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Opinião

Curtas no front

por Frederico Ruas

Em 24/04/2025 às 07:31h

por Redação JM

Curtas no front | Opinião | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Acervo do Festival

Há 16 anos eu era um iniciante cineasta convidado a mostrar meu curta-metragem de conclusão do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos na fronteira com o Uruguai. Uma mostra de curtas, aliada a debates, foi a pedra fundamental de uma fortificação nos limites do Brasil que a cada ano cresce com solidez e brilho.

O Festival Internacional de Cinema da Fronteira é hoje uma referência que já contou com alguns dos maiores nomes da cultura brasileira e latino americana. A ponta de lança no sonho compartilhado de um cinema comunitário que veja as linhas imaginárias, traçadas por conflitos, como potência criativa.

Para Lucrecia Martel, é o melhor festival do mundo. Para mim e tantas pessoas que participaram dessa construção há anos, é certamente único e imprescindível. Riqueza de experiências o forma: longas-metragens, debates, master classes, oficinas, laboratórios, espaços de mercado, diversidade de pessoas trajetórias. Dentre as muitas peças que formam nosso belo caleidoscópio, é no curta-metragem que se encontram suas origens.

O curta tradicionalmente é o formato fílmico que permite mais liberdade e experimentação, em comparação com a pressão e expectativas colocadas em produções maiores. É a vanguarda, independente de sua estética. Precisamente por isso mantém sempre viva a essência do Festival Internacional de Cinema da Fronteira.

Antes como realizador convidado, agora há alguns anos curador de curtas, sinto que o festival permite que seus colaboradores percorram ciclos e, assim, cresçam junto com ele. Completando a curadoria de curtas-metragens internacionais e curtas animados, um time de talentos que o festival ajudou a desenvolver ao longo dos anos. Marizele Garcia, o perfeccionismo em pessoa, de inteligência rara. João Werlang, um jovem com a bagagem cinéfila e o olhar experiente de um veterano. E José Eduardo Camargo, polivalente e de senso estético aguçado, nossa liderança na curadoria de animações.

Em 2025 o público bageense receberá uma seleção elegante de filmes curtos, um panorama do que há de mais interessante sendo feito no Brasil, América Latina e Portugal. Começando pela honra de ter "A Um Gole da Eternidade", um filme de Camila de Moraes e seu pai, Paulo Ricardo de Moraes. Uma jovem cineasta gaúcha que já pode ser considerada uma das diretoras mais relevantes da história do nosso país. Paulo Ricardo, lendário cineasta, jornalista e poeta de nossa terra.

"Emerenciana", de Larissa Nepomuceno, é um documentário que resgata a importância da contribuição de pessoas negras no sul brasileiro, frente a tantos processos de apagamento.

Com a participação de outros países latino americanos, temos o mexicano "Lolo" (Ana Gutiérrez Salgado); o colombiano "Herminda" (Ernesto Lozano Redondo) e guatemalteco "Mañana será otro día" (Esteban Olivero Reynoso). Miradas que podem ser surpreendentes sobre determinadas realidades de nosso continente, ainda que carregadas de uma identidade em comum. Portugal traz "Sonhos de uma Revolução" (Pedro Neves), uma ode poética ao espírito revolucionário de Moçambique.

Fechando a seleção há três filmes brasileiros bastante distintos. "Maputo" (Lucas Abrahão) é uma fábula infanto-juvenil que nada deve às produções mainstream mais sofisticadas. "Pequenos Traficantes Brancos" (José Bial) leva o gênero de ação e narcotráfico nacional para a absurda realidade do privilégio da branquitude. "Você" (Elisa Bessa), une ousadia formal a um comovente relato autobiográfico.

A Mostra de Animação mais uma vez traz a Sant'Ana do Livramento e Rivera um conjunto de obras pitorescas que transbordam de imaginação para refletir temas fronteiriços. Buscamos também equilibrar o melhor da produção animada brasileira com o contemporâneo internacional: "A Luz que Falta Dentro de Mim” (Brasil), de Julianna Collares; "Confetti" (Estados Unidos), de Amanda Bonaiuto; "Eis Que" (Brasil), de Ygor Betine; "Haggis" (Brasil), de Raul Dutra Cabral; "Lagrimar" (Brasil), de Paula Vanina; "Lines" (Alemanha), de Martin Schmidt; "Pasos para volar" (Argentina), de Nicolás Conte e Rosario Carlino; "Poise" (Portugal), de Luís Soares e "Shoes and Hooves" (Hungria), de Viktória Traub.

Esperamos que este conjunto de curtas instigantes continue a provocar debates, transformações e ações no público que faz o Festival Internacional de Cinema da Fronteira ser um posto avançado do pensamento crítico e da imaginação de outros mundos a partir da descentralização.

Estamos no front pela décima sexta vez. Um front de afetos, de ideias, de fervilhar criativo. Nossa tradição é ir além. Boas sessões!

 

 


 

 

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