Campo e Negócios
STIA/Bagé recusa nova proposta do Marfrig para Acordo Coletivo no Pampeano Alimentos
por Redação JM
As negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho dos trabalhadores do Marfrig/Pampeano, em Hulha Negra, seguem sem definição. Após a primeira reunião, realizada em 19 de fevereiro, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé e Região (STIA) rejeitou a proposta inicial da empresa e apresentou uma contraproposta - cuja resposta da Marfrig foi encaminhada em 1º de abril.
As propostas do sindicato haviam sido discutidas em assembleia realizada em dezembro de 2024. Na primeira rodada de negociações, a empresa apresentou uma proposta considerada insatisfatória pelas lideranças sindicais. Após 40 dias e diversas solicitações por parte do sindicato, a Marfrig apresentou uma nova proposta.
Entre os pontos apresentados pela empresa estão: reposição inflacionária de 4,17% (referente ao período de fevereiro de 2024 a janeiro de 2025), sem aumento real;
pso salarial de R$ 1.871,12; redução do tempo diário para troca de uniforme de 30 para 20 minutos; redução do adicional de horas extras em dias compensados de 75% para 50%; redução do adicional noturno de 30% para 20%; pagamento de horas extras em dias úteis fixado em 50%, independentemente da quantidade; e aceitação de atestados médicos emitidos por médicos do sindicato somente com validação do médico da empresa.
A empresa também propôs o pagamento de quinquênios com limitações: apenas para empregados com salário de até R$ 2.500,00 e com um teto de até três quinquênios. Além disso, a proposta condiciona a aceitação dessa cláusula à concordância com alterações nas demais condições do acordo. “O Marfrig retirou algumas propostas absurdas feitas na primeira reunião, mas ainda estamos longe de chegar a um consenso. Além de não oferecer reajuste com ganho real, a empresa quer suprimir cláusulas conquistadas com muita luta e que estão em vigor há muitos anos”, afirma o presidente do STIA/Bagé, Luiz Carlos Cabral Jorge. “A proposta da empresa é indecente, humilhante para os trabalhadores”, reforça.
Em resposta, o sindicato apresentou uma nova contraproposta: reajuste salarial de 6,17%; piso salarial de R$ 1.907,05; e manutenção integral das cláusulas previstas no acordo coletivo anterior. A diretoria do STIA aguarda um novo posicionamento da empresa. Cabral destaca que os trabalhadores estão há quase 15 meses sem reajuste, uma vez que a data-base da categoria é 1º de fevereiro. Apesar de manter o canal de diálogo aberto, o presidente do sindicato ressalta que conquistas históricas da categoria não estão em negociação. “Uma empresa do porte da Marfrig precisa entender o papel que desempenha na sociedade. O mínimo é oferecer salários dignos e manter os direitos assegurados aos trabalhadores, frutos de muitas batalhas ao longo dos anos. Se a empresa insistir nessa proposta, que sequer merece classificação, o sindicato levará a decisão para os trabalhadores”, conclui.

