ANO: 25 | Nº: 6385
07/08/2017 Cidade

Letícia Wierzchowski lança livro que encerra trilogia iniciada com A Casa das Sete Mulheres

Foto: Tiago Rolim de Moura

Autora ministrou curso de Romance Histórico e lançou a obra
Autora ministrou curso de Romance Histórico e lançou a obra "Travessia" na cidade
O livro que encerra a narrativa de batalhas e amores lendários, iniciada em 2002, com o lançamento da obra “A Casa das Sete Mulheres”, encerra com o livro “Travessia”. A dona da mente criadora destas histórias, Letícia Wierzchowski, esteve em Bagé, no final de semana, lançando a obra. Simpática e muito acessível, a autora ministrou um curso sobre a escrita de romance histórico, no Café & Prosa Livraria. Em seguida, aproveitou a passagem pela Rainha da Fronteira para lançar o terceiro livro da saga de revoluções.
Durante a oficina, a escritora contou um pouco sobre seu processo criativo e de pesquisa, já que os três livros da saga (iniciada há 15 anos com “A Casa das Sete Mulheres”, que teve continuação em 2004 com “Um Farol no Pampa”), narram aventuras vividas em períodos históricos, como a Revolução Farroupilha e a Guerra do Paraguai. “Eu tenho uma sistemática que funciona muito para pesquisar. Sou muito disciplinada. Então, quando escrevo, é sempre muito rápido. Para "Travessia", por exemplo, comecei a pesquisar em abril e o livro ficou pronto em dezembro”, contou.
Enquanto no primeiro livro o foco foi as sete mulheres da família de Bento Gonçalves e o romance de Manuela e o italiano Giuseppe Garibaldi, o último traz à tona a grande história de amor entre Garibaldi e Anita, a saída do casal do Brasil e a passagem dos dois pelo Uruguai e Itália, onde a catarinense faleceu, mas não sem antes deixar sua marca na história daquele país.
É justamente dessa personagem forte que Letícia gosta de falar. Ela conta que quando escreveu a primeira obra, em 2002, foi para dar o ponto de vista feminino de uma guerra. “Sempre que se fala em guerra, as histórias são contadas sobre as batalhas dos homens. É uma narrativa mais masculina. E eu pensei: por que não contar história através do olhar das mulheres que também viveram esse período? Contei a mesma história, mas entrei na narrativa pela porta dos fundos, onde outras histórias estavam esperando para serem contadas”, comenta.
Em "Travessia", ela dá voz e vez à Ana Maria de Jesus Ribeiro, ou como veio a ser conhecida pela História, Anita Garibaldi. Mesmo reforçando a força da mulher, Letícia não gosta de rotular a obra como uma leitura de empoderamento feminino. “Eu não gosto de utilizar essa palavra, porque parece que só agora a mulher está conhecendo seu poder, e não é assim. As mulheres sempre pensaram seu lugar na sociedade. A própria Anita, podemos apontar ela como uma precursora das feministas, porque ela era uma mulher muito à frente de seu tempo. Sabia o que queria, ia à luta e não aceitava que ninguém dissesse a ela o que fazer”, destaca.
Letícia já é uma velha conhecida da Rainha da Fronteira e da região do Pampa. Ela conta que esteve na cidade à época em que o seriado baseado em sua obra, dirigido por Jayme Monjardim, utilizou paisagens de Bagé como set de gravações. “Já naquela época fiquei encantada com essa terra maravilhosa”, diz.
A escritora ressalta que quando lembra de sua obra é sempre reportada a Bagé, que passou a fazer parte do imaginário que criou "A Casa", "Um Farol" e "Travessia". “Criei um vínculo com esta terra porque vejo ela como o espaço físico das minhas histórias, que antes estavam apenas no meu imaginário”, afirma. Com o encerramento da trilogia histórica, ela deve se dedicar à continuação de uma outra obra, o romance “Sal”, lançado por ela em 2013.

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