ANO: 25 | Nº: 6405
10/04/2019 Cidade

Bagé terá a primeira indústria de ovos caipiras

Foto: Tiago Rolim de Moura

Matéria orgânica é retirada do aviário para compostagem
Matéria orgânica é retirada do aviário para compostagem

Um investimento em infraestrutura e tecnologia a cerca de 2,5 quilômetros da BR-293 será a pioneiro na comercialização de ovos caipiras e camas de aviário em Bagé. Um prédio irá abrigar a primeira indústria local do segmento, e promete produzir cerca de quatro mil ovos por dia, a partir do próximo mês. A empresa, totalmente familiar, denominada Groeger & Burns Ltda., tem como nome comercial Granja Manu. A inauguração está agendada para o dia 6 de maio, às 14h.

Conforme o empresário e produtor Ronaldo Burns Costa e Silva, a ideia surgiu, em dezembro de 2017, quando iniciou a criação de galinhas crioulas. Ele conta a Granja Manu (nome dado em homenagem à filha chamada Emanuella) já adquiriu 150 aves destinadas à postura, onde o consumo dos ovos eram somente para a família. O empresário comenta que, desde o início, os ovos apresentavam coloração de gemas mais amarelas, claras mais firmes e cascas mais resistentes.

O processo de criação das galinhas sempre foi feito de forma muito simples e rústica. “Foram criadas soltas, alimentadas pela manhã com milho, durante todo o dia a pastoreio (ciscando gramas e pequenos insetos), e ao cair da tarde era dado mais um reforço de milhos em grão e, logo após, se abrigavam para dormir em um galpão adaptado para elas”, explica.

Silva ressalta que com o passar dos meses e no auge da postura, a família já não conseguia consumir todos os ovos produzidos pela granja. Então, como forma de angariar algum lucro até mesmo para o custeio do milho, que complementava a alimentação, começou a vender os produtos para amigos. “Em pouco tempo, já tínhamos a nossa produção diária toda vendida”, relembra.

Produção

De acordo com o produtor, no início de janeiro de 2018, decidiu ir em busca de conhecimento, através de cursos ministrados pelo Centro de Produções Técnicas da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Em setembro do mesmo ano, após muito estudo e pesquisas, resolveu abrir a indústria. Para cumprir os requisitos, as primeiras aves foram vendidas e, atualmente, conta com quatro mil galinhas da raça Embrapa 51, que servem tanto para postura quanto para corte. “Este tipo de raça produz cerca de 340 ovos por ano cada uma”, destaca.

Para a criação, a granja irá disponibilizar uma área de dois hectares, que está sendo toda cercada com tela. As aves terão o alimento dentro do galpão e também na área externa. Além disso, conforme o empresário, serão utilizadas folhas de bananeira como vermífugo natural. “Plantamos 40 pés de bananeira no espaço destinado para as aves”, enfatiza.

Silva conta que todo o processo de produção é automatizado e a água utilizada conta com análise de cloro e PH, além de um medidor de consumo. “Será a primeira granja com todo o processo automatizado inclusive as vendas”, informa.

Estrutura

O local que irá abrigar a indústria está sendo finalizado. Conforme o produtor, a área conta com 72 metros quadrados e irá possuir recepção (sala suja), sala limpa, barreira sanitária com lavador de botas e maquinário profissional de limpeza, secagem e seleção dos ovos. Ele comenta que a empresa conta com um local para armazenamento de ração para 23 toneladas, que é utilizada em um mês de consumo. Também todo um sistema de água tratada e encanamento separado para esgoto foi montado. “Já adquirimos um equipamento para produzir ração, que trará no futuro uma economia de 20%”, conta.

A ideia do empresário é chegar a 10 mil aves no próximo ano. E, para isso, já está buscando o licenciamento no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf) para poder comercializar no Estado. Por enquanto, a comercialização está liberada pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

Conforme o produtor, todo o processo é realizado por 10 funcionários, que trabalham diretamente no tratamentos das aves, e também na parte administrativa. Com o aumento da produção, Silva pretende dobrar o número de trabalhadores a longo prazo.

Cama de aviário

Por fim, segundo o empresário, o adubo utilizado é feito através de matéria orgânica, ou seja, resíduos de fezes de galinha, ração, maravalha e vegetais. Nesse caso, a cama de aviário é colocada na área exclusiva para a compostagem e, através do processo de fermentação onde passa por um período de 60 até 80 dias para estar apto ao uso, libera, aos poucos, os nutrientes presentes na mistura de restos vegetais (folhas, galhos, penas, serragem).

Na Granja Manu, a cama de aviário é o material de dentro do galpão, normalmente feito à maravalha, que serve como piso para as aves e que acaba sendo enriquecida com a ração que cai dos comedouros e com o próprio dejeto dos animais. Devido aos teores de nitrogênio, potássio, fósforo e outros nutrientes, a cama de frango está sendo utilizada em grande escala nas lavouras. “Iremos comercializar também esse produto”, afirma.

O empresário está estudando a possibilidade, de, no futuro, realizar o abate de galinha caipira para complementar a abrangência da indústria.

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