ANO: 26 | Nº: 6590
11/01/2020 Fogo cruzado

Machado explica motivos que levaram ao rompimento político com prefeito

Foto: Sidimar Rostan/Especial JM

Liberal apontou motivos que contribuíram para decisão
Liberal apontou motivos que contribuíram para decisão
Em coletiva realiza na manhã de sexta-feira, o vice-prefeito de Bagé, Manoel Machado, do PSL, esclareceu aspectos que o levaram a romper relações políticas com o prefeito Divaldo Lara, do PTB. O liberal permanece no cargo. Ele também fez questão de destacar que a decisão é política. “Não existe a possibilidade de caminharmos, juntos, por conta de algumas discordâncias. Mas não vou ficar inimigo do prefeito. Administrativamente, se precisar de mim, estou pronto para ajudar no que for preciso”, pontua.
Machado afirma que tentou agendar audiência com Divaldo, na quinta-feira, para anunciar a decisão. Sem conseguir o encontro com o prefeito, optou por comunicar o petebista através de mensagem por WhatsApp. “Fiz questão de informar a ele primeiro, antes que vazasse para a imprensa”, disse. O vice-prefeito observou, ainda, que o prefeito não respondeu a mensagem.
O vice-prefeito assumiu o Executivo em setembro, quando Divaldo foi afastado do cargo. Medidas adotadas por ele, enquanto respondia pelo governo, são apontadas como fonte de desgaste na relação com o prefeito. “Infelizmente, em uma administração, o gestor tem que tomar algumas decisões. Senti que no retorno (de Divaldo, no final de dezembro), ele voltou um pouco descontente comigo. Também passei a ficar descontente com algumas colocações”, esclareceu.
Como exemplo, Machado mencionou a revogação, por Divaldo, de um decreto assinado pelo então prefeito em exercício, decretando ponto facultativo nos dias 24 e 31 de dezembro. “O prefeito derruba meu decreto, sem me dar satisfação. Está no direito dele, mas poderia ter conversado comigo antes”, pontuou.
Machado tornou a destacar que trabalhou para manter a equipe de governo unida, respeitando pedido de Divaldo. Ele voltou a salientar que as mudanças no primeiro escalão foram adotadas por pedidos de afastamento dos próprios secretários, ou por solicitação de partido. Reiterou, ainda, que as exonerações de cargos de confiança foram debatidas com secretários, que tiveram poder de decisão. O liberal também demonstrou descontentamento com críticas que recebeu de agentes desligados da prefeitura, através de redes sociais.
Ao citar motivos de descontentamento, salientou que ‘não foi bem tratado pelo governo nos últimos dias’, afirmando que não participou da reunião de secretários por não ter sido convidado. Machado também mencionou desconforto com o que qualificou como falta de reconhecimento pela contribuição no processo eleitoral. “Tenho certeza de que contribuímos com o percentual alcançado nas urnas, mas isso nunca foi dito”, reforçou.

Atuação
O vice-prefeito destacou sua atuação na articulação de projetos estratégicos para o governo, como a viabilização dos residenciais construídos através do Programa Minha Casa, Minha Vida. Também detalhou trabalho realizado por ele para retomada da obra da barragem da Arvorezinha e para consolidação das escolas cívico-militares, através de agendas em Brasília. O reconhecimento de sua participação na construção de soluções de governo também pesaram na decisão de Machado.
“Não sou melhor do que ninguém. Mas não gosto de ser escanteado, de ser ignorado. Se estou sendo tratado como quem não serve para nada, com uma tropa de guaipecas me batendo pelo Facebook, tenho que me retirar”, disse, defendendo a construção de uma relação republicana. “Se tiver que fazer uma tropa para combater, vou fazer. Mas espero que não chegue a este ponto. Prefeito brigando com o vice é muito chato. Só peço que me respeitem”, disse.
Machado garantiu que, quando respondeu pela prefeitura, durante viagens de Divaldo, nunca tomou decisão sem levar ao conhecimento do prefeito. “A única excepcionalidade foi agora, quando ele foi afastado, em que eu estava praticamente proibido, por decisão judicial, de fazer contato. E eu respeito a Justiça”, esclareceu, ao especificar que, mesmo com o rompimento, ‘não deve ficar parado’. “Seguirei atuando no encaminhamento de demandas. Farei um planejamento de atuação”, adianta.

PSL
Com o rompimento, o partido do vice-prefeito também deixa o governo. O PSL tinha um cargo no primeiro escalão e o comando do Procon. O secretário municipal de Gestão, Planejamento e Captação de Recursos (Geplan), José Antônio Marques da Silva, que acompanhou a coletiva, deixa o cargo. Coronel Marques havia assumido a função em novembro, após a saída de Eduardo Deibler.

Eleições
Machado foi vereador e secretário antes de assumir o cargo de vice-prefeito, na chapa encabeçada por Divaldo. O liberal disputou a prefeitura em 2012, pelo PSDB, e não descarta nova candidatura, embora tenha deixado claro que não existe encaminhamento neste sentido. Salientou, também, que não descarta apoiar alguma candidatura em que se sinta respeitado.

Divaldo se manifesta por nota
Por meio de nota oficial, o prefeito Divaldo Lara lamentou a decisão de Machado, de não mais percorrer o caminho trilhando em 2016, ‘caminho que se definia harmônico e que vem, concretamente, transformando a cidade e a vida das pessoas para melhor’, conforme definiu. “Nesses anos de gestão, mantivemos um bom relacionamento, de confiança e respeito. Lamento sua decisão, e me causa estranheza ter sido comunicado sobre algo desta importância, via mensagem de WhatsApp. Principalmente, por não haver necessidade de marcar audiência para falar comigo. As portas de meu gabinete sempre estiveram abertas, sem precisar bater ou anunciar”, pontuou, ao desejar, ao vice-prefeito, ‘sorte nos seus projetos políticos e pessoais’.

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