ANO: 26 | Nº: 6572

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
06/08/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Visita de presidentes


No atual século, apenas dois presidentes visitaram Bagé: Lula e, agora, Bolsonaro. Ambos vieram anunciar obras e visitar projetos de seu governo. Isso, evidentemente, é bom para a cidade, que aparece no rol de cidades às quais o maior mandatário do país dá atenção. Politicamente, portanto, é um ganho em qualquer caso. Isso é um fato indiscutível.
Mas vejam, sugiro um exercício para avaliarmos com mais atenção cada uma dessas visitas. Se as compararmos, poderemos entender o conteúdo político, ético e programático de cada um desses líderes. Lula e Bolsonaro são antagônicos políticos e ideológicos. Isso é fato. Lula é de esquerda e humanista. Bolsonaro é de direita e anti-humanista. Mas esqueçamos por um momento essas características que podem formar uma opinião antecipada de uma e outra visita e comparemos como elas se deram, o que fizeram e o que anunciaram cada um deles. Aí, poderemos entender as diferenças entre um e outro.
Lula veio a Bagé, como presidente, em 2005, em meio a maior mobilização que a cidade e a região já conheceram em torno de uma luta comum: a criação de uma Universidade Pública. Subiu em um palanque com centenas de líderes políticos e sociais de várias orientações e falou para mais de 40 mil pessoas em uma praça pública. Foi saudado como líder democrático e realizador.
Bolsonaro visitou a cidade em meio a maior tragédia sanitária do país, quando a Covid-19 e as mortes cresciam na cidade. Em um momento que todas as recomendações são para que se fique em casa, não se gere aglomerações, não se ajude o vírus circular, ele cometeu todas as infrações possíveis em relação às recomendações de autoridades sanitárias. Na visita, falou apenas com seus apoiadores, mas foi amplamente criticado por sua irresponsabilidade.
Lula veio anunciar a Unipampa. Uma universidade que nasceu da luta de toda a comunidade da região, que tinha o sonho comum de contar com uma instituição pública de ensino superior de qualidade e gratuita para formar seus filhos e dinamizar a economia. Um projeto que nasceu, cresceu e se realizou em seu governo, com minha participação ativa, o apoio do deputado Pimenta, o ex-reitor da Urcamp, Arno Cunha e de toda a comunidade, além da qualificada engenharia técnica e política desenvolvida por seus ministros da educação, notadamente Tarso Genro e Fernando Haddad.
Bolsonaro veio participar da entrega de uma obra que sequer é do seu governo. Os núcleos habitacionais que Bolsonaro entregou são parte de um programa chamado Minha Casa Minha Vida, do governo da presidenta Dilma Rousseff, e que teve continuidade e aporte de financiamento no governo Michel Temer. O residencial, uma conquista realmente importante da comunidade carente de habitação, não foi nem formulado nem executado pelo seu governo. Veio inaugurar uma obra que não é sua, cumprimentar com o chapéu alheio.
Após o anúncio da Unipampa, Lula foi inaugurar um dos restaurantes que bancou nas escolas do município para que se qualificasse as merendas e se garantisse alimentação para os filhos das famílias mais carentes, através do programa Fome Zero na Educação. Virou icônica a foto que tirou na época, lanchando acompanhado por crianças de nossas escolas que, certamente, guardaram para sempre na lembrança aquele momento. Aqueles refeitórios, no total de 38, foram uma marca fundamental de quem une a preocupação com educação e combate à fome, marcas incontestáveis dos governos de Lula.
Já Bolsonaro, visitou a escola São Pedro, que foi incluída no programa das escolas cívico-militares, embora ninguém saiba bem o que significa isso até agora. Não sei exatamente o que fez ali, mas provavelmente tenha participado da inauguração de uma pintura nova, já que tudo o que funciona naquela escola é resultado da aquisição que fizemos em minha segunda gestão, quando a prefeitura municipalizou o São Pedro e o agregou aos equipamentos da estrutura pública de ensino.
Da visita de Bolsonaro não se pode falar de mais nada. De Lula, podemos falar das dezenas de conquistas que ele ajudou a realizarmos em Bagé. Tu certamente já ouviste falar no SAMU, no Centro do Idoso, no IFSUL, no Bolsa Família, na restauração dos prédios históricos. Em tudo isso existe a marca do ex-presidente, que sempre olhou para Bagé com carinho, admiração e vontade de ajudar.
Então, é sempre bom comparar para entender. A vinda de Bolsonaro nos deu essa oportunidade. Sua visita a Bagé, contestada por todas as autoridades sanitárias sérias do país, não passou de uma farsa. Entregou obra que não é sua e inaugurou algo que ninguém sabe como funcionará. Passou o dia cercado apenas por seus correligionários, muitos dos quais envolvidos em denúncias de corrupção.
Já a visita do Lula nos deixou um legado que há 12 anos faz a cidade e a região crescer e nos colocou no mapa mundial das cidades que contam com uma Universidade Pública. Analise com algum distanciamento. Se tu comparar e pensar bem verá que são, na verdade, duas visitas incomparáveis.

 

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