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Opinião

História e memória: quando tudo começou

por Cláudio de Leão Lemieszek

Em 17/07/2025 às 07:01h

por Redação JM

História e memória: quando tudo começou | Opinião | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Reprodução /JM

Ao pretendermos estabelecer um marco fundante no estudo de nossa história, naturalmente não podemos ignorar a farta e insubstituível contribuição oferecida por João Cirne e Jorge Reis, entre outros grandes nomes,  os verdadeiros iniciadores dos relatos acerca dos eventos históricos de Bagé.

Porém, em meu raso pensar, vejo o ano de 1955, como a pedra angular de todos os movimentos sistematizados e fundantes para reunir, esmiuçar e despertar o interesse e a paixão pela guarda da história e memória bajeenses. Foi nesse ano, que Eurico Jacinto Salis lançou sua preciosa e completa obra sobre a História de Bagé, até hoje atual e fonte primeira de pesquisa, certificada com maestria pelo Dr. José Carlos Teixeira Giorgis, em seu brilhante artigo homenageando Salis, publicado pelo Jornal Minuano, em fevereiro do corrente ano.

Mas o grande tesouro histórico, a trilha do saber sobre os vultos e acontecimentos da história da nossa cidade, começou a ser realmente desvendado e explorado no mês de maio de 1955, a partir da realização de alguns eventos de iniciativa de Tarcísio Taborda.

Aproveitando a data comemorativa do bicentenário de nascimento de Dom Diogo de Souza, em 17 de maio, Tarcísio Taborda – sempre ele –  preparou um invejável conjunto de festividades jamais visto igual, em Bagé, marcando para todo o sempre o estudo sistemático de nossa história, bem como a preocupação com a guarda dos mais preciosos objetos que ilustram a caminhada vitoriosa e gloriosa de nossa terra.

Do dia 14 ao dia 17 de maio, daquele ano, a Rainha da Fronteira viveu dias inesquecíveis por conta do inigualável trabalho de Tarcísio de organização de múltiplos eventos para marcar a data de nascimento do fundador de Bagé. Grande parte da população e autoridades acompanharam a missa celebrada na Matriz de São Sebastião, a visita ao Forte Santa Tecla, a colocação de um obelisco, na Praça Dom Diogo e, claro, para exaltar nosso gauchismo, não poderia faltar, também, a apresentação de um conjunto de tradições, 

Contudo, inegavelmente, a “cereja do bolo”, ou seja, os eventos de maior expressão, inclusive com repercussão estadual, que atestaram nossa maioridade no estudo de nossa gente e seus feitos, foram a Exposição de objetos antigos e o Congresso de História e Geografia, realizados sob a batuta de Tarcísio.

Na primeira semana de maio, foi aberta uma exposição meticulosamente montada por Taborda, que já vinha, há bastante tempo, colecionando objetos que contavam a caminhada histórica da Rainha da Fronteira. A exposição aconteceu na sede do Centro Social Católico, localizado na esquina da Av. Gen. Osório com a Rua Melanie Granier.

Para oferecer uma ideia do sucesso dessa mostra cultural, evento nunca  acontecido em Bagé, basta dizer que, antes do final do mês de maio, mais de cinco mil pessoas já tinham visitado a Exposição, somando-se a esse número alunos de diversas escolas da cidade.

É interessante salientar que um crescido número de visitantes, empolgado com a iniciativa de Tarcísio, começou, de imediato, a fazer doações, motivando-o, insistentemente, a dar vida a um museu em Bagé.

Com a mesma, ou maior grandeza, no dia 14 de maio, tendo como palco o auditório do IMBA, foi aberto o Congresso de História e Geografia,  idealizado por Tarcísio, como já referimos antes, que trouxe a Bagé os mais renomados historiadores do nosso estado, daquela época, destacando-se, dentre outros, o Secretário Estadual de Educação Liberato Salzano Vieira da Cunha, Walter Spalding, Adroaldo Mesquita da Costa, Jorge Felizardo, Manoelito de Ornelas, Otelo Rosa, Dante de Laitano, além dos bajeenses Eurico Salis, Félix Contreiras Rodrigues, Pedro Wayne, e muitos outros intelectuais da região.

Foram três dias de profundos, exaustivos e esclarecedores debates versando sobre os mais variados fatos históricos, com destaque para os estudos sobre  a religiosidade, a genealogia, os conflitos armados, a política, a imprensa e os documentos inéditos sobre a história de nossa cidade.

