Saúde
Debate em escola de Bagé alerta para sexualização precoce e segurança online
Live reuniu especialistas para orientar famílias sobre prevenção e cuidados no uso das redes sociais por crianças e adolescentes
por Érica Alvarenga
A Escola Estadual Dr. Luiz Mércio Teixeira realizou, na última quarta-feira (13), uma live para discutir os riscos da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais e a importância do monitoramento por parte dos pais ou responsáveis. A iniciativa contou com a participação das psicólogas Marília Centeno e Juliana Collares, da orientadora educacional Enilda Martinez e do diretor da instituição, Eduardo Ruiz.
O debate foi inspirado em um vídeo produzido pelo youtuber e influenciador Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, conhecido como Felca, que trata do fenômeno da adultização de menores na internet e denuncia como redes sociais e predadores sexuais exploram essa exposição. O conteúdo ultrapassou 40 milhões de visualizações em poucos dias e motivou discussões em todo o país sobre segurança digital e proteção à infância.
Durante a transmissão, os convidados abordaram as consequências emocionais e sociais do ambiente online para o público infantojuvenil, destacando estratégias para prevenir situações de vulnerabilidade.
A psicóloga e professora da Urcamp, Marília Centeno, ressaltou que a adultização ocorre quando papéis, comportamentos ou responsabilidades do mundo adulto são impostos a crianças antes de estarem preparadas, podendo incluir casos de sexualização precoce. “Participar dessa conversa foi de extrema importância e gratificação. A psicologia precisa estar presente em todos os espaços para ajudar a compreender temas complexos e seus impactos”, afirmou.
O diretor Eduardo Ruiz destacou que o tema não é novo, mas ganhou repercussão com a denúncia do influenciador. “Não se trata apenas de aparência ou comportamento, mas também do conteúdo que crianças e adolescentes consomem ou produzem”, disse, lembrando que a sexualização precoce e a necessidade de acompanhamento familiar foram pontos centrais do debate.
Entre as recomendações apresentadas, Marília orientou que pais e responsáveis limitem o uso de celulares a partir dos 12 anos, estabeleçam regras claras e conversem sobre os riscos do ambiente virtual. Ela também reforçou as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre tempo de tela adequado para cada faixa etária.
A psicóloga destacou ainda que a infância, que dura apenas 12 anos, é um período essencial para a formação humana. “Não há necessidade nem benefícios em acelerar as outras fases da vida. A preparação para a cidadania digital deve ser prioridade para proteger crianças e adolescentes no ambiente online”, afirmou.
O diretor informou que a escola dará continuidade à discussão, envolvendo estudantes e famílias, com foco em práticas e conteúdos que respeitem a maturidade de cada faixa etária.

