Segurança
Maior assalto da história recente da Campanha gaúcha ultrapassa uma década
Tentativa de assalto ao Banco do Brasil, em Lavras do Sul, causou pânico na comunidade e envolveu diversos reféns. Três assaltantes foram mortos em um tiroteio com a Polícia
por Rochele Barbosa
Na manhã de 25 de outubro de 2013, um dos maiores assaltos da região, ocorrido em Lavras do Sul, na Campanha Gaúcha, mobilizou quase todo o efetivo de policiamento da Brigada Militar e da Polícia Civil. A tentativa de assalto ao Banco do Brasil, localizado no centro da cidade, causou pânico na comunidade e envolveu diversos reféns. Os três assaltantes, que foram mortos em um tiroteio com a polícia, com a participação de policiais militares aposentados, marcaram a história da região.
O delegado aposentado Luis Eduardo Benites relembrou o episódio, destacando que o assalto deixou a pequena cidade de Lavras do Sul em estado de pânico. “Houve muita resistência e tiroteio. Foi uma tentativa frustrada, graças à ação dos policiais moradores da cidade. Eu já acompanhei a segunda parte, com a chegada da perícia”, explicou Benites.
No dia do crime, os três homens — Jeferson Gustavo de Castilhos, 23 anos, natural de Caxias do Sul, com passagens por roubo de carga e porte ilegal de arma; Roberto Luís Rogoski; e Lucas Pedroso Meneguzzi, foragido da Justiça de Caxias, também com antecedentes criminais — chegaram em um veículo Cross Fox com placas de Marialva (PR), por volta das 10h20min. Armados com revólveres, pistolas, uma escopeta e um cano longo calibre 12, eles estacionaram o carro em frente ao banco, na Rua Coronel Meza, no centro da cidade.
Dois dos assaltantes renderam o vigilante da área de autoatendimento, obrigando-o a entregar sua arma e retirar o colete à prova de balas. Enquanto isso, o terceiro assaltante quebrou o vidro de separação e entrou no banco, rendendo outro segurança, funcionários e clientes. Ele obrigou um dos funcionários a abrir o cofre e levou todo o dinheiro.
Os assaltantes, então, fizeram os funcionários — incluindo o gerente do banco — de reféns, usando-os como escudos humanos enquanto se dirigiam ao carro. Moradores que testemunharam a movimentação chamaram a Brigada Militar, que chegou ao local em cerca de cinco minutos. No momento da chegada dos policiais, os criminosos já haviam colocado três reféns dentro do veículo: o gerente da agência, uma funcionária e um cliente. Moradores registraram o crime em vídeos.
Para fugir, os assaltantes saíram pela Rua João Bulcão, sendo perseguidos pela Brigada Militar. Durante a fuga, houve uma troca de tiros, e o motorista do Cross Fox perdeu o controle do veículo, batendo em um Ford Fiesta estacionado. O carro atravessou a pista, colidiu contra uma caminhonete e só parou após uma última colisão. Um policial à paisana acertou o motorista e um segundo criminoso, que estava no banco traseiro. O terceiro assaltante também foi baleado. Todos morreram no local.
O gerente do Banco do Brasil, que ficou ferido, foi baleado no braço. O projétil ficou alojado do lado direito de seu corpo. Ele foi levado para Santa Maria em estado estável.
O capitão Patrique Rolim, da Brigada Militar, relembra que chegou ao local após o desfecho do confronto. “Fomos às pressas de Bagé até Lavras do Sul. Na época, eu era soldado do Pelotão de Operações Especiais (POE). Quando chegamos, já estava tudo resolvido, graças aos nossos colegas e aos policiais militares à paisana e aposentados da cidade”, relatou Rolim.
Naquele dia, as lojas do centro de Lavras do Sul e as escolas ficaram fechadas, e as crianças só foram liberadas para os pais. A prefeitura, localizada na mesma rua do banco, também suspendeu as atividades.
Além dos policiais militares e civis de Lavras do Sul, reforços de Bagé, Dom Pedrito, Santa Maria, Caçapava do Sul e Santa Margarida do Sul foram deslocados para o local, com mais de 100 policiais envolvidos no trabalho de contenção. Barreiras com tonéis foram montadas nos acessos da cidade, pois se acreditava que um quarto integrante da quadrilha ainda estivesse à solta. Todos os motoristas que chegavam à cidade foram abordados, e um patrulhamento intensivo foi realizado na região. Dois helicópteros da Brigada Militar e da Polícia Civil foram enviados de Porto Alegre para apoiar a investigação.
A Defrec (Delegacia Especializada em Furtos, Roubos e Entorpecentes) de Bagé, atualmente chamada Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), foi responsável pelo inquérito, em parceria com a Delegacia de Polícia de Lavras do Sul. O delegado Cristiano Ritta destacou que o assalto foi um dos maiores registrados na região, em um momento em que novos grupos criminosos começavam a se instalar na área.
Benites também relatou que ficou no local aguardando os dois peritos do Departamento de Criminalística de Santana do Livramento. “Acompanhei a vinda da perícia, fizemos o isolamento do local, a apreensão do dinheiro retirado do banco, recebemos os documentos e identificamos os autores do assalto”, contou.
A perícia informou, por meio de laudo, que os assaltantes estavam preparados para uma fuga, inclusive por meio aquático. Todos usavam, por baixo das roupas, vestimentas de neoprene (tecido utilizado por surfistas e mergulhadores, que mantém a temperatura do corpo). No veículo, foram encontrados miguelitos — pequenos pregos usados para furar pneus durante perseguições.
Os assaltantes possuíam uma extensa ficha criminal. Castilhos havia sido preso em abril daquele ano, após assaltar três bancos em Campestre da Serra. Naquela ocasião, pelo menos cinco criminosos renderam três policiais militares e atacaram os bancos da cidade. Ele estava em liberdade condicional quando foi a Lavras do Sul.

