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Projeções indicam El Niño no segundo semestre, mas efeitos ainda são incertos
por Melissa Louçan
O possível retorno do El Niño ao longo do segundo semestre já entrou no radar dos meteorologistas e passou a gerar apreensão nas redes sociais, especialmente entre os gaúchos que ainda convivem com as marcas deixadas pelas enchentes de 2024. Apesar das especulações sobre um eventual “super El Niño”, especialistas pedem cautela e reforçam que ainda não há confirmação de um evento extremo dessa magnitude.
Segundo o meteorologista Flávio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro) do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Sistemas Integrados e Meteorologia Aplicada - CESIMET, localizado em Hulha Negra, os modelos climáticos já indicam a possibilidade de formação do fenômeno nos próximos meses, com tendência de intensidade forte. “Vai ter El Niño e há grande possibilidade de ele ser forte. Agora, falar se vai ser super, mega ou algo do tipo, ainda não dá para afirmar”, explicou.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação dos ventos e modifica o comportamento da atmosfera em várias partes do planeta. No Rio Grande do Sul, historicamente, os efeitos costumam incluir aumento da chuva e temperaturas mais elevadas, principalmente durante a primavera e o início do verão.
Ainda assim, os especialistas ressaltam que nenhum episódio é igual ao outro. A intensidade do aquecimento no Pacífico influencia o potencial dos impactos, mas não determina sozinho a ocorrência de desastres naturais. “O El Niño por si só não provoca nada demais. O que acontece é que ele pode potencializar tempestades e eventos severos que já estão associados a outras condições atmosféricas”, observou Varone.
Neste momente, o Rio Grande do Sul segue em uma condição considerada neutra, sem influência direta de El Niño ou La Niña. A expectativa é de que maio, junho e boa parte de julho transcorram dentro da normalidade. A mudança mais perceptível deve começar a aparecer a partir de agosto, com temperaturas mais elevadas e sinais mais claros da atuação do fenômeno no Estado, segundo Varone.
Outra questão destacada pelo meteorologista é que previsões climáticas de longo prazo apontam tendências, mas não conseguem antecipar com precisão eventos extremos específicos. A definição mais confiável sobre temporais, volumes de chuva e riscos severos costuma ocorrer apenas poucos dias antes dos fenômenos acontecerem. “Os impactos climáticos são difíceis de prever com grande antecedência. Hoje se trabalha com tendências. A previsão mais assertiva vem na combinação da previsão climática com a previsão do tempo para os próximos dias”, afirmou.
Em meio à circulação acelerada de informações nas redes sociais, os especialistas também alertam para o risco de alarmismo. A recomendação de Varone é acompanhar boletins de órgãos oficiais e evitar conclusões precipitadas diante de projeções ainda em desenvolvimento.

