Cidade
Copelmi desiste do projeto da termoelétrica Nova Seival
Previsão de potência instalada seria de 727 MW, entre os municípios de Candiota e Hulha Negra
por Jaqueline Muza
A mineradora Copelmi anunciou, na terça-feira, 25, a desistência de dois grandes projetos no Rio Grande do Sul: a Usina Termelétrica (UTE) Nova Seival, entre Candiota e Hulha Negra, e a Mina Guaíba, localizada entre Eldorado do Sul e Charqueadas. Ambos os empreendimentos enfrentavam entraves ambientais e judiciais.
A Mina Guaíba, projeto iniciado em 2014, tinha como objetivo fornecer carvão mineral para uma indústria carboquímica financiada por investidores estrangeiros. No entanto, o licenciamento ambiental foi arquivado pela Justiça Federal em 2022 devido ao descumprimento de normas legais, incluindo a exclusão de comunidades indígenas do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima).
A UTE Nova Seival, planejada para gerar energia a partir da queima de carvão, enfrentava dificuldades para obter as autorizações ambientais necessárias. A previsão de potência instalada seria de 727 MW, entre os municípios de Candiota e Hulha Negra.
O projeto foi apresentado aos municípios em fevereiro de 2020. Na ocasião, a Copelmi estava intensificando o processo de licenciamento ambiental da UTE e confirmou a decisão, esboçada em 2019, de colocar em prática a obra. A Copelmi Mineração Ltda é uma empresa com mais de 100 anos de experiência na mineração de carvão no Brasil, detém 80% do mercado privado de carvão industrial no país e concessões com reservas de mais de 4 bilhões de toneladas.
Em dezembro de 2019, o projeto da UTE Nova Seival recebeu a autorização do Ibama para a realização do EIA/Rima.
Segundo Cristiano Weber, engenheiro civil e diretor de sustentabilidade da Copelmi, a decisão de encerrar os projetos está diretamente relacionada à transição energética global. "Os novos investimentos em carvão mineral estão sendo desestimulados pela falta de linhas de financiamento para esse tipo de instalação", afirmou. Ele salientou que a empresa comunicou formalmente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) que não tomará novas iniciativas para dar continuidade aos licenciamentos ambientais.
Apesar da desistência desses projetos, Weber destacou que o Grupo Copelmi seguirá operando no setor, fornecendo carvão para o mercado vigente. Ele ressaltou que o carvão mineral ainda é uma fonte energética estratégica e econômica para o Rio Grande do Sul, especialmente diante da necessidade de garantir segurança energética para o estado. Como exemplo, citou que, em 2021, a Usina Termelétrica Candiota III gerou energia a R$ 260 por megawatt-hora, enquanto a importação da mesma quantidade de energia da Argentina e do Uruguai custaria cerca de R$ 1.438 por megawatt-hora, gerando um impacto econômico bilionário.
Weber salientou que a decisão da Copelmi reflete o movimento global de descarbonização, no qual fontes de energia renováveis ganham cada vez mais espaço em detrimento de combustíveis fósseis.
Trajetória
A Copelmi possui concessão de lavra de carvão em Candiota desde 1994, quando arrendou a mina pertencente à Companhia Nacional de Mineração Candiota (CNMC) e, atualmente, através da sua subsidiária Seival Sul Mineração (SSM), abastece de carvão a UTE Pampa Sul.
O projeto da nova usina, originalmente batizado de Seival, teve parceria da Copelmi com a alemã Steag, no início dos anos 2000. Com a desistência da Steag, devido à demora burocrática, pensou-se na construção da usina para abastecer somente o Uruguai. Naquele momento, o projeto foi vendido para a antiga Tractebel (hoje Engie e dona da UTE Pampa Sul). Nesta época, o então megaempresário Eike Batista desenvolveu um projeto denominado UTE MPX Sul e, em seguida, comprou o projeto Seival da Tractebel, ficando com dois projetos de usinas em Candiota. Em 2013, Eike estava pronto para participar do leilão, porém o preço-teto naquele ano foi muito baixo e não houve participação de nenhum projeto a carvão no certame.
No final de 2013, o empresário começou a ter problemas econômicos e com a Justiça. Em 2014, por conta disso, não participou do leilão e a Tractebel, com um projeto novo, da UTE Pampa Sul (hoje em operação), conseguiu vender energia no leilão A-5 daquele ano. Neste sentido, a Copelmi readquiriu o projeto Seival, rebatizando-o de Nova Seival e fazendo alterações técnicas, como, por exemplo, mudando a tecnologia de subcrítica para supercrítica, o que garante uma eficiência de 40% na retenção de dióxido de carbono (CO²). Assim, agora, o projeto pertence novamente e exclusivamente à Copelmi Energia, que busca parceiros financeiros para a efetivação.
Com investimento estimado em 1,8 bilhão de dólares, o projeto da UTE Nova Seival possui capacidade instalada de 727 megawatts (MW) – duas caldeiras de 363,5 MW cada. Como já mencionado, possui tecnologia supercrítica e tem previsão de gerar 5 mil empregos na construção e 600 na operação (complexo usina-mina). A nova usina seria construída junto à mina da Seival Sul Mineração, que fica próxima da BR-293, na localidade de Seival.