Afora as diversas e interessantes moções apresentadas nesse congresso histórico, tivemos duas iniciativas de singular importância, verdadeiros marcos fundantes de nossa história, originadas da visita  realizada pelos eminentes historiadores à Exposição.  Foi nessa ocasião,  que o secretário Salzano Vieira da Cunha, impressionado com os objetos colecionados e expostos, sugeriu a criação e oficialização de um museu municipal, ideia de imediato levada ao prefeito municipal que, de pronto, encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto de lei com tal finalidade. Nascia, aí, o Museu Dom Diogo de Souza, finalmente inaugurado em 20 de setembro de 1956, por iniciativa pessoal de Tarcísio Taborda, face aos entraves burocráticos encontrados na via oficial.

De outra banda, o consagrado historiador Walter Spalding, após a discussão de inúmeras teses a respeito, sugeriu que fosse fixado o dia 17 de julho como a data de fundação de Bagé. 

Esses dois fatos aqui narrados rapidamente, diante do reduzido espaço disponível, são da maior relevância para a construção da história cultural de nossa cidade, já que  um assinala o nascimento do nosso primeiro museu, enquanto o outro define, de modo cabal, a data da fundação de Bagé – 17 de julho de 1811 –, dia em que Dom Diogo de Souza, com seu exército, parte de Bagé em direção a Montevidéu deixando, no povoado, um administrador e as primeiras ordens a cumprir.

Seria mais que oportuno, durante as festividades da Semana de Bagé em 2025, refletir sobre a grandeza e a importância desses eventos ocorridos há setenta anos.

Por fim, é de se notar que o ano de 1955 foi extremamente pródigo em acontecimentos que denotam o crescimento acelerado rumo à modernidade da Rainha da Fronteira, em diversas áreas. Vejamos alguns feitos.

Por iniciativa do jornalista Wilson Afonso, deram-se os primeiros passos para a criação do  Clube de Cinema de Bagé. Os fotógrafos, por sua vez, fundaram, em setembro, o Foto Clube de Bagé, tendo na presidência Otávio Hipólito. Ainda no campo das artes, vale citar a inauguração do Cinema Presidente na Rua Fabrício Pillar. Também a educação e a cultura estiveram em alta,  passando pela pré-escola, com a fundação do Jardim de Infância Menino Jesus, dirigido pela sempre lembrada professora Marianinha N. Lopes, até chegar  ao ensino superior com o primeiro vestibular da Faculdade de Economia, que marca o início do ensino superior na nossa Bagé.

Seria imperdoável esquecer que foi nesse ano de 1955 que aconteceu o lançamento do livro Lagoa da Música, verdadeira coletânea das lendas e sagas do nosso cenário pastoril, de autoria do grande escritor Pedro Wayne. Tivemos, igualmente, o tombamento da Igreja São Sebastião, pelo Ministério de Educação, e a criação do Centro Cultural e Recreação Visconde de Ribeiro Magalhães, presidido por Antenor G. Pereira.

Várias obras deram o tom de progresso da cidade. No mês de agosto, foi assentada a pedra fundamental da sede do Clube Recreativo, na época presidido por João Coronel Sais. Em setembro, foi entregue à comunidade a ponte do Passo do Bernardo, totalmente remodelada e, logo depois, em outubro, ocorreu a inauguração da sede da ARCO e, também, a inauguração do “Arco”, mandado construir pelo Rotary Clube Bagé, no início da Rodovia General Artigas.

Porém, o protagonismo também foi feminino, já que em junho foi fundado o Núcleo da Liga Feminina de Combate ao Câncer e, para gáudio de todos os bajeenses, no mês de maio, a jovem Rosa Lúcia Alamon Barcellos arrebatou a faixa de Miss Rio Grande do Sul. Por incrível coincidência, nesse mesmo mês, Bagé recebeu a visita de Marta Rocha, Miss Brasil.  

Por último, convém lembrar que, ainda em 1955, foi aprovada e sancionada a lei que criava o brasão de Bagé, proposta do vereador, na época, Tarcísio Taborda, com desenho de sua autoria, contando, porém,  com o auxílio do artista Irio Malafaia e do historiador Walter Spalding.

 

 

 

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