ANO: 26 | Nº: 6590
24/10/2020 Opinião

Que valor você dá a sua memória?

Foto: Antônio Rocha


A Fundação Attila Taborda, cumprindo seu princípio de transparência, vem informar que um de seus serviços sociais e culturais mais importantes passa pelo risco de não se manter. O prédio que abriga o Museu Dom Diogo de Souza desde o ano de 1975, protegido pela estrutura da FAT e pelo trabalho da Urcamp, é alvo de uma ação de despejo em função de valores devidos a título de aluguel. Infelizmente, as iniciativas de negociação com a proprietária do prédio foram infrutíferas. Então, buscar o contato e o apoio da comunidade tem, para a FAT, o objetivo de esclarecer tanto o trabalho insubstituível já realizado pelo Museu até aqui quanto o valor que sua preservação representa para toda a sociedade regional.
A opção de esclarecer publicamente a questão cumpre o mesmo objetivo assumido na ocasião em que, também, o Hospital Universitário mantido pela FAT/Urcamp teve seus serviços suspensos. Naquela oportunidade, as atividades foram retomadas sob apoio de diversas instituições e organizações sociais. Destaca-se que a Fundação Attila Taborda, mantenedora do Centro Universitário Urcamp, da Casa da Menina, tem intensa relação com a comunidade regional e ativa presença na sociedade, promovendo conhecimento e inovação, acesso ao ensino superior, serviços de saúde, bem-estar e garantindo a identidade e memória através de dois museus e de outros três acervos históricos e artísticos de Bagé. Para se ter uma ideia somente da atuação do Museu nesse universo de interação, o ano de 2019 registrou 12 mil visitantes às salas e mostras programadas.
Funcionando como entidade sem fins lucrativos, o Museu Dom Diogo tem seus custos cobertos pela FAT/Urcamp e por fundações e associações culturais parceiras baseadas em voluntariado. É preciso registrar que as péssimas condições de preservação do prédio que, em 2003, sofria a grave ação do tempo e do clima impôs à Urcamp liderar uma campanha comunitária pela sua restauração, para a qual foi alcançado o patrocínio de um projeto ligado à Lei Rouanet. Com a restauração do prédio histórico, a área ainda recebeu a inclusão de um anexo, hoje popularizado como Centro Cultural Dom Diogo de Souza, com auditório e infraestrutura para mostras, formaturas, eventos e espetáculos. Tal ação resultante do empenho de lideranças da FAT/Urcamp com apoio da comunidade regional compreendiam um novo termo de conduta que destina aquela estrutura exclusivamente à atividade museológica.
De sua parte, a FAT/Urcamp reconhece a dificuldade em quitar valores devidos do prédio histórico, mas acredita que essa situação é extremada e impõe uma derrota não à Urcamp, mas a toda a comunidade de Bagé que viu sua memória ter uma casa, que percebe o Museu Dom Diogo como o espaço ideal para preservar seus costumes, artes e memória. Assim, a manterem-se as exigências e valores estabelecidos para a sua manutenção, invocamos novamente os brios de nossa sociedade que sempre deu respostas aos momentos de dificuldade. Então, como aconteceu com o Hospital Universitário, hoje funcionando a pleno e dando respostas importantes no combate à pandemia do Novo Coronavírus, queremos continuar vendo o Museu Dom Diogo de Souza no prédio onde está há 45 anos operando para fazer Bagé não cair no esquecimento.

FAT/URCAMP

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