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Opinião

Pio XII

por José Carlos Teixeira Giorgis

Em 10/05/2025 às 07:00h

por Redação JM

Ao se referir a Pio XII em sua obra sobre vida de alguns papas, Paul Johnson alude que “foi uma figura em geral de modo conservadora, especialmente no tratamento dispensado aos Estados pontifícios, perseguindo uma política que tornou-o profundamente impopular”. Eugênio Pacelli foi eleito no dia 2 de março de 1939 após três sufrágios, assumindo o nome de Pio XII. 

Correu a história, relata Johnson, que foi eleito por unanimidade, apenas com seu voto em contrário, mas também se diz que o cardeal Dalla Costa, arcebispo de Florença, tenha recebido vários votos. O que justifica a rapidez da decisão? Entende o autor que Pacelli visitara muito os Estados Unidos e a Alemanha e que, com a aproximação da guerra, os eleitores devem ter sentido a necessidade de selecionar alguém com conhecimento da situação, pois durante a doença de Pio XI, Pacelli havia desempenhado um papel cada vez mais proeminente na condução da Igreja. O prelado assumiu pouco antes da eclosão do conflito mundial e governaria por quase duas décadas, razão porque a guerra domina a discussão sobre o seu pontificado.

O Vaticano, diz ainda Johnson, já publicou doze volumes de atas e documentos sobre tal hecatombe que mais alimentaram o “silêncio” de Pio XII sobre o massacre dos judeus. Demonstraram tais papéis que a Santa Sé sabia o que acontecia; e que os religiosos, individualmente, fizeram o que estava a seu alcance, inclusive o próprio papa, embora publicamente jamais tenha se manifestado contra as atrocidades, talvez acreditando que a diplomacia lograria melhor êxito que a condenação aberta. Houve repreensões, mas em linguagem tão cifrada que podiam ser ignoradas. Pio XII havia passado por um insucesso depois da mensagem na Alemanha “Mit. Brennender Sorge”; e na Holanda, quando os bispos condenaram a perseguição aos judeus. Era um homem de grande inteligência, de princípios e espiritualidade profunda. O escritor afirma que para muitos ele se tornou o ideal de como um papa deveria ser. Foi Francisco, em 2020, que mandou abrir os arquivos secretos do Vaticano no período de Pio XII, talvez a pedido de grupos judaicos, reconhecendo no final que, inegavelmente Pacelli exercera “uma diplomacia oculta, mas ativa”, tendo praticado “iniciativas humanitárias”. É preciso ainda aditar que o Papa Paulo VI dera início ao processo de beatificação de Pio XII até a declaração de “Venerável” por Bento XVI, ante o reconhecimento de seu heroísmo e prática de virtudes teologais e virtudes humanas, ficando retardado o exame da situação de “beato”, na expectativa da prova de um milagre, segundo enciclopédia.

Entre 1933 e 1939 emitiu numerosas mensagens de protesto contra as violações praticadas pelos nazistas, condenando o paganismo e a ideologia do nacional-socialismo, o que resultou na perseguição do clero católico na Alemanha. Procurou pelas vias diplomáticas evitar a guerra incentivando propostas de mediação. A encíclica “ Summi Pontificatus” exprime a angústia pelo sofrimento das vítimas. No Natal de 1942 condenou a perseguição aos israelitas. Quando os nazistas invadiram Roma, a Santa Sé abriu-se para os fugitivos e refugiados, concedendo cidadania para mais de 1,5 milhão de pessoas que se abrigavam em conventos, mosteiros e até em Castel Gandolfo, que é um refúgio para os pontífices. Muitos judeus se abrigaram em peças da Universidade Gregoriana. Tais atitudes incomodaram a Hitler, que chegou a planejar o sequestro de Pio XII pelas SS.

Depois da guerra passou a denunciar o comunismo soviético, afirmando-o contrário à doutrina cristã. Depois da nova Constituição Italiana (1948), ante a união dos comunistas e socialistas, apoiou a Democracia Cristã, de Alcides de Gasperi, proibindo ao clero de votar no bloco socialista. Em 1949 publicou um “Decreto contra o Comunismo”, levando à excomunhão os católicos que seguissem tal tendência, o que renovaria em vários documentos, inclusive na Consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria (1952). Era tempos já de Guerra Fria.

Enquanto Cardeal, Eugênio Pacelli esteve em visita ao Brasil, em 20 e 21 de outubro de 1934. Hospedou-se no Palácio do Catete e visitou o Cristo Redentor. Estava de passagem para a Argentina. Foi recebido por Getúlio Vargas. Para comemorar sua presença o governo lançou o “Selo Pacelli” no valor de 300 e 700 réis.

Eugênio Maria Giuseppe Pacelli nasceu em Roma em 2 de março de 1876. Faleceu em Castel Gandolfo em 9 de outubro de 1958. Foi o único papa a definir o dogma da Assunção de Maria, em 1950. Era da nobreza italiana, seus ancestrais sempre estiveram ligados ao Vaticano. Seu avô foi secretário de Pio IX e fundou o “L’Osservatore Romano”, 1891. Seu pai era advogado consistorial e desfavorável à integração dos Estados Papais ao Reino da Itália. Sua mãe trabalhava na Santa Sé. Seu irmão, médico e advogado, doutor em direito canônico foi um dos negociadores do acordo de Latrão (1929). Pacelli estudou em colégio público e graduou-se em filosofia na Universidade La Sapienza. Mais tarde obteve diploma em Direito Civil e Direito Canônico. Ficou sacerdote em 1899 e passou a trabalhar na Cúria. Publicou “A personalidade e territorialidade das leis especialmente no direito canônico” e “A separação da Igreja e Estado na França”. Lecionou na Pontifícia Universidade Eclesiástica. Ocupou numerosos cargos, como “Camareiro de Sua Santidade”, “Prelado doméstico de Sua Santidade”. Representou o Vaticano em numerosos Congressos na Europa. Foi nomeado Núncio Apostólico na Baviera e Prússia, Arcebispo de Sardes, e participou de numerosas Concordatas (ou Convênios que permitiam à Igreja organizar grupos de jovens em outros países, construir escolas, hospitais, institutos de caridade, reconhecimento do direito canônico, nulidades de casamento, etc.) na Baviera, Polônia, Rússia e Prússia. Foi nomeado Cardeal por Pio XI e Secretário, a quem acompanhou nas encíclicas contra o totalitarismo, nazismo e comunismo soviético. Assumiu como Carmelengo em 1935. Representou o Papa Leão XIII para as condolências quando da morte da Rainha Vitória; Congresso Eucarístico de Londres, onde teve contato com Churchill; Coroação de Jorge V; Concordata com a Sérvia antes de Sarajevo; representante da política papal durante a 1ª Guerra. Colaborou durante nove anos com Pio XI, de quem foi Secretário de Estado. Todos esses desempenhos deram a Eugênio Pacelli extraordinário experiência diplomática e convívio com os grandes mandatários da Europa e América. Pio XII foi-me contemporâneo nas missas que assisti como ginasiano, curso colegial, como universitário e já nos primórdios do magistério.

 

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