ANO: 25 | Nº: 6254
10/06/2019 Cidade

Sonhos, suor e lágrimas: a vida além das coreografias dos bailarinos do Dança Bagé

Foto: Tiago Rolim de Moura

O palco do 17º Dança Bagé não é feito apenas de coreografias e músicas. Junto aos bailarinos sobem também sonhos, suor e lágrimas. Cada apresentação que arranca aplausos do público traz um backgroud feito de esforço e dedicação, com ensaios constantes e cansativos resultantes de muita determinação.
Para quem ama o que faz, o Festival é um grande local de networking, de testar as capacidades e, em muitos casos, de projeção de metas. É o caso de Isabeli Echeveste, que começou a dançar praticamente em seguida aos primeiros passos. "Danço desde os 4 anos", conta.
Adepta do ballet clássico e jazz, e após apresentar suas coreografias duas noites seguidas (quinta e sexta-feira), ela aproveitou o sábado para ser plateia de outras companhias de dança. Pela primeira vez em Bagé, ela relatou a sensação das apresentações no maior evento do segmento no interior do Rio Grande do Sul. "Está sendo ótimo, uma grande troca de experiência, um final de semana de muito aprendizado. Tive a oportunidade de participar de cursos e oficinas ótimas, com muita troca de conhecimento. Isso tudo vai muito além de ensinar", destaca.
Atualmente integrante do corpo de dança da academia Lampert, de Sant'Ana do Livramento, ela destaca que os ensaios não são mais frequentes apenas por falta de tempo, já que divide seus dias entre academia e escola. "Mas em todo tempo disponível que tenho, vou para a academia. Dançar é uma coisa que amo e nunca quero parar de fazer. Quero seguir dançando e me especializando, fazendo cursos", destaca.
Caminho semelhante foi trilhado pelo dançarino Aluísio Gustavo, de Porto Alegre, e que já o levou um pouco mais adiante. Em duas edições anteriores do Festival, 2013 e 2015, participou como aluno, competidor na modalidade dança urbana, tendo levado para casa o troféu de Melhor Bailarino. Já em 2019 retornou a Bagé, desta vez como integrante do corpo de jurados da competição. Diretor da Tríade Escola de Arte de Porto Alegre, ele destaca a diferença entre estar no palco competindo e embaixo, junto ao público, no lugar dos jurados. "O bailarino tem toda a noção da obra que ele vem apresentar, ele sabe o que aquilo significa e o quanto ele trabalhou por ela. Mas, agora, como avaliador, eu tenho o entendimento de muitas das críticas que recebi quando competi, porque o jurado tem uma visão mais ampla de todo o conjunto", destaca.
Já a grande atração do festival, Caio Nunes, é uma das personificações de onde os sonhos podem levar os bailarinos. O dançarino e coreógrafo traz uma bagagem de décadas como responsável pela preparação corporal de diversos atores e cantores do meio artístico, além do trabalho desenvolvido em programas de televisão. Atualmente, é o responsável pelas coreografias da novela Verão 90, da Rede Globo.
Na noite da sexta-feira passada, a Caio Nunes Cia. de Dança realizou o grande espetáculo desta edição. Mas esta não é a primeira vez do coreógrafo no Festival. Ele conta que participou de uma edição do Dança Bagé há alguns anos e, agora, no retorno, pôde observar a evolução do evento. "A maior diferença de um ano para outro foi o fomento de uma plateia educada, querendo ver dança, aplaudir, trocar. E dança é troca, não adianta parar num lugar e estacionar, porque é movimento. Bagé tem este fomento, que é um grande uma qualidade, formando um público que quer assistir as danças e prestigiar", destaca.
Para Nunes, a cultura fronteiriça é ricamente explorada nas danças apresentadas no Festival. "Em cada festival, as danças tocam de um forma diferente. Aqui em Bagé é bacana ver os dançarinos se movimentando com tanta autonomia, tanta identidade. Isso é uma característica daqui, desta região que traz uma bagagem cultural e histórica tão rica", ressalta.
Uma edição para recordar
Uma das idealizadoras do Festival e à frente da organização há 17 edições, a secretária de Cultura, Anacarla Flores, destaca o grande sucesso da edição. O Dança Bagé reuniu, neste ano, mais de 1,6 mil bailarinos, de 61 grupos, vindos de todo o Rio Grande do Sul.
Para Anacarla, o sucesso de público e participantes é uma prova da grande credibilidade que o Festival alcançou no Estado e do esforço dos organizadores de manterem sempre um tom de ineditismo, com atrações de alta qualidade para o evento. "Uma das coisas mais difíceis do Dança Bagé é criar em cima dele. O evento existe há 17 anos, então precisamos sempre buscar algo para chamar a atenção, mantê-lo sempre movimentado e interessante para os participantes", explica.
E a contar pelos números apresentados pela secretária, o evento é uma das atividades culturais que mais movimenta o comércio e serviços durante o ano na cidade. "A rede hoteleira está lotada, os restaurantes têm um grande movimento. O Festival traz um grande aquecimento para a economia de Bagé. É bom para todos os segmentos", ressalta ela.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...