ANO: 26 | Nº: 6588

Divaldo Lara

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28/07/2020 Divaldo Lara (Opinião)

Não há motivo para fechar o comércio

Esta coluna está sendo escrita antes da decisão do Governo do Estado sobre o recurso para que seja revista a imposição de Bandeira Vermelha para a nossa região. A vida para nós está em primeiro lugar tanto quanto temos certeza que neste momento a economia de nossa cidade não pode parar.
E explico os motivos.
No dia 18 de março fechamos o município de Bagé, porque naquela ocasião tínhamos uma linha de transmissão do novo coronavírus que vinha do sistema de saúde, do principal hospital da região, e não havia estrutura suficiente, não havia equipes preparadas, nem leitos e equipamentos. Deparamo-nos, todos, com uma situação nova. E o pior de tudo é a transmissão de Covid-19 atingir em cheio aqueles que têm a missão de cuidar da saúde das pessoas. Foi tão forte essa linha de transmissão inicial que os testes rápidos, feitos a seguir, deram um número alto de médicos e profissionais da saúde contaminados que, senão fosse o isolamento, teríamos perdido o controle.
O que temos hoje é outro cenário, outra realidade. Em março não havia alternativa. Era fechar ou pagar o preço pela omissão e, principalmente, por subestimar uma doença que já matou mais de 80 mil no Brasil.
Neste momento, as linhas de contaminação não estão na saúde, não estão no comércio e não estão nos prestadores de serviço. Esse número elevado de contaminação, que enfrentamos agora, chegou através de uma festa de aniversário e de uma festa de religião. Esta última produziu mais de 80 contaminados.
O que é grave se torna pior quando sabemos que muitas dessas pessoas contaminadas não revelam a doença e não fazem o isolamento. No entanto, nossos profissionais da saúde e da vigilância sanitária trabalham duro e são incansáveis nesse rastreamento de infectados.
Hoje, o número de leitos disponíveis em Bagé é de mais de 85%. Pela estrutura que montamos, pela equipe que temos, pela quantidade de testes que fizemos na população e estamos fazendo, não é necessário fechar o comércio. Fazer isso é um exagero e um crime contra a economia dos bajeenses.
Se nas próximas semanas aumentar os indicadores de ocupação hospitalar por contaminados não há dúvida, não pensarei duas vezes, se for necessário fechar novamente para garantir a saúde da população, eu fecho. Não será por achismo, não será por medo, será por convicção, será pelas razões certas e adequadas. Jamais será por interesses pessoais, ideológicos ou por sugestão de quem não compreende o quanto é grave a interrupção do sistema econômico do município. O comércio de Bagé não fechará porque não é necessário e é prejudicial à população. Os empresários e seus colaboradores têm feito um trabalho exemplar de cuidados e controle para evitar a contaminação nas empresas. É um verdadeiro exemplo, muito estamos aprendendo com as ações do comércio e os serviços da cidade.


"Se nas próximas semanas aumentar
os indicadores não pensarei duas vezes"

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