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Opinião

Sobre um polo carboquímico no RS

Publicada em 02/08/2019

*Por Léo Ustárroz

Durante a recente reunião da cúpula do G20, no Japão, tivemos ampla informação sobre o Acordo de Paris e a definitiva adesão do Brasil. Também temos lido sobre a onda de calor que atinge a Europa, matando pessoas, provocando incêndios, alterando e restringindo a vida normal das pessoas. Sabemos também sobre o aquecimento do solo, dos mares, catástrofes naturais, alterações de clima etc.
Pois o Planeta está com febre de quase dois graus. Sua temperatura média subiu de 13,5º C para 15,0º C desde a revolução industrial. Podemos ter uma ideia do “desconforto da Terra” com a febre por experiência própria. Como nos sentimos com uma febre de dois graus? Assim como nós, a Terra é um sistema vivo. Muito mais vivo e muito mais sistema do que nosso vão conhecimento percebe. Sabe-se por ex. que “uma colher de chá de terra de pastagem chega a conter cinco bilhões de bactérias, 20 milhões de fungos e um milhão de algas e protozoários” (Capitalismo Natural, Fritjof Kapra). Dá para imaginar o conteúdo vivo em cada metro cúbico de terra de pastagem ou floresta. É esse ecossistema complexo que mantém a fertilidade do solo e viabiliza a vida humana.
A principal causa da febre da Terra é a queima anual de 5-10 bilhões de toneladas de carbono que a milhões de anos foi fixado pela fotossíntese, na forma de carvão, petróleo e gás natural, os combustíveis fósseis. Como se não bastasse o calor gerado acima da capacidade de absorção pelos ecossistemas atuais, essa queima e outras atividades humanas aumentaram em 50% a presença de CO2 na atmosfera desde a Revolução Industrial.
O Acordo de Paris objetiva baixar a febre da Terra e garantir um desenvolvimento sustentável. Através de um programa consistente de redução da emissão de gases estufa a partir de 2020 pretende-se, inicialmente, conter o aquecimento global e numa segunda etapa fazer sua temperatura voltar ao que era antes da revolução industrial.
Pois em paralelo a essa situação, como se nada disso estivesse acontecendo no mundo e no Planeta, como se estivéssemos no auge da Era Industrial, aqui na “República Rio-Grandense” se estuda a implantação de um Polo Carboquímico, aproveitando nosso carvão, mais rico em cinzas do que em calorias. E as discussões seguem os critérios da decadente Era Industrial: estudos de viabilidade técnica e econômica, geração de empregos, impactos ambientais, e por aí afora. Mudou o paradigma e não nos avisaram.
Como diria aquele personagem dos anos 80: “Chose de loque!”

*Empresário, formado em Engenharia Química e Direito

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