ANO: 26 | Nº: 6555

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
01/08/2020 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Bagé raiz (parte 5)


1. Eleições de 1921.
Em 11 de fevereiro de 1921 foram disputadas as eleições municipais para a escolha do intendente (hoje, prefeito) e dos membros do Conselho Municipal (hoje, Câmara de Vereadores). Participaram do pleito apenas candidatos e eleitores do Partido Republicano (borjista). Votaram 1.152 inscritos. Em primeiro de abril era empossado Martim (Tupy) Silveira, como intendente; e Serafim Leão Gomes, Antônio Mendes, Belmiro Medeiros, Oscar Gomes, José Cachapuz Primo, João de Azevedo Cunha Caminha; Idalino Campos da Luz, Francisco Caggiano e Manhães Duarte, como integrantes do Conselho, órgão este que vinha desde a República, elaborara a 1ª Lei Orgânica do Município e seria extinto depois da revolução de 1930, quando promulgada a Constituição de 1934
2. Sobre praças, hermas e monumentos.
Até 2007, quando Mário Nogueira Lopes publica sua obra sobre fatos e personalidades de Bagé, estavam relacionadas pelo autor as seguintes estátuas e bustos: Dr, Penna, na Praça da Matriz; Barão do Rio Branco, na Praça Rio Branco, vulgo Praça de Desportos, obra de Mateus Toniete, doação do extinto Clube Recreativo Brasileiro; Getúlio Vargas, na Praça Silveira Martins, e também Dr. João Batista Fico, ambos autoria de Antônio Caringi; Duque de Caxias, doação do Arsenal de Guerra, no Largo da Bandeira; General Danton Sá e Souza, nos jardins do QG, iniciativa de amigos liderados pelo então coronel Luiz Rodrigues Maia; Dom Diogo de Souza, obra de Vasco Prado, oferta do governo do estado, na Praça Mãe Luciana, ou do Cemitério; José Gomes Filho, no Largo da Santa Casa, iniciativa de amigos; Rafael Danton Garrastazu Teixeira, obra de J.P.Barreto, na Praça Dr. Albano, iniciativa de amigos; General Osório, doado pelo Exército, antes na Praça Carlos Gomes, e hoje na Praça Júlio de Castilhos; Santos Dumond, na Praça com seu nome, no Bairro Getúlio Vargas; Dr. Carlos Kluwe, na Praça Rio Branco, iniciativa de amigos; Almirante Tamandaré, oferta da Marinha Brasileira, na Praça João Pessoa; Áttila Taborda, na entrada da URCAMP, obra de Maria de Lourdes Duarte Alcalde, iniciativa do Centro Acadêmico Pio XII; Monumento Maçônico, na Praça da Bandeira, iniciativa das lojas maçônicas de Bagé, no Sesquicentenário da Independência; Visconde Ribeiro de Magalhães, na Praça da Bandeira, iniciativa da Associação Rural de Bagé (hoje na sala de entrada do Arquivo Municipal de Bagé); Emílio Garrastazu Médici, entrada do Pronto Socorro, na Santa Casa, obra de Maria de Lourdes Duarte Alcalde; Marechal Mallet, na Praça Júlio de Castilhos, ou da Estação, homenagem do Exército Brasileiro; Luiz de Camões, autoria de Mário Arjonas, na escadaria do Museu Dom Diogo, iniciativa da Sociedade Portuguesa de Beneficência; Frederico Petrucci, na Praça Rio Branco, iniciativa de ex-alunos e amigos.
Entre hermas e marcos também se catalogam Arco do Rotary, na Rodovia Bagé-Aceguá, iniciativa do Rotary Clube; Instalação do Poder Judiciário em Bagé, na Praça Rio Branco; Foguete, no Parque do Ginásio Esportivo Presidente Médici; Padrão Comemorativo à presença portuguesa em Bagé, na Avenida Emílio Guilayn, iniciativa da mesma sociedade; Monumento do Rotary, em Aceguá (hoje município); Marco do Lions de Bagé, na Praça Mãe Luciana.
A verificar se todos estão no mesmo lugar, não se desconhecendo que outras obras existem após 2007, o que completaria o elenco histórico.

