ANO: 25 | Nº: 6362
25/11/2017 Cidade

Emoção marca entrega do acervo do Lar Santo Estevão ao Arquivo Público

Foto: Jaqueline Muza/ Especial JM

Sala foi inaugurada com fita dourada
Sala foi inaugurada com fita dourada

O acervo do Lar da Criança Santo Estevão, que fechou as portas no dia 17, foi entregue, na sexta-feira, ao Arquivo Público Municipal Tarcísio Taborda. A solenidade contou com a presença de padrinhos, alunos, professores, colaboradores, autoridades políticas e religiosas.
A vereadora Sonia Leite, do PP, que comandava os trabalhos desde 1997, conteve as lágrimas durante as homenagens que recebeu. Ela agradeceu a cada colaborador, padrinhos, funcionários e clubes de serviço que auxiliaram o Lar. “Procurei fazer tudo da melhor forma possível”, disse.
A mantenedora prestou homenagens aos familiares de Pedro Coll Leite, que doou o terreno para a igreja Anglicana construir o espaço, e do jovem Escalone Borba Romano, que ajudava a instituição, semanalmente, com verduras e legumes. Após sua morte, há mais de 15 anos, o refeitório do Lar foi batizado com o nome dele.
O diretor do Arquivo Público, Cláudio Lemieszek, ressaltou que a filantropia, a benemerência e a solidariedade norteiam a população de Bagé desde o século 19. Ele citou histórias de mulheres que marcaram a história da cidade e disse que a vereadora teve uma missão abençoada, rodeada de carinho e amor pelas crianças. “Agradeço a confiança de guardar a memória do Lar”, enfatizou.
A reverenda Ana Maria Esvael, da Igreja Anglicana do Brasil, proprietária do prédio e antiga mantenedora da instituição, destacou a importância da instituição. A religiosa agradeceu os 20 anos de dedicação da vereadora, afirmando que se ela não tivesse assumido a casa já estaria fechada, como outras que a igreja não conseguiu manter por falta de apoio. “É com dor no coração que estamos fechando esse ciclo”, ressaltou.


Homenagens
A filha do benfeitor Pedro Coll Leite, Sueli Leite Cocchiararo, 89 anos, e o neto Rafael Mourão, 42 anos, participaram da solenidade de doação. Sueli, emocionada, conta que lembra do pai, já idoso, distribuiu balas para as crianças da então missão Santo Estevão. “A Sonia dedicou a vida dela para isso. É triste ver fechar”, desabafa. Sueli, que não mora em Bagé, conta que visitava o instituto com frequência.
O neto salientou que conhece a história do avô e sabe como auxiliava o município, realizando doações para as obras de caridade. “Tenho muito orgulho dessa história e procuro dar sequência a esse exemplo de vida”, enfatizou.
A mãe de Escalone Romano, Sonia, e as irmãs Caroline e Carine, eram as mais emocionadas da solenidade. Caroline contou que após a morte do irmão, a família seguiu doando os alimentos semanalmente. “Fizemos até o último dia, já que era a vontade dele”, disse.
Após o ato de doação do acervo, que inclui fotos, placas e documentos, a vereadora acompanhou os presentes até o local onde ficarão expostos os documentos e acervo do Lar. Para encerrar, o espaço, que será aberto para exposição, recebeu uma fita dourada, representando o final do ciclo.


Histórico

O Lar foi fundado em 1974, por Manoelinha Araújo e reverendo Antônio Guedes, através da Igreja Anglicana do Brasil, já tendo funcionado como internato. Após uma série de dificuldades econômicas, a entidade passou para nova direção, desta vez com Sonia Leite como mantenedora.
Localizado no bairro Santa Flora, na zona leste de Bagé, o Lar atendia, recentemente, cerca de 25 crianças, que permaneceram até o dia 17 de novembro. O prédio será devolvido à Igreja Anglicana, que está em negociação com a prefeitura para a utilização do espaço.
O anúncio do fechamento foi feito em setembro, quando a Vigilância Sanitária apontou algumas exigências, como a necessidade de adaptações, reformas na cozinha e instalação de telas, além de uma nutricionista em tempo integral.

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