Opinião
Carlos Roberto Brasil
por Cássio Lopes
por Redação JM
Carlos Roberto Martins Brasil nasceu em 16 de julho de 1944, em Bagé. Filho de Cid Barros Brasil e Alice Martins Brasil, proprietários rurais e pecuaristas no histórico Distrito de Palmas.
Pelo lado paterno, era descendente de Severino Teixeira Brasil, primeiro membro da família a adquirir terras na fronteira sul, estabelecendo-se em Bagé a partir de 1820. Também pela linha paterna, descendia de antigas linhagens associadas ao povoamento da fronteira: Corrêa de Barros, Castro, Silva Tavares, Mesquita e tantas outras famílias vetustas de origem portuguesa e açoriana. Pelo lado materno, descendia também de antigas famílias, como Ferrugem, Martins e Duarte, todas com presença marcante no povoamento da fronteira sul e no desenvolvimento da pecuária e do comércio em Bagé.
Estudou, inicialmente, no Colégio Auxiliadora, em Bagé. Posteriormente, mudou-se para Porto Alegre, para cursar os dois anos finais do ensino ginasial no tradicional Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. Na sequência, aprovado no vestibular, ingressou no curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, formando-se em 1967.
Em etapa posterior da vida, voltaria ao ambiente acadêmico, ingressando no curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, que concluiu em 1998. Era também pós-graduado em Planejamento Econômico pela CEPAL/ILPES/ONU e em Planejamento Municipal, pela Organização dos Estados Americanos - OEA, na Espanha.
Exerceu intensa atividade no setor público, no qual ingressou por concurso de provas e títulos. Ao longo de sua trajetória profissional, foi Secretário de Estado Extraordinário no governo Amaral de Souza, no período 1980-1982. Foi também Chefe da Assessoria Técnica do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e Secretário do Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul - CODESUL, nos governos Synval Guazzelli e Jair Soares.
Desempenhou também as seguintes funções: 1. Membro do Conselho de Administração do BRDE - Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul; 2. Membro do Conselho de Administração da Companhia Rio-Grandense de Participação - CRP; 3. Membro do Conselho do Fundo de Desenvolvimento Urbano do Rio Grande do Sul; 4. Membro do Sistema Estadual de Pesquisa Científica e Tecnológica; 5. Membro da Junta Administrativa que implantou o Centro Administrativo do Estado do Rio Grande do Sul. 6. Secretário do Conselho de Fraternidade, instituído pelo acordo celebrado em 05.05.1980, que declarou Estados Irmãos a Província de Shiga, no Japão, e o Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil; 7. Secretário do Conselho Consultivo do Instituto de Tradição e Folclore do Rio Grande do Sul; 8. Membro da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil - CEDEC; 9. Membro do Conselho de Administração da Companhia Estadual de Silos e Armazéns.
Além disso, para seu orgulho, recebeu o título de cidadão honorário de Nova Petrópolis/RS, em razão do auxílio e esforço dedicado à eletrificação rural naquele município. Recebeu condecorações da Brigada Militar e da Defesa Civil. Aposentou-se como Consultor Técnico da extinta Caixa Econômica Estadual, onde trabalhou por vários anos. Após a aposentadoria, exerceu a advocacia por largo período, atuando em sociedade com o Dr. Mathias Nagelstein e, após, de forma autônoma, como profissional liberal.
No setor privado, desenvolveu intensa atividade como empresário rural nos municípios de Bagé, Candiota e Piratini. Ao longo de décadas, geriu com eficiência e zelo a Estância Santa Silvana, histórica propriedade da Família Brasil situada em Palmas/Bagé, patrimônio fundiário e afetivo herdado de seus pais. Administrou também o patrimônio de sua esposa Maria Lucia de Faria Brasil, notadamente a Estância São João, em Candiota, e a Estância da Figueira, em Piratini.
Dedicou-se intensamente à pecuária, honrando a tradição da família (seu bisavô Laurindo Teixeira Brasil importou o primeiro exemplar da raça Hereford no Brasil, no início do século XX). Praticou também a ovinocultura e, a partir dos anos 80, a criação de cavalos crioulos. Além disso, iniciou o plantio de soja na última década, como forma de diversificação da atividade produtiva.
Como produtor rural, esteve sempre atento às inovações tecnológicas e gerenciais no setor. Buscava incorporar os avanços, mas sempre com prudência, a partir da observação empírica e da preservação da tradição. Não acreditava em modismos passageiros, mas no exame cuidadoso das tendências de médio e longo prazo da atividade rural.
Dedicou-se também à escrita, produzindo textos técnicos e estudos históricos. As obras de cunho técnico foram publicadas quando ainda estava em atividade do setor público estadual, a saber: "Manual de Orçamento para Municípios", "Resoluções do Codesul: volumes I, II e III", e "Reforma Agrária - Mistificação e Realidade".
Além destas obras, o seu apreço pela memória familiar e pela história do povo gaúcho resultou em ampla atividade de pesquisa genealógica, histórica e fundiária, gerando livros e informações que ajudaram a elucidar a história do povoamento da fronteira sul. Dessa atividade, resultaram os importantes livros "Pioneiros Açorianos - Notas Históricas e Genealógicas" e "Sesmarias em São Sebastião de Bagé - Primórdios do Povoamento". As informações trazidas nesta última obra constituem um manancial precioso para futuros pesquisadores sobre a história da região da Campanha Gaúcha.
Casou-se em 07 de junho de 1969 com Maria Lucia Borges de Faria, natural de Pelotas. Filha de João Lyra de Faria e de Suelly Borges da Costa, descendentes de famílias antigas de Pinheiro Machado, Candiota, Piratini e Pelotas. O casamento gerou os filhos: Luciano e Maria Cristina. A família foi aumentada depois pela chegada dos netos: Luísa, João Pedro, Maria Amélia e Maria Sofia.
Faleceu em 13 de novembro de 2023, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, aos 79 anos, após breve enfermidade. O seu velório foi prestigiado por centenas de pessoas, que lá estiveram para prestar suas homenagens. Gente de todas classes, idades, procedências e ocupações; muitos dos que compareceram tinham alguma história dele para contar, algum gesto de gentileza, de apoio ou de incentivo.
De acordo com seu filho Luciano, "ele foi um pai amoroso, sempre pronto a apoiar os filhos, em qualquer circunstância; um marido dedicado e carinhoso; um empregador justo e compreensivo; um amigo leal e agregador; um servidor competente e honesto; um produtor rural cuidadoso com a natureza; um gaúcho que tinha muito amor por sua terra natal e que tinha imenso orgulho de ser brasileiro. Deixou um legado de retidão, tenacidade, sentido do dever, amor à terra e respeito à memória de nossos antepassados."
Fonte: Depoimento do filho Luciano de Faria Brasil. Porto Alegre, 21 de julho de 2025.

