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Candiota: 33 anos

O berço da vitivinicultura no Pampa

Em 24/03/2025 às 16:16h
Yuri Cougo Dias

por Yuri Cougo Dias

O berço da vitivinicultura no Pampa | Candiota: 33 anos | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Arquivo Miolo/Seival Estate

No coração do Pampa Gaúcho, Candiota celebra seus 33 anos de emancipação consolidando-se como um dos territórios mais promissores para a vitivinicultura no Brasil. Marcada por uma geografia singular e um terroir que se traduz em vinhos de qualidade excepcional, a cidade se destaca na produção de uvas finas, abrigando um dos mais importantes vinhedos do país: a unidade Seival, da Miolo.

A vitivinicultura depende de uma série de fatores naturais que interagem para definir as características de um vinho. Em Candiota, essa equação se traduz em um terroir único, que potencializa a produção de rótulos encorpados, estruturados e de longa guarda.

O terroir da Campanha Gaúcha, onde Candiota se insere, é resultado de milhões de anos de transformações geológicas, que deram origem a um solo peculiar: profundo, bem drenado e de baixa fertilidade. Esse tipo de solo obriga as videiras a aprofundar suas raízes em busca de nutrientes e água, tornando as plantas mais resistentes e resultando em uvas mais concentradas, com alto teor de açúcar e riqueza de compostos aromáticos.

Outro fator determinante é o clima. A região apresenta um regime de invernos bem definidos, com um número adequado de horas de frio para a dormência das videiras, um aspecto fundamental para a brotação perfeita na primavera. Os verões, por sua vez, são secos, reduzindo o risco de doenças fúngicas e favorecendo a maturação uniforme dos cachos.

O engenheiro agrônomo Alécio Bogoni Demori, que atua na unidade da Miolo em Candiota, reforça essa vocação natural do município para a vitivinicultura. Segundo ele, as áreas de cultivo são estrategicamente escolhidas, sendo plantadas em coxilhas bem drenadas, o que evita acúmulo de umidade e favorece a qualidade dos frutos. A combinação entre solo, clima e manejo adequado permite que a região produza uvas de altíssima qualidade, já perfeitamente adaptadas ao terroir local.

Seival: um capítulo da história do vinho no Brasil

A presença da Miolo em Candiota não é apenas uma conquista econômica, mas um resgate da tradição vinícola da região. Pouca gente sabe, mas o município tem um histórico expressivo na vitivinicultura nacional. O vinhedo Seival, por exemplo, tem suas raízes no início do século XX.

Segundo o enólogo Miguel Almeida, o Seival foi, em 1920, o maior vinhedo do Brasil, com 28 hectares. Essa área, significativa para a época, fez com que Candiota se tornasse um dos polos pioneiros na produção de vinhos no país. Hoje, em 2025, o Seival é o segundo maior vinhedo do Brasil, ficando atrás apenas da Almadén, que também pertence ao grupo Miolo, em Livramento.

A Miolo chegou à região nos anos 2000, plantando as primeiras videiras em uma área que, com o tempo, se mostrou ideal para a viticultura. Atualmente, são cultivadas mais de 16 variedades de uvas, todas já aclimatadas ao solo e ao clima local. O rótulo mais emblemático da unidade é o Sesmarias, considerado um vinho ícone da Miolo e uma das expressões máximas do vinho brasileiro. “Falar do Seival é falar da história do vinho brasileiro”, afirma Almeida. “Levamos essa história ao máximo quando, dos solos deste município, elaboramos vinhos que refletem a grandiosidade da Miolo e a identidade do vinho brasileiro”, contextualiza.

A identidade cultural e econômica

A vitivinicultura não se limita à produção de vinho; ela também carrega um forte componente cultural e identitário. Em Candiota, essa tradição se entrelaça com a própria essência do Pampa Gaúcho, região marcada pelo trabalho árduo, pela relação harmoniosa com a terra e pelo apreço à boa mesa. O crescimento do setor vitivinícola trouxe impactos positivos para a economia local. A instalação da Miolo gerou empregos diretos e indiretos, movimentando a economia e criando oportunidades para pequenos produtores que passaram a enxergar a uva como uma alternativa viável para diversificação de suas atividades.

Além disso, o potencial do enoturismo começa a ganhar espaço. A possibilidade de visitar os vinhedos, conhecer o processo de produção e degustar vinhos diretamente da fonte atrai apreciadores e impulsiona o turismo na região. Aos poucos, Candiota se insere na rota dos grandes destinos enoturísticos do Brasil, ao lado da Serra Gaúcha e da Campanha Uruguaia.

Outro aspecto importante é a sustentabilidade. O modelo de produção da Miolo valoriza práticas que respeitam o meio ambiente, como o uso racional da água e o manejo sustentável do solo. A vitivinicultura, diferentemente de outras culturas agrícolas, tem um impacto ambiental reduzido e pode conviver harmonicamente com o bioma Pampa, sem comprometer a biodiversidade local.

O futuro da vitivinicultura em Candiota é promissor. A região já provou seu potencial e, para o engenheiro agrônomo Alécio Bogoni Demori, o próximo passo é ampliar a presença de novas vinícolas. “Para que Candiota se consolide como um grande polo vitivinícola, é essencial que outras empresas também invistam na região”, avalia.

Com mais de duas décadas de experiência, a Miolo segue como pioneira e referência, mas o crescimento do setor depende da diversificação e da chegada de novos empreendimentos. A aposta em novas variedades de uvas e em tecnologias inovadoras de vinificação pode ampliar ainda mais a qualidade e a reputação dos vinhos locais.

 

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