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Atendimentos mensais reforçam papel dos Alcoólicos Anônimos em Bagé
por Jaqueline Muza
Presente em Bagé desde 6 de março de 1977, o Grupo Bagé de Alcoólicos Anônimos (A.A.) segue desempenhando um papel fundamental no acolhimento de pessoas que enfrentam problemas com o álcool. Mais do que sua trajetória histórica, os números de atendimentos atuais evidenciam a relevância do serviço prestado no município.
De acordo com integrantes da irmandade, entre seis e oito pessoas procuram o grupo todos os meses em busca de ajuda para lidar com a dependência alcoólica. A procura varia: há quem participe de apenas uma ou duas reuniões, enquanto outros permanecem e passam a integrar efetivamente o programa de recuperação.
Atualmente, o grupo conta com cerca de 35 a 40 participantes frequentes, que se reúnem semanalmente para compartilhar experiências e fortalecer o processo de sobriedade. As reuniões presenciais ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras, das 19h30 às 21h30, na Avenida Marechal Floriano, junto à Igreja Matriz do Crucificado. Além disso, encontros online são realizados às terças e quintas-feiras, das 20h às 22h, ampliando o acesso para quem busca apoio.
O funcionamento do A.A. é baseado na troca de experiências entre os membros e na aplicação de princípios conhecidos como os 12 passos, 12 tradições e 12 conceitos. O programa não possui caráter religioso nem está vinculado a instituições, sendo estruturado como uma irmandade de ajuda mútua.
Um dos diferenciais apontados pelos participantes é o anonimato, considerado essencial para que mais pessoas se sintam seguras em buscar auxílio. “Muitas vezes, a pessoa ainda não reconhece ou não aceita que tem um problema. O anonimato ajuda a dar esse primeiro passo sem medo de exposição”, relatam.
O grupo também destaca que não realiza diagnósticos nem impõe permanência. A decisão de continuar frequentando as reuniões parte exclusivamente de cada indivíduo. Ainda assim, o impacto positivo é percebido tanto na vida dos participantes quanto de seus familiares, que também são afetados pela dependência.
Com uma média constante de novos atendimentos mensais, o Grupo Bagé de Alcoólicos Anônimos segue sendo uma alternativa importante para quem busca mudar de vida, reforçando a importância do acolhimento, da escuta e do apoio coletivo no enfrentamento do alcoolismo.
Origem e expansão da irmandade
Fundada em 10 de junho de 1935, na cidade de Akron, no estado de Ohio (EUA), a irmandade de Alcoólicos Anônimos surgiu a partir da experiência de dois homens que enfrentavam problemas com o álcool: o corretor da Bolsa de Valores Bill Wilson e o médico Dr. Bob. A partir do compartilhamento de suas vivências, nasceu um programa baseado na ajuda mútua, que hoje está presente em cerca de 180 países, com aproximadamente 130 mil grupos ao redor do mundo.
No Brasil, o A.A. chegou em 1947, no Rio de Janeiro, com a criação dos grupos Rio de Janeiro e Condor, a partir da iniciativa de um publicitário americano. Atualmente, o país conta com cerca de 4,3 mil grupos distribuídos em diferentes regiões. Já no Rio Grande do Sul, o primeiro grupo foi fundado em 18 de outubro de 1970, em Porto Alegre, conhecido como Grupo Sulino.
A vivência dentro do grupo busca promover mudanças profundas, que vão além da abstinência. “Não é só parar de beber. É uma reformulação de vida”, resume um dos integrantes, que está sóbrio há mais de quatro décadas. Segundo ele, o programa auxilia no enfrentamento de questões emocionais e no desenvolvimento de novos hábitos, fundamentais para manter a sobriedade.
A irmandade também reconhece o impacto do alcoolismo nas famílias, que muitas vezes sofrem junto com o dependente. Por isso, o trabalho desenvolvido pelo A.A. é visto como uma oportunidade não apenas de recuperação individual, mas também de reconstrução de vínculos.

