ANO: 26 | Nº: 6573

João L. Roschildt

joaoroschildt.jornalminuano@outlook.com
Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
06/08/2020 João L. Roschildt (Opinião)

Contradição genética

Conheci uma jovem lacradora. Só o fato de ser jovem já é um problema. Depois da última edição da revista IstoÉ, que colocou Greta Thunberg, Emma González, Tábata Amaral e Felipe Neto como exemplos de uma “geração transformadora”, afirmando que “a esperança emana dos jovens” e que “são eles que podem nos salvar do abismo”, fiquei ainda mais contente por julgar-me um dinossauro obscurantista. E descobri que não faz muito tempo que abandonei a juventude, afinal, o mais novo comentarista político e especialista em fake news incensado pela grande mídia, Felipe Neto, com 32 anos, ainda é classificado como jovem. Como para o progressismo tudo é construção social, estou ansioso para que a calvície sofra os efeitos dessa espécie de “novilíngua” orwelliana...

Mas a moça que conheci é daquelas que gosta de “causar” com ativismo digital. Em razão da pandemia, durante algumas investigações digitais, descobri esta jovem em um comentário em que ela tecia uma crítica feroz a uma postagem de um amigo meu. Como sua “opinião” continha muita estupidez por caracteres quadrados, acessei o seu perfil para ver até que ponto iria sua idiotice. Ela era daquelas que reproduz chavões progressistas, frases de impacto em defesa de grupos sociais e que acha absolutamente normal Thammy Gretchen ser eleito o pai do ano pela Natura só para “sambar” na cara da sociedade patriarcal. Não havia nada de original. Suas ideias eram imitações grosseiras que não seriam vendidas nem mesmo no Paraguai.

O brilho da sua juventude era apagado pela palidez de seu intelecto. O zelo estético com filtros em fotos, caras com biquinhos e poses sensuais, funcionavam como rebocos que escondiam uma parede de péssima qualidade. Em suma, era uma genocida intelectual. Cheguei ao ponto de imaginar que ela não saberia fritar um ovo. “How dare you?” (“Como você ousa?”), diria Greta, de sua confortável Suécia, para mim.

No comentário que me “apresentou” àquela jovem virtual, ela criticava as pessoas que se aglomeravam para ver o presidente “genocida” (olha a lacração!) Bolsonaro, ao passo que via como absolutamente legítima toda e qualquer manifestação-aglomeração “antifa” e pró-Black Lives Matter porque a justificativa da causa era o que importava. Para ela, provavelmente o coronavírus seja seletivo e tenha causas específicas para aderir. Claro que em seu perfil tinha uma foto com #fiqueemcasa para impactar. Na lógica dos abastados justiceiros sociais, o apoio à causas coletivistas não passa de uma tentativa de redenção aos supostos privilégios econômicos e sociais que possuem como se fosse uma expiação de pecados originários. Carentes de atenção, são medonhos em chamar atenção.

Este modelo de rebeldia cosmética que pretende purificar o mundo não é nem um pouco jovem e já foi experimentado em diversas partes do mundo com resultados catastróficos proporcionais ao grau de fantasia utópica projetada. Sempre com uma boa causa, com uma boa justificativa e com uma boa intenção, estes jovens travestem velhas ideologias com roupas adquiridas em um brechó ideológico de quinta categoria.

Mas a jovem não sabe de minha existência. Graças a Deus. Seria alvo de sua sede por um mundo melhor. Che Guevara disse que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Ainda tenho esperança nas construções sociais...

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