ANO: 26 | Nº: 6542
26/03/2020 Fogo cruzado

Prefeitos da região avaliam fala de Bolsonaro e pedem que população fique em casa

Foto: Isac Nóbrega/PR

Presidente defendeu a retomada das atividades no País
Presidente defendeu a retomada das atividades no País
O pronunciamento público do presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite de terça-feira, dia 24, gerou polêmica em todo o país. Em especial pela declaração defender, em parte, a retomada das atividades no País, mesmo diante de um momento delicado de crescimento dos números de casos de coronavírus.
Aliás, a manifestação chamou mais atenção ainda, porque caminhou no sentido contrário ao que o próprio governo, através do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vinha pregando: o isolamento domiciliar como ferramenta básica para evitar a propagação da doença em um nível que o sistema de atendimento não teria capacidade de suportar, o que, claro, ampliaria as possibilidades de óbitos decorrente do coronavírus.
Na região da Campanha, prefeitos tiveram posicionamentos imediatos de forma contrárias às declarações de Bolsonaro. O chefe do Executivo de Dom Pedrito, Mário Augusto Gonçalves, por exemplo, publicou vídeo nas redes sociais reiterando pedido para que os habitantes da Capital da Paz permanecessem em suas residências. "Mais do que nunca, é hora de ficarmos em casa. Isolamento social é uma estratégia orientada pelos profissionais da Saúde do mundo inteiro. E é por isso que nós, da Prefeitura de Dom Pedrito, estamos seguindo à risca essa determinação. É hora de preservar cada um de vocês. Não tenho dúvida que uma crise financeira irá se instaurar, mas, antes disso, precisamos vencer a crise sanitária, precisamos proteger a vida das pessoas, que serão, depois, as protagonistas para recuperar a nossa cidade, a região, e o país dessa grande crise que certamente virá. Precisamos que as pessoas estejam bem, para que, depois, trabalhem e, com força, como sempre fizeram, façam Dom Pedrito se recuperar mais uma vez", frisou ele.
O prefeito de Candiota, Adriano Castro dos Santos, seguiu a mesma linha de raciocínio. Em manifestação logo após o discurso de Bolsonaro, ele escreveu, em sua página no Facebook uma declaração alegando certo temor. "Vejo com muita preocupação o pronunciamento do Presidente da República, minimizando a crise de saúde e as medidas adotadas por todo o País para a contenção e propagação do coronavírus, de forma irresponsável, sem base técnica, critica ação de governadores e prefeitos para conter a pandemia. Falando em clima, esquece que os Estados do Sul do País entram em um período de clima favorável à proliferação do vírus. Não esquecendo que o sistema de saúde está caótico e num surto de superlotação de postos e hospitais, nossos profissionais da saúde, assim como na Itália, podem ter que escolher quem vive ou morre. Por favor, idoso não é bucha de canhão para ser descartado como número em estatísticas da saúde pública, e sim, são seres humanos. Lutarei com todas as forças que tenho para preservar a vida de meus pais, avós de minhas netas, como também de todos os cidadãos que, nesse momento, precisam de proteção e de ações das lideranças políticas para não serem acometidos desta virose que está devastando o mundo", mencionou.
Também procurado pela coluna, o chefe do Executivo de Aceguá, Gerhard Martens, que é médico, disse que o município não alterará sua rotina de prevenção, com exceção dos postos de combustíveis, que serão liberados para funcionar 24 horas por dia – o decreto estabelecia permissão entre 7h e 19h. "Estamos alertando bastante a população para ficar em casa e o pessoal tem aceitado bem, com poucas exceções (...) aos que não param de sair, pedimos que evitem aglomerações", resumiu ao frisar que o covid-19, pelas complicações que causa é perigoso. "É um vírus que nosso organismo não tem resistência. Qualquer um pode ser acometido e os grupos de risco, pelas complicações, são mais afetados", argumentou ao reforçar que "temos que tomar as precauções".
O chefe do Executivo de Hulha Negra, Renato Machado, foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações. O vice, Marco Igor Ballejo Canto, por sua vez, em nome da gestão, disse que, neste momento, o município manterá as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), a exemplo do já determinado em Decreto Municipal. A declaração do presidente, segundo ele, "foi meio que desastrosa". Canto, aliás, entende que a maioria das instituições e profissionais do país não entendam como correto retomar as atividades nesse momento. "Só os empresários, amigos dele (Bolsonaro), talvez tenham concordado", argumentou ao reiterar que a cidade, no que depender da Prefeitura, "vai manter o isolamento domiciliar como forma de prevenção".
"É necessário bom senso", diz Divaldo
Questionado sobre o assunto, o prefeito de Bagé se pronunciou, rapidamente, durante coletiva concedida à imprensa no final da tarde desta quarta-feira. Inicialmente, disse que "estamos vivendo um momento de extremos no país. Isso é ruim. É necessário bom senso, equilíbrio, para que as decisões sejam mais acertadas, levando em consideração caso a caso".
Especificamente sobre o pronunciamento de Bolsonaro, o chefe do Executivo falou na seguinte maneira: "A fala do presidente, há uma preocupação nítida com a questão da  geração de emprego, da economia. A gestão presidenciável é baseada nos indicadores econômicos. Isso afeta mais o presidente do que qualquer outra coisa. Então é natural que ele se preocupe mais com a questão econômica e há uma disputa direta com o estado mais industrializado do país, que é São Paulo. E no meio de tudo isto estamos nós. Então é necessária uma avaliação de caso a caso", resumiu antes de interromper a conversa porque iniciaria uma videoconferência com o governador Eduardo Leite.

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