ANO: 25 | Nº: 6259
30/12/2017 Cidade

Divaldo Lara avalia primeiro ano de gestão e projeta ações para 2018

Foto: Tiago Rolim de Moura

"Será um ano de seis meses, não de doze (referindo-se à 2018). Com a eleição, o que não foi empenhado e licitado com primeira medição até junho, não faz mais"

Para o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, do PTB, o ano de 2017 foi marcado pela “superação”. O chefe do Executivo, eleito em 2016, recebeu a reportagem do Jornal MINUANO, acompanhado do assessor especial, Gladimir Aguzzi, em sua casa, na avenida General Artigas, na manhã de quinta-feira. 
A equipe aguardou pelo petebista, que despachava documentação de seu escritório. Antes de iniciar a entrevista, ele explicou que um problema de saúde na família havia exigido sua presença durante a madrugada.
Divaldo falou sobre as ações do governo desde que assumiu a prefeitura, no primeiro dia de 2017, e projetou algumas ações para o ano de 2018, que para ele será de desafio, devido às restrições de tempo para captação de recursos e execuções de licitações impostas pela legislação eleitoral.


MINUANO – Como definiria o ano de 2017? Qual foi a marca do primeiro ano de gestão?
Divaldo - A marca do ano de 2017 foi superação. Governo e atores conseguiram superar suas metas, com trabalho e dedicação para finalizar projetos que há muito tempo estavam pendentes no município. Neste ano, conseguimos retomar programas e obras, recuperar recursos fundamentais para o município e ampliar serviços. Isso tudo dentro de uma gestão planejada, com acompanhamento semanal das metas. Foi um grande ano para Bagé e traduzo isso em números e fatos. Por exemplo, Bagé foi o município que mais captou emendas parlamentares individuais junto aos deputados, somando mais de R$ 12 milhões. Conquistou o maior programa habitacional do Rio Grande do Sul, com 1.164 moradias populares; aumentou o número de exames da rede pública de 60 para 97 mil exames, beneficiando diretamente mais de 18 mil pessoas. Adquirimos 13 veículos novos para a saúde.


MINUANO – A retomada da barragem da Arvorezinha, aguardada há três anos, foi iniciada neste ano. O governo caracteriza essa obra como uma das mais importantes para a cidade durante 2017?
Divaldo – Atualmente, o processo está em fase de licitação da atualização do projeto executivo e do Plano Básico Ambiental (PBA). Não tem como retomar a obra sem saber em que estágio ela parou e se o que foi feito está comprometido ou não. Por isso tivemos cuidado para retomar a obra e não parar mais, não houve atropelo no processo. Conheço cada palmo do governo, então não tem como dizer que um projeto foi o mais importante. Temos ganhos em todos os setores, como a saúde, com frota nova e ampliação dos atendimentos.
Outra coisa a ser comemorada é a prorrogação de prazo por mais dois anos que conseguimos para a conclusão. Eu acredito que a retomada da barragem é o maior sonho da população, porém é uma obra de alta complexidade, que o governo tem todo cuidado na divulgação de fatos em função da expectativa das pessoas. Somos muito cautelosos em relação a isso. Queremos retomar execução da obra ainda no primeiro semestre de 2018.


MINUANO – Quais outros projetos marcaram a gestão no ano de 2017, em relação à infraestrutura, saúde e educação?
Divaldo – Um dos exemplos é o maior programa habitacional do Estado, da pasta de Assistência Social, Habitação e Direitos do Idoso, que garante 1.164 moradias populares, com custo superior a R$ 83 milhões, o dobro do valor da barragem. Como não vou dizer que isso não é uma das prioridades? Além disso, tivemos uma transformação na saúde, com a nova frota de carros. Aliás, Bagé foi um dos poucos municípios do Estado a ter frota TFD (Tratamento Fora do Domicílio) praticamente nova. Outro ponto positivo foi a reabertura do Hospital Universitário, com apoio da prefeitura, e início de funcionamento do tomógrafo, com a compra de serviços (atualmente o município paga R$ 96 mil mensais pela compra de 100 tomografias por mês).
Bagé é o único município do Estado que está em andamento com parceria público-privada para iluminação pública, com investimento, em torno de R$ 250 milhões, ao longo 30 anos. Durante este ano abrimos 371 novas vagas na Educação Infantil e Básica e, como um dos únicos municípios do Rio Grande do Sul, conseguiu pagar o 13º e folha de pagamento de dezembro no dia 20, injetando R$ 19 milhões na economia local.
Entre as grandes conquistas, destaco a recuperação das terras da antiga barragem do Quebracho. Nós fomos o único governo que teve coragem de fazer isso. A barragem ia sair em Hulha Negra, comprada com recursos dos bajeenses, que há 30 anos era usada por posseiros, que plantavam soja e ganhavam dinheiro em cima disso. Escrituramos aquela área e recuperamos para os bajeenses. Isso representa R$ 6 milhões por 240 hectares. E esse valor será revertido para a cidade, com metade destinado para precatórios e metade para asfaltamento.
Também tivemos o Cartão Reforma, que captou mais de R$ 1,5 milhão em recursos. A partir de janeiro, esse valor será utilizado para a reforma de 250 casas. A revitalização da Hidráulica, iniciada há tantos anos, também foi inaugurada por nós, neste ano.


