ANO: 23 | Nº: 5623

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
21/04/2017 Airton Gusmão (Opinião)

A alegria cristã

Na alegria deste Tempo Pascal, acolhemos neste domingo, também conhecido como o domingo da misericórdia (Jo 20,19-31), a manifestação do Ressuscitado aos discípulos que se encontravam em um clima de medo e isolamento. O Ressuscitado oferece a paz e a confiança: “A paz esteja convosco”. O evangelho em seguida, como reação dos discípulos diante do Ressuscitado, afirma que: “Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor”, e agora, renovados e investidos pelo Espírito Santo, eles são enviados para anunciar a alegria e a paz, dons do Ressuscitado.

É importante lembrar para nós cristãos que o estilo alegre de vida no seguimento a Jesus e no serviço ao Reino, interpela todo o povo e assegura o crescimento contínuo da comunidade, quando diz: “E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas (At 2,47), que aderiam à sua proposta salvífica.

A alegria, como um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5,22-23), é a satisfação de saber-se amado incondicionalmente pelo Pai, de ser membro da família de Jesus, a Igreja, de ter a assistência permanente do Espírito Santo. Essa alegria não é aquela momentânea, fugaz, que se perde diante de qualquer contrariedade. Ela consiste num júbilo interior e espiritual, que resiste a dificuldades e sofrimentos. Manifesta-se em todo o ser, e não apenas no rosto. Não há nada de forçado nessa alegria; ela é autêntica porque tem como fonte o Ressuscitado.

O Papa Francisco fala desta alegria para todos nós: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontraram com Jesus. Da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído. Todos os cristãos, em qualquer lugar e situação que se encontrem, estão convidados a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele. O Evangelho, em que resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. A mensagem de Jesus é fonte de alegria: ‘Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa’(Jo 15,11). Ele promete aos seus discípulos: ’Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria’(Jo 16,20)” (Evangelho da Alegria, 1-8).

Lembramos com muita gratidão a homilia do Papa Francisco na Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no dia 24 de julho de 2013, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, quando falava de três simples posturas que nós devemos experimentar e testemunhar: conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria. Sobre a postura da alegria ele dizia o seguinte: “Queridos irmãos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. O cristão não pode ser pessimista. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos quanto Ele nos ama, o nosso coração se ‘incendiará’ de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado”.

A alegria constante, que esperamos encontrar no céu, já deve existir em nós agora. O Espírito Santo é a alegria de Deus, que já nos invade aqui. E dessa forma, não pedimos apenas pela alegria na grandeza eterna, mas também que a alegria divina já seja constante aqui nessa vida, que permaneça em nós e que não seja ofuscada pelas situações de sofrimentos e provações.

Peçamos sempre ao Ressuscitado os dons da paz e da alegria para que os anunciemos e testemunhemos no nosso cotidiano, na família, na sociedade e na comunidade eclesial. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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