ANO: 26 | Nº: 6572
04/08/2020 100 Anos Jalde-Negro

Os Imortais de 1925: o título gaúcho

Foto: Reprodução JM

Campeões de 1925 venceram todas as partidas da temporada
Campeões de 1925 venceram todas as partidas da temporada

O maior feito do Bagé é o título gaúcho, conquistado em 1925. A supremacia foi tanta que os jogadores que honraram aquela camisa ficaram eternamente conhecidos como os “Imortais de 1925”.
No formato das primeiras décadas, participavam do Gauchão apenas os campeões regionais, cujas equipes eram originadas dos campeonatos municipais. A primeira vez que o Bagé superou o Guarany foi em 1922, quando ficou em quarto no Gauchão. A nova oportunidade de pintar o Rio Grande do Sul de amarelo e preto veio em 1925. E, dessa vez, correspondeu em campo.
Após vencer com supremacia o Citadino Municipal, o Bagé avançou para a disputa regional. E, novamente, mostrou sua força, com uma goleada por 3 a 0 sobre o XV de Novembro, de Dom Pedrito. O terceiro desafio foi enfrentar o Pelotas, pela etapa zonal. E com uma vitória, por 1 a 0, o Bagé obteve as credenciais para disputar a fase final do Gauchão, realizada no mês de novembro, em Porto Alegre.
Depois de dois dias de viagem de trem, o Abelhão entrou direto na semifinal, contra o tradicional Grêmio Santanense, de Santana do Livramento. Mas o adversário não foi empecilho para o Bagé, que aplicou um tranquilo 3 a 1. Para a final, encararia seu maior desafio: o Grêmio Porto-Alegrense, que tinha despachado o Guarany de Cruz Alta, na outra semifinal.
No dia 22 de novembro, no Estádio da Baixada, bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Grêmio e Bagé se encontraram. Oliveira abriu o placar para o Bagé e Feio igualou para o Grêmio. Quando parecia que a partida se encaminharia para o empate, Oliveira apareceu mais uma vez e marcou o gol do título mais importante da história jalde-negra: 2 a 1 e a taça de campeão gaúcho. Além disso, foi o 100º gol da história do jalde-negro. Na volta, os jogadores foram recebidos com grande festa na Estação Rodoviária.
A expressão popular “Imortais de 1925” se deve pelo fato do Bagé ter vencido, naquele ano, todos os seus adversários, um por um, nas fases municipal, regional, zonal e estadual. Outra curiosidade que chama a atenção é a identidade fronteiriça. Entre os campeões, tinham dois uruguaios: o meia Catulino Moreira e o atacante Pascoalito.
Oliveira marcou o gol do título. Pascoalito era considerado o grande nome do time. Mas também chama a atenção outro fato. Conforme o livro “100 anos de Gauchão”, de Cleber Grabauska e Gustavo Manhago, o Grêmio, dos lendários Lara e Luiz Carvalho, tinha cumprido 23 partidas naquele ano, e tinha conhecido apenas uma derrota: 1 a 0, justamente num amistoso contra o mesmo Grêmio Esportivo Bagé. E a segunda derrota do ano ocorreu novamente pelos pés dos jalde-negros, que massacraram seus adversários.
Outro tema daquela conquista que também é motivo para discussão é a taça oferecida pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje, CBF. O troféu passou a ser entregue naquele ano para os campeões estaduais, e, por isso, o Bagé foi o primeiro clube a ter seu nome escrito na Taça de Prata, como ficou conhecida.
Segundo o livro 100 anos de Gauchão, o regulamento dizia que quem vencesse cinco vezes o Gauchão ficaria com o prêmio em definitivo. No meio do caminho, houve uma redução para três títulos. Por isso, o Grêmio ficou com o troféu após conquistar os estaduais de 1926, 1931 e 1932. “Estava muito complicado um mesmo time vencer cinco vezes o Gauchão. De 1925 (ano do Bagé) até 1930, foram seis campeões diferentes: Bagé, Grêmio, Internacional, Americano, Cruzeiro e Pelotas”, narra o livro.

