Esportes
Alex Bagé: a saudade do pai, os rumos na carreira e o jornalismo esportivo identificado
por Yuri Cougo Dias
O Legislativo bajeense concedeu, na sexta-feira, 1º, em Sessão Solene, o título de cidadão benemérito ao jornalista Alex Bagé. Sob a proposição do vereador João Schardosim, a homenagem teve como propósito reconhecer a trajetória do jornalista. Minutos antes da sessão solene, ele concedeu entrevista ao JM, abordando diversos tópicos.
Sobre a homenagem
“Eu vou usar alguns clichês, mas não tem como fugir. Estou extremamente grato pela proposição. Me chamo Bagé porque nasci aqui, mas principalmente porque meu pai se chamava Bagé, assim como meu irmão e técnico de futebol. Decidi usar o mesmo nome na carreira de jornalista esportivo. Meu pai foi músico e um cara muito apaixonado pela cidade, porém, hoje, ele não está aqui”.
“Meu pai e minha mãe tinham um boteco no bairro São Martim. Na frente, tinha um pneu de trator. Meu pai saía pra trabalhar e minha mãe me deixava dentro do pneu. Os clientes que chegavam ficavam me cuidando. Então, um guri que foi criado num pneu de trator voltar e ser homenageado na Câmara de Vereadores, não tenho palavras para expressar”.
Rumos no jornalismo
“Meu pai teve pouquíssimo estudo, mas muita sabedoria. Ele falava que o grande legado de um homem não era o que ele ganhava, mas a quantidade de pessoas que ele atingia com o que quis fazer. Começo na Rádio Guaíba, vou para a Rádio Pampa no projeto da Rádio Gre-Nal, passo para o Grupo Bandeirantes, vou para a RBS e, dois anos e meio depois, chego a conclusão que precisava caminhar sozinho. E usando o meu pai de novo, sempre dizia que a grande força que um homem podia ter era a liberdade, de ter confiança naquilo que faz. Hoje, faço a jornada identificada com o Grêmio, só perco para a RBS na audiência. De agosto para cá, o canal praticamente dobrou o número de inscritos, com 2,5 milhões de visualizações por mês no YouTube”.
A decisão de assumir o time
“O jornalismo esportivo identificado será uma tendência, o que eu não gosto é que seja visto como um modismo. Sempre tive essa preocupação na carreira, desde a ida a um restaurante até a cor do carro que eu iria comprar. Só que o tempo vai passando e, em 2019, quando virei avô, pensei: por que eu tenho que esconder de uma criança que eu vou ajudar a educar o time que eu torço? Daí, pensei: para trabalhar com futebol tu tens que gostar muito. Se tu gosta tu já teve um time. Isso é lógico! O que tu tens que cuidar é separar o lado profissional do lado torcedor. A partir de alguns anos me permitir identificar meu time. E eu não sou aquele gremista que acha que está tudo bem, muito pelo contrário, sou um dos únicos que ousa criticar o Renato”.
Notícia sobre a cláusula de Thiago Neves
“Considero a principal notícia que dei na minha carreira quando descobri uma cláusula absurda no contrato do Thiago Neves. Isso custou a rescisão de contrato dele e da diretoria de futebol do Grêmio. Os torcedores me agradeceram nas redes sociais, pois causaria um impacto enorme nos cofres. Na maioria das vezes todo mundo sabe o time de todo mundo. Acredito que as próximas gerações vão sempre se identificar de uma maneira mais tranquila”.
Recado de empatia
Que continuamos acreditando em nossa cidade. Da última vez que vim, mudei bastante para melhor. Ainda tenho muitos familiares, mas, infelizmente, a gente acaba se encontrando muito mais em velório. A gente fica tão afastado na rotina, tanto que tive um primo que, infelizmente, não está mais ente nós, o Jacinto. Ele estava doente e eu e a minha esposa fazíamos um esforço para lhe ver em finais de semanas. Acabei fazendo isso quando meu primo já estava no final do dia, mas temos que fazer quando as pessoas estão bem. Estamos num momento em que tudo é corrido, que não se para para nada, no máximo, um feliz aniversário frio. Gostaria de vir mais vezes, mas continuarei carregando com orgulho o nome da nossa cidade”.