3. Praça da Matriz.
Há quinze anos, pretendendo escrever sobre "moradores fixos" da Praça da Matriz, (estátuas, hermas, marcos) anotei num velho caderno os seguintes "habitantes": 1. Placa "1ª Semana Farroupilha em Bagé", de 14 a 20 de setembro de 1968. Comissão Executiva: Favorino O. Vaz, Terêncio Sarmento, Roberto Ribeiro. CTGs Negrinho do Pastoreio e Cruzeiro do Sul. 2. Placa "Praça Carlos Telles". Restaurada em outubro de 1984. Administração Carlos Sá Azambuja; Secretário da SMAU Ary Moreira Pinto. 3. "General Carlos Maria da Silva Telles. Herói do Cerco de Bagé. 4..8..84. À Invicta Cidade de Bagé. Oferta do Estado Maior do Exército. 31/X/1950". 4. "Bagé ao Dr. Penna. 1825-1901".
E como testemunha ocular, posso declarar que, destes, somente resiste a centenária estátua do humanitário médico. Agora acompanhado, além dos táxis, crianças e namorados pelo Recanto do Ito", que demarca o local onde mateamos, em passados domingos, desde a década de setenta.
4. Um jornal do Lions Clube.
Entre os jornais que Bagé já teve inscreve-se "A Jaula", que foi publicado pelo Lions Clube de Bagé, em outubro de 1962, tendo como diretores de publicidade João Bosco Dihil e o signatário, que recém ingressara àquela instituição.
Narrava um festivo jantar no Clube Comercial, sob a presidência de Oswaldo Costa Moraes em que receberam os distintivos de novos sócios Aramis Matzembacker, Carlos Sá Azambuja, José Nunes Pereira, Ângelo Pires Terra, Eurípides Morais e Valdo Menezes. A entidade era dirigida por Luis Henrique Sales, então gerente da agência do Banco da Lavoura e que sofreria grave acidente quando, em caravana leonística, os leões se movimentavam para solenidade em Dom Pedrito. O ex-presidente fora Miguel Greco Goulart, economista; 1º vice José Wilson Barcellos, dirigente do frigorífico e que dois anos depois seria o primeiro prefeito da área de segurança; 2º vice, Oswaldo da Costa Moraes, promotor da Justiça Militar; 3º vice, Germano von Walwitz, médico oculista; Secretários: Ruy Pereira Niederauer, advogado e Carlos Dini, comerciante, Tesoureiros: Victor Edgar Pitzer, gerente da agência do Banrisul e João Torrescasana, comerciante. Diretor social, Moyses Chaplin da Silva, comerciante. Diretor animador, Francisco Beltrand Filho, comerciante. Vogais: Carlos Rodolfo Thompson Flores, advogado; Sady Torres de Lima, comerciante; Galeno Pons de Macedo, fazendeiro. José Genovese, arquiteto. Manuel Piragibe Teixeira, advogado; Mário Aguiar Moura, advogado. As "domadoras" tinham, como presidente de honra Ieda Salles, presidente Natália Macedo; Vice, Loiraci Mata; Secretárias Déa Dini e Ivone Moraes; tesoureiras Eunice Conceição e Gabriela Torrescasana; diretora social Iracema Caggiano.
Entre os interessantes artigos e notícias do jornal de seis páginas estava o regozijo pela Prefeitura ter acolhido a sugestão de atribuir "mão única" nas ruas "Sete de Setembro e Barão do Amazonas, deste a Praça da Catedral até a Necrópole Municipal", o que vinha ao encontro dos anseios dos moradores daquelas duas ruas "estreitas, em virtude de ter sido ali, justamente, o surgimento da cidade". O Lions possuía uma "Comissão de Prevenção de Acidentes" constituída por Manoel Piragibe Teixeira, Carlos Rodolfo Thompson Flores e Francisco Beltrand Filho, que preocupada "com o maior progresso da cidade" e "os maiores embaraços do trânsito" buscavam um "trânsito organizado, cujas e leis e regulamentos" fossem observados.

