Estado
“Vamos tornar o Rio Grande mais forte e preparado para o futuro”, afirma Eduardo Leite
Governador elencou avanços em sistemas de prevenção e na estrutura para garantir capacidade de resposta no enfrentamento de futuros eventos climáticos durante evento da ADI Multimídia
por Redação JM
Por Letícia Wacholz (Especial à ADI Multimídia)
Ao completar um ano das enchentes que devastaram parte do Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite destacou, em entrevista à Associação dos Grupos Regionais de Comunicação do Estado (ADI Multimídia), os avanços estruturais e administrativos promovidos para fortalecer a resiliência do Estado diante de eventos climáticos extremos. O encontro com representantes de 30 grupos de comunicação regional ocorreu na última segunda-feira (5), em Porto Alegre, e foi organizado pela Secretaria de Comunicação (Secom).
Leite apresentou um panorama das principais ações executadas desde maio de 2024, ressaltando o papel do Plano Rio Grande como eixo central para reconstrução e adaptação às mudanças climáticas. “Vamos tornar o Rio Grande ainda mais forte e preparado para o futuro”, afirmou.
Segundo o governador, a atuação do Estado foi organizada em três frentes: resgate e assistência emergencial, restabelecimento de serviços e reconstrução definitiva. Logo após a tragédia, o programa Volta por Cima destinou R$ 250 milhões diretamente às famílias atingidas. Para reforçar a infraestrutura e prevenir novas tragédias, o Estado investiu mais de R$ 1 bilhão em dragagens e no programa Desassorear RS, que utiliza máquinas para remover sedimentos dos rios e melhorar o fluxo das águas.
No setor de mobilidade, mais de 90% das rodovias estaduais já foram liberadas para tráfego, e há obras de recomposição integral em andamento ou já contratadas em pelo menos 20 trechos, totalizando investimentos de R$ 2 bilhões. “Não estou falando de tapa-buraco. Estamos refazendo rodovias inteiras e as tornando mais resilientes”, pontuou Leite.
As soluções habitacionais também fazem parte das prioridades. Moradias provisórias foram entregues para reduzir a permanência das famílias em abrigos, enquanto projetos definitivos avançam em municípios como Santa Tereza e Encantado.
No campo da prevenção, o governador detalhou a instalação do primeiro radar meteorológico próprio do Estado, com cobertura da Região Metropolitana, além da contratação de mais três unidades. Estações hidrometeorológicas estão sendo reformadas, e novos estudos de batimetria e topografia vão subsidiar sistemas de alerta mais precisos, por meio de modelagem hidrodinâmica. “Esses investimentos vão nos permitir emitir alertas mais precisos e agir com maior rapidez em situações de risco”, explicou.
A compra de equipamentos para a Defesa Civil, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros — incluindo helicópteros, viaturas e botes — também visa a qualificar a resposta emergencial. Já estudos sobre bacias hidrográficas, como as dos rios Taquari-Antas, Caí, Sinos e Gravataí, estão sendo contratados para viabilizar obras estruturais de contenção.
O governo também encomendou, por meio da Univates, a revisão dos planos diretores de municípios atingidos, como no Vale do Taquari. O objetivo é estimular o crescimento urbano em áreas mais seguras e destinar as regiões de risco a usos controlados, como parques.
A agricultura, duramente impactada por enchentes e sucessivos períodos de estiagem, também recebeu atenção. Leite destacou ações para simplificar o licenciamento de irrigação, como a dispensa de autorização para pivôs e a transferência de competência para municípios licenciarem barragens de até 25 hectares.
Programas como o Irriga Mais — que garante subsídio de até R$ 100 mil para projetos de irrigação — e o recém-aprovado Programa de Recuperação Socioprodutiva da Agricultura Familiar buscam oferecer fôlego aos produtores. Este último prevê repasse de cerca de R$ 30 mil por propriedade para recuperação do solo. “O que depende do Estado, estamos fazendo. Mas precisamos também que a União assuma sua parte”, defendeu.
Leite voltou a defender a concessão de rodovias estaduais à iniciativa privada como forma de garantir investimentos robustos e sustentáveis. No bloco 2 de concessões — que inclui o Vale do Taquari e a região Norte —, estão previstos R$ 7 bilhões em obras, incluindo mais de 240 quilômetros de duplicações.
A implantação do sistema free-flow, com cobrança por trecho percorrido, é apontada como uma forma mais justa de dividir os custos entre os usuários. O governador adiantou que o valor inicialmente previsto de R$ 0,23 por quilômetro será reduzido e um novo modelo será apresentado ainda em maio.
Compromissos até 2026
Questionado sobre o que ainda deseja realizar até o fim do segundo mandato, Leite destacou que sua gestão conseguiu avanços relevantes mesmo em meio a crises históricas — como pandemia, estiagens severas e a maior enchente do Estado. Entre os indicadores positivos, ele citou a redução nos índices de violência, recorde de acessos asfálticos, crescimento das escolas de ensino médio em tempo integral (de 1% para 30% em 2024, com meta de 50% em 2025) e investimentos expressivos na saúde e na ciência.
Na saúde, foram mais de R$ 600 milhões repassados a 130 hospitais, e a meta é alcançar R$ 1 bilhão. Na educação, além da ampliação do tempo integral, houve entrega de notebooks a professores, kits de informática às escolas e implementação de uniformes escolares. “A trajetória está certa, o rumo está certo. E sigo como governador até o último dia, brigando por mais avanços”, concluiu.