FICHA TÉCNICA
Campeonato Gaúcho – Final
Grêmio 1x2 Bagé
22 de novembro de 1925
Estádio da Baixada – Porto Alegre

GRÊMIO – Lara, Sardinha e Neco; Macarrão, Feio e Zeca; Coró, Cói, Olvério, Luiz Carvalho e Meneghini
BAGÉ – Júlio Amaral, Fortunato e Antônio; Misael Romero, Catulino Moreira e Candiota; Leonardo, Pascoalito, Oliveira, Argeu e João Amaral
GOLS – Oliveira (duas vezes) - Bagé; e Feio - Grêmio

Os vices

O Bagé ainda foi vice-campeão estadual mais cinco vezes em sua história: 1927, 1928, 1940, 1944 e 1957. A estatística faz com que o clube seja um dos clubes do interior com mais participações em finais. O líder é o Juventude, com sete. Na sequência, com seis, aparecem Novo Hamburgo, Bagé, Pelotas e Brasil (todos com um título e cinco vices).

1927

Especificando as demais ocasiões, depois do grande de título de 1925, o Bagé já retornou a final do estadual em 1927. Mas dessa vez, tinha um faminto Inter, que ainda não tinha conseguido chegar a uma final. E enquanto isso, já tinha visto o seu maior rival, o Grêmio, acumular três títulos e três vices, num total de seis Gauchões disputados.
Na final, disputada no dia 7 de setembro, no Estádio da Baixada, em Porto Alegre, o Inter abriu o placar com o capitão Barros, aos 39 minutos. No início da etapa complementar, o Bagé empatou, de pênalti, com Pasqualito, um dos Imortais de 1925. Entretanto, minutos depois, Nenê colocou o colorado na frente, e Barros confirmou a vitória por 3 a 1 e o primeiro título gaúcho do Sport Club Internacional.
Um detalhe exposto no livro 100 Vezes Gauchão: “Mesmo não marcando gol, o jogador mais destacado na primeira conquista colorada foi Abílio Melo, o Lampinha. Um center-half experiente, de muita disposição e de marcação forte e que, por coincidência, havia nascido em Bagé”.

1928

Tamanha era a força do Bagé que, em oito edições, chegou na final em três delas. Em 1928, repetiu a dose e pegou o extinto Sport Club Americano, de Porto Alegre, que fez história ao vencer o citadino, diante de clubes como Grêmio, Inter, Cruzeiro e São José. No dia 24 de outubro, numa quarta-feira, Americano e Bagé. E com três gols do atacante Joãozinho, os porto-alegrenses alcançaram seu único título estadual com uma vitória por 3 a 0 sobre o jalde-negro.

1940

O Bagé também protagonizou dois embates contra o famoso Rolo Compressor, uma das maiores equipes da história do Inter. O primeiro deles aconteceu em 1940, numa série de dois jogos. O primeiro, no dia 17 de novembro, vitória por 4 a 1 do Inter, com três gols de Marques e um de Russinho. E o segundo, sete dias depois, o colorado confirmou o título com uma vitória por 2 a 1: gols de Ruy e Russinho (para o Inter) e Tupan (para o Bagé) – pai do famoso meia-esquerda Tupãzinho, que jogou na Academia do Palmeiras, entre 1963 e 1968.

1944

Nesta edição, o estadual passou a adotar uma fórmula diferente. O vencedor era decidido numa disputa entre o campeão do interior contra o campeão da capital. Até fechar a finalíssima, o Bagé despachou Floriano, Pelotas e Cachoeira. Na decisão, no dia 15 de outubro, no estádio Pedra Moura, o Abelhão saiu na frente, com um sólido 3 a 1. No entanto, na volta, no dia 22, na Timbaúva, o Inter goleou por 6 a 0, com gols de Xinxim (três vezes), Adãozinho (duas) e Volpi. Como na época não havia diferença de saldo, a decisão foi para a prorrogação, mais três gols do Inter (Adãozinho, Volpi e Tesourinha).

1957

E a sexta e última vez que o Bagé chegou a decisão estadual foi em 1957, numa série de três jogos contra o Grêmio de Foguinho. O primeiro, no Estádio Olímpico, dia 19 de janeiro de 1958, o Grêmio aplicou 7 a 0 sobre o jalde-negro, com gols de Delém (dois), Juarez (dois), Kuelle (dois) e Hercílio. O segundo, com um caldeirão formado no Estádio Pedra Moura, dia 26 de janeiro, o Bagé deu o troco e venceu por 3 a 1, com gols de Cabral (dois) e Davi, para o Bagé, e Toquinho (para o Grêmio). Mas, no terceiro e decisivo duelo, novamente no Pedra, em 29 de janeiro, o Grêmio conquistou o título com uma vitória por 2 a 0, com gols de Hercílio e Toquinho.

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