Campo e Negócios
Estado firma parceria com a Embrapa para avançar na rastreabilidade individual de bovinos
Acordo de cooperação de três anos foi assinado durante o Dia de Campo em Bagé
por Redação JM
O governo do Estado e a Embrapa Pecuária Sul firmaram, na quinta-feira (23), em Bagé, um acordo de cooperação técnica que marca uma nova etapa na implantação do projeto de rastreabilidade individual de bovinos no Rio Grande do Sul. O compromisso, assinado durante o Dia de Campo Institucional da Embrapa, integra as ações do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O termo, com duração de três anos, foi assinado pelo secretário-adjunto da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena, e pelo chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Flores Cardoso, com a presença da diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Rosane Collares, e de autoridades do setor agropecuário. O evento reuniu mais de mil participantes e incluiu visita a quatro estações técnicas.
Atualmente, 307 animais já estão rastreados na região da Campanha, dentro do projeto-piloto que busca validar novas tecnologias e fortalecer a base de dados da pecuária gaúcha.
RS assume protagonismo nacional
Para Madalena, o Rio Grande do Sul exerce liderança nacional no desenvolvimento do sistema de rastreabilidade. “Vivemos em um mundo dinâmico, onde a tecnologia avança rapidamente. O uso de brincos com chip já é uma realidade, e outras inovações surgem constantemente. O Estado está inserido nesse contexto e aspira ser protagonista no desenