ANO: 23 | Nº: 5764

Divaldo Lara

divaldolara@gmail.com
Prefeito de Bagé
17/04/2017 Divaldo Lara (Opinião)

Arrumando a casa

Nesta data, há um ano, o meu artigo no MINUANO tratava da expectativa do povo brasileiro para o domingo que se aproximava, 17 de abril. E não era pela decisão de um campeonato de futebol, mas pela votação na Câmara Federal da aceitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, interpretava o sentimento popular clamando por um novo país, “com perspectivas de futuro, planejado para hoje e para as gerações que virão. Um país sem as barganhas que se tornaram institucionais nos últimos 13 anos, desde 2003”. 

E o Brasil parou naquele domingo, há um ano, para ver um Brasil novo.

Sabemos todos: o país que tanto queremos ainda está por vir. Assim é o processo democrático, tão imaturo ainda para a nossa nação, mas que vai se construindo.  

No dia 17 de abril de 2016, a Câmara decidiu que era favorável ao relatório que pedia o impeachment, 367 votos contra 137.

Depois, em 12 de maio, o Senado aprovou o relatório e a presidente se afastou para assumir o vice, interinamente. O processo só encerrou em 31 de agosto. Naquela data, Dilma Rousseff deixou em definitivo a Presidência da República do Brasil.

De lá para cá, vivemos a transição, entre espantos, sustos e surpresas com as delações premiadas. Por isso mesmo corremos atrás de um país dos sonhos, que possa produzir conforme seu tamanho, que permita atender a população de forma decente e dê valor aos que trabalham.

Mas o processo democrático muitas vezes é dolorido, erra-se muito até acertar. E o que foi feito do nosso Brasil nos últimos anos não se ajeita da noite para o dia.

De janeiro a abril

Arrumar a casa é mais difícil que receber e começar do zero. Assim encaro a prefeitura e como a recebemos. Examinar projetos, reunir-se com técnicos da Caixa Econômica Federal, por exemplo, para dizer “desculpem, Bagé errou, vamos refazer, sem erros dessa vez”, é vexatório. Mas, assim, tivemos de proceder em muitos casos ao tentar resolver problemas pendentes.

Havia uma impressionante falta de seriedade na condução de projetos importantes para o município. Não por parte dos servidores, mas do comando. É muito triste pensar naquilo que foi perdido por falta de comprometimento e seriedade.

De janeiro a este mês de abril, deu para a população conhecer um pouco desse prejuízo e o esforço para recuperar algo em todo esse processo de prestação de contas, perda de prazos, erros absurdos nos projetos, etc. Alguns exemplos: asfalto da zona leste, restaurante popular, projeto de economia solidária (Km 21), canteiros da General Osório, ponto de cultura, acesso ao São Sebastião e avenida Áttila Taborda...  São muitos. E é uma pena. Ainda bem que conseguimos salvar alguns. 

 

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...