5. Personalidades do Milênio.
Em fins de dezembro de 1999, vésperas de findar o Milênio, o prefeito Carlos Sá Azambuja designou uma comissão para escolher 100 personalidades, que foram homenageadas em solenidade aberta na Praça Carlos Telles, e que teriam os nomes "gravados em chapa de aço inox, desenhada em placa de basalto natural, perpetuando-os como exemplos a serem seguidos pelas novas gerações".
Segundo o Correio do Sul, edição de 16 de dezembro de 1999, os nomes seriam os seguintes, por ordem alfabética: Adolfo Luiz Dupont, Alcebíades Gontan, Alceu de Deus Colares, Altair Job de Borba, Ângelo Antonio Monotto, Antenor Gonçalves Pereira, Antônio Cândido da Silveira Pires, Antônio Guedes, Antônio Magalhães Rossel, Antônio Ribeiro Magalhães (visconde), Aracely dos Santos Menezes, Artur Silva Lopes, Áttila Sá Siqueira, Áttila Taborda; Bento Villamil Gonçalves; Camilo Gomes, Camilo Moreira, Cândido Gaffrée, Cândido Norberto dos Santos, Carlos Garrastazu, Carlos Kluwe, Carlos Mangabeira, Carlos Rodolfo Moglia Thompson Flores, Carlos Sá Azambuja, Cláudio Ibraim Vaz Leal (Branco), Costábile Hipólito (monsenhor); Danúbio Gonçalves, Darcy Barcellos, Domingos de Souza Nocchi, Durval Muraro (frei); Edi Viña Pereira, Eduardo Contreiras Rodrigues, Emílio Garrastazu Médici, Emílio Guilayn, Ernesto Calo Wayne, Estácio Azambuja, Estêfania Volkmer (Irma Estêfania), Eurico Salis; Félix Contreiras Rodrigues, Francisco de Paula Pereira, Frederico Petrucci; Gilca Nocchi Collares, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti; Heraldo Duarte, Alcina Gomes, Honorino João Muraro (padre); Iwar Beckmann; Jerônimo Mércio Silveira, João Alves Ribeiro; João Batista Fico, João Fanfa Ribas, João Hugo Kopp, João Inácio Bittencourt (cônego), João José Batista da Luz (marechal), João José de Oliveira, Jônio Ferreira Salles, Jorge Reis, Jorge Suñe Grillo, José Antônio Netto(Zeca Netto), JCTG, José Carrion Moglia, José Ganzo Fernadez, José Gomes Filho, José Ghisolphi, José Octávio Gonçalves, José Wilson Barcellos, Justino Costa Quintana, Juvenil Bispo; Lybio Vinhas, Luciana Lealdina Araújo (Mãe Luciana), Luiz Mércio Teixeira, Luis Coronel; Manoel Rodrigues de Athayde, Maria Mércio Carneiro; Mário Araujo, Mário Nogueira Lopes, Mário Segredo (frei), Martim Magalhães Rossel, Martim Mércio Silveira, Mélanie Granier, Morvan Meireles Ferrugem; Ney Ferreira Paiva, Ney Ramos de Azambuja; Osmar Mendes Paixão Côrtes; Paulo Brossard de Souza Pinto, Pedro Osório, Pery Coronel; Rafael Danton Garrastazu Teixeira, Rita Jobim de Vasconcellos; Roberto Germano (padre), Rodolfo Moglia; Salim Kalil, Sílvio da Silva Tavares; Tarcísio Antônio da Costa Taborda, Túlio Lopes, Tupy Silveira; Vasco da Gama e Silva, Vicente Gallo Sobrinho; e Waldemar Amoretty Machado.
Como natural, e esperado, restrições aconteceram pela ausência de grandes cidadãs e cidadãos; também pela inclusão de outros.
Na Praça da Matriz, por um tempo, constou a chapa de aço com os nomes acima referidos. Que desapareceu. Ação de vândalos, dizem.

 

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