MINUANO – Em 2017, as obras de infraestrutura estiveram entre as principais ações do governo. Quais os avanços de 2017 e a projeções para 2018?
Divaldo – Neste ano, executamos e pagamos R$ 5 milhões em obras de asfaltamento. Como exemplo cito a rua Dr. Penna, a rua Monsenhor Costábile Hipólito, o trecho da rua Darcy Rodrigues Bello, que dá acesso ao Residencial São Sebastião e a avenida Maria Anunciação Gomes de Godoy, que dá acesso à Unipampa. Concluímos a avenida Itália, a rua PM Everton, rua Quero-Quero e o acesso ao Morgado Rosa. Agora estamos fazendo o acesso do novo residencial. Como a obra do Residencial São Sebastião não pôde ser entregue por falta de pavimentação, agora a prefeitura anda à frente do problema, não pode ficar atrás do problema. Também retomamos a obra do Anel Rodoviário, que está com mais de 70% de base e sub-base e 22% do asfalto concluído e a Avenida Áttila Taborda, que era um sonho de décadas, que está com mais de 80% de base e sub-base e 50% de imprimação prontos (querosene e emulsão de e asfalto). Essa será uma das mais bonitas avenidas da cidade, com saneamento e paisagismo. A previsão de término é ainda no primeiro semestre de 2018, com R$ 5 milhões da obra já pagos. Para 2018, estão previstos R$ 41 milhões em licitação somente para obras de asfaltamento. Somente na zona leste, por exemplo, serão mais de 10 quilômetros asfaltados.


MINUANO – O reescalonamento é uma demanda antiga dos servidores e foi uma das promessas de campanha. Que espaço o debate sobre a recuperação salarial terá na agenda de 2018?
Divaldo – No início deste ano, os servidores tiveram um reajuste que impactou em R$ 800 mil na folha. Não foi possível, neste primeiro ano, estabelecer reescalonamento e reajuste ao vale-alimentação, pois a política que o governo realiza é de contingenciamento das despesas e reorganização do quadro funcional. Para isso, estamos fazendo o censo do funcionalismo, que vai permitir traçar estratégias de recuperação salarial e valorização do quadro de servidores, assim como a redução do deficit previdenciário. Saber com exatidão quem é quem, onde estão e o que fazem. Um dos cálculos de aumento de dívida da previdência é porque o atuário, quando faz o cálculo, não dá informação de quantos dependentes têm, isso aumenta o risco e a projeção sempre é maior. Com esse levantamento, vamos conseguir baixar a dívida previdenciária, aplicar a política habitacional para os servidores da prefeitura, porque dá uma visão da gestão, o que possibilita fazer a recuperação salarial, que só será feita com a radiografia exata do quadro de servidores do município. Senão é fazer política e não fazer gestão. O aumento e recuperação salarial será para quem teve arrocho salarial. Acredito que para o próximo ano vamos conseguir mexer melhor nisso, a valorização do quadro do funcionalismo.


MINUANO – Houve alguma questão neste ano que não saiu exatamente como o senhor imaginava? O senhor tem alguma frustração?
Divaldo - Vão achar que sou pretensioso, mas quando perguntam o que me frustrou durante o ano, respondo que não alcançamos culturalmente o nível de consciência de capricho da cidade por parte da sociedade e o poder público não alcançou qualidade, a força de trabalho adequada para dar manutenção melhor no que se refere à limpeza de Bagé. Quero uma cidade mais limpa, com mais capricho. É verdade que a prefeitura tem que limpar mais? É. É verdade que o município tem que varrer mais? É. Tem que ter mais lixeira também, mas todo mundo pode ajudar um pouquinho, arrumar a frente da sua casa, limpar a calçada, adotar canteiro ou um pedaço de uma praça. Bom que todos tenham iniciativa para cuidar da cidade e transformar ela na casa de todos nós. Em 2018, vamos trabalhar para mudar a consciência, a cultura da questão do capricho com a cidade, talvez com um grande programa educacional envolvendo a própria Urcamp (Universidade da Região da Campanha), que tem sido parceira em diversos projetos, e demais instituições do município, como a Aciba e Sindilojas. Vamos evoluir o padrão de limpeza urbana.


MINUANO – Quais são os principais desafios para o governo municipal em 2018?
Divaldo – Será um ano de seis meses, não de doze. Com a eleição, o que não foi empenhado e licitado com primeira medição até junho, não faz mais. Por isso secretários, cargos em comissão e funções gratificadas não terão férias, vamos tocar direto. Corremos contra o tempo e nosso desafio é transformar em obra o que já temos em projeto. Mas já temos algumas coisas planejadas, como a Casa de Hospedagem para abrigar bajeenses em tratamento em Porto Alegre, que deve ser inaugurada em janeiro. A licitação da iluminação pública, com parceria público-privada, deve ser realizada até o final de janeiro. Outra novidade é a Guarda Municipal, que terá concurso público no primeiro semestre de 2018.
Bagé vai contar com o maior número de retroescavadeiras e implementos. Serão quatro retros e mais de R$ 500 mil em implementos. E isso se deve à articulação política, porque a cidade é aberta para todos os partidos políticos que queiram ajudar a cidade. Isso tem feito com que Bagé se destaque na gestão de projetos.
Também, para o próximo ano, teremos novas informações na questão da aviação comercial. A Two, subsidiária da Gol, já esteve em Bagé, demonstrando interesse em operar voos aqui, e agora recebemos a informação que a Azul também demonstrou intenção de operar em Bagé, depende apenas de um acerto com o governo do Estado. O próprio IGP (Instituto-Geral de Perícias) também está avançando. Estou com o projeto pronto e deve ser entregue em até 60 dias, no final de fevereiro, ao Estado. O projeto da sexta célula do aterro sanitário, que já está em fase de conclusão após o fechamento da quinta célula, também terá definições neste ano.
Mas a primeira medida do ano, que deve ser publicada na próxima semana, será o contingenciamento de gastos. Em 2017, reduzimos em R$ 300 mil os gastos com luz, R$ 400 mil com manutenção da frota, R$ 200 mil com diárias da prefeitura. A diminuição de 19 para 12 secretarias nos garantiu uma economia de R$ 3 milhões, que permitiu juntar dinheiro para este aporte no final do ano. Essa foi uma medida de sucesso. Se não tivesse feito isso no primeiro semestre, a gestão não teria sobrevivido até o final do ano.
Neste ano, o decreto será publicado na próxima semana, com redução do número de veículos para uso, cancelamento de fornecimento de diárias que não sejam específicas para saúde ou casos extraordinários. Além disso, a prefeitura não vai fornecer apoio ou patrocínio financeiro durante 100 dias, a contar da data da publicação do decreto.


MINUANO – E esse período de 100 dias de contingenciamento de gastos afeta, também, o apoio aos desfiles de Carnaval?

Divaldo – Sim. O contingenciamento também afeta o Carnaval. Vamos fechar as despesas, o recurso do Carnaval vai ter que ser captado fora. As pessoas dizem “Divaldo, não tinha luzinha de Natal, não teve Festa do Churrasco, não teve dinheiro no Carnaval”. Essas foram decisões minhas. Entre fazer esses eventos e tocar a obra da Attila Taborda, adquirir frota e realizar investimentos que são realmente significativos para a população, optei pelos investimentos. A decisão de governo é que sejam atendidas prioridades de obras, projetos e programas do município.

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