Opinião
Nanotecnologia, arquitetura e sustentabilidade: O que queremos para o futuro?
Arq. Me. Fernanda Barasuol Professora e Coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo (URCAMP) / Doutoranda em Ciência e Engenharia de Materiais (UFPEL)
por Viviane Becker
No contexto atual, a área da nanotecnologia tem ganhado cada vez mais destaque e se tornado uma presença constante em nosso cotidiano. Trata-se da ciência que investiga e manipula materiais em escala nanométrica (um bilionésimo de metro), ou seja, no nível atômico e molecular. Por sua natureza multidisciplinar, a nanotecnologia se aplica a diversas áreas, como medicina, engenharia, química, arquitetura, entre outras. Atualmente, é possível, por meio dessa tecnologia, desenvolver novos materiais ou aprimorar os materiais já existentes, otimizando suas propriedades a partir da reorganização de sua microestrutura.
O estudo da nanotecnologia tem avançado significativamente nos últimos anos, revelando um vasto potencial para transformar diversos setores da sociedade, incluindo a arquitetura e a construção civil. Os avanços em pesquisa indicam que a aplicação da nanotecnologia pode levar ao desenvolvimento de materiais mais eficientes e sustentáveis.
Na construção civil, por exemplo, a nanotecnologia possibilita desenvolver concretos mais duráveis e de melhor desempenho, com propriedades como maior resistência e impermeabilidade. Isso pode aumentar a vida útil das edificações, assim como reduzir os custos com manutenção. Além disso, a nanotecnologia tem contribuído para o desenvolvimento de painéis solares mais eficientes, devido à melhoria na estrutura dos materiais utilizados. Outro avanço significativo está na melhoria do conforto nas edificações, por meio de revestimentos e materiais inteligentes, possibilitando, assim, ambientes mais agradáveis.
Paralelamente, a pesquisa sobre nanomateriais e nanocompósitos tem se concentrado em soluções inovadoras para o tratamento de águas contaminadas. Estudos demonstram que os nanomateriais, como os derivados do carbono – nanotubos, grafeno e outros – podem atuar como adsorventes altamente eficientes na remoção de poluentes e metais pesados da água, oferecendo uma alternativa sustentável para a sua purificação.
Esses avanços têm o potencial de promover não apenas melhorias na infraestrutura e eficiência energética, mas também contribuir para a sustentabilidade e a preservação ambiental em escala global.
Sendo assim, pode-se dizer que o futuro é nano, ou invisível. O impacto dessa tecnologia vai além do ambiente construído. Está presente em todos os setores da vida humana, em um mundo em constante transformação.

