Candiota: 33 anos
Mais de três décadas de história e diante de um desafio
por Redação JM
Neste 24 de março de 2025, Candiota celebra 33 anos de emancipação política, reafirmando sua importância no cenário energético do Brasil e enfrentando desafios estratégicos para garantir o desenvolvimento sustentável do município. Reconhecida como a “Capital Nacional do Carvão”, a cidade, localizada na Campanha do Rio Grande do Sul, tem sua economia fortemente ligada à geração de energia termelétrica. No entanto, o avanço das políticas de transição energética coloca em xeque esse modelo econômico, trazendo incertezas para o futuro da região.
Candiota se encontra em um momento crucial de sua trajetória. O município precisa equilibrar tradição e inovação, garantindo que as mudanças na matriz energética não comprometam a sua economia. O diálogo entre governos, iniciativa privada e comunidade é ponto essencial para garantir que essa transição ocorra de maneira sustentável, garantindo empregos e oportunidades para as próximas gerações.
Candiota segue em frente, lutando para manter sua relevância no setor energético nacional e para construir um futuro próspero para sua população. E é neste ponto de suplemento veiculado pelo JM para celebrar os 33 anos de emancipação política-administrativa da Capital do Carvão.
O município em números
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, Candiota conta com 10.710 habitantes e uma área territorial de 933,6 km². A densidade demográfica do município é de 11,47 habitantes por km², característica comum em cidades com forte presença rural. O índice de escolarização para crianças de 6 a 14 anos é de 94,9%, e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), medido em 2010, foi de 0,698, considerado médio.
A economia local é impulsionada por dois setores principais: a geração de energia e a agropecuária. O município abriga a maior jazida de carvão mineral do Brasil, fornecendo insumo para as usinas termelétricas locais, que geram eletricidade para o sistema interligado nacional. Além disso, a produção de soja, milho e a pecuária de corte e leiteira complementam a atividade econômica, gerando emprego e renda para a população.
O futuro das usinas
Nos últimos anos, a agenda ambiental global e as políticas de redução da emissão de carbono colocaram em xeque o futuro das usinas termelétricas movidas a carvão. O Brasil, alinhado aos compromissos internacionais de descarbonização, tem adotado medidas para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética. Contudo, para municípios como Candiota, onde grande parte da economia depende do carvão mineral, essa transição precisa ser conduzida com cautela.
A principal preocupação das autoridades locais, empresários e trabalhadores do setor é a falta de um plano estruturado para essa mudança. Se as usinas forem desativadas sem alternativas econômicas concretas, o impacto social e financeiro para Candiota será imenso, podendo levar ao fechamento de postos de trabalho e a uma crise sem precedentes.
A luta por um processo justo
Diante desse cenário, o município tem liderado discussões para garantir que a transição energética seja gradual e justa, sem comprometer a economia local. Líderes políticos e representantes do setor energético defendem a modernização das termelétricas, com a adoção de tecnologias menos poluentes, como a captura e armazenamento de carbono. Além disso, há iniciativas para diversificar a matriz produtiva da cidade, explorando alternativas como energia solar e eólica, além de projetos voltados à industrialização de subprodutos do carvão.
Os governos federal, estadual e municipal, junto ao setor energético, têm debatido formas de viabilizar a manutenção das usinas em operação enquanto novas fontes de renda são desenvolvidas. A transição energética é um caminho inevitável, mas a forma como será conduzida pode determinar o futuro econômico e social de Candiota.

