ANO: 26 | Nº: 6590

Padre Jair da Silva

pejairs@yahoo.com.br
Pároco da Catedral
01/08/2020 Padre Jair da Silva (Opinião)

O verdadeiro encanto

Em Mateus 13, 44-52 Jesus nos apresenta dois homens como símbolos de pessoas que se encantaram por Deus, que se encantaram pelo próprio Evangelho, que é o projeto de vida proposto por Ele. Um homem encontra um tesouro escondido no campo "cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo" (Mt 13,44). Um outro homem, que procurava pérolas preciosas, encontra uma de grande valor. Certamente ele também ficou muito feliz ao encontrar essa pérola. E então, cheio de alegria, "ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola" (Mt 13,46).
Ao descrever esses dois homens como pessoas cujo coração se encheu de alegria ao encontrar um bem precioso, Jesus nos faz alguns questionamentos: quando foi ou quando é que o nosso coração se encheu ou se enche de alegria? O que fez ou faz nos sentir tão felizes a ponto de ter a coragem de largar tudo ou vender tudo? Em que ou em quem nós depositamos a nossa confiança, as nossas forças? Em prol de que ou de quem estamos gastando a nossa vida? Quais são as coisas mais importantes ou mais valiosas da nossa vida?
Talvez as respostas mais comuns sejam: a saúde, os filhos, a esposa, o marido, a família, o trabalho, a fé, Deus. Mas, o problema que tudo pode ser apenas respostas teóricas, ditas "da boca para fora", sendo que, no coração, o mais valioso pode ser o dinheiro, a beleza, a satisfação sexual, o carro, a projeção na sociedade, etc.
Para tirar a prova dos noves, ou seja, para realmente saber quais são os valores mais importantes da nossa vida, a pergunta é: O que realmente nos enche de alegria? A alegria indica onde está o nosso coração, o quê ou quem é o nosso tesouro, a nossa pérola preciosa. Jesus disse que o homem que encontrou o tesouro escondido no campo o manteve escondido e, "cheio de alegria" ele foi, vendeu todos os seus bens para comprar aquele campo.
As parábolas do tesouro escondido e da pérola preciosa nos falam do valor do reino de Deus. Mas como pensar em reino de Deus numa sociedade materialista como a nossa, onde o que vale é o momento presente, o que vale é "comer e beber, já que amanhã vamos morrer"? Nós acreditamos na existência do reino de Deus? Essa expressão diz alguma coisa para nós? Nas duas parábolas, os dois homens venderam todos os seus bens para adquirir aquilo que era um bem maior. Nós somos capazes de abrir mão de alguma coisa para estar com o nosso coração mais perto do reino de Deus? Se nós não temos consciência de que o reino de Deus significa a nossa salvação, não seremos capazes de abrir mão de coisa alguma, muito menos de tudo, para entrar nele.
Jesus nos lembra, portanto, que ninguém se sacrifica por algo que não vale à pena. Ninguém renuncia a coisa alguma, se o seu coração não estiver voltado para algo que para ele é precioso, algo que lhe dá sentido e alegria, algo que o faz sentir-se verdadeiramente vivo. Eis a regra de ouro.
Esses dois homens, mencionados na parábola por Jesus, são pessoas que se encantaram por Deus e pela Sua causa. O problema é que para uma grande parte da humanidade, Deus deixou de ser um tesouro e não passa de uma simples bijuteria. Mas, o mais importante não é como os outros veem a Deus, e sim como nós O vemos. Nós temos consciência de que Deus é um tesouro? Nós somos capazes de dar prioridade às coisas de Deus na nossa vida?

Pe. Jair da Silva
pejairs@yahoo.com.br
(55) 997051832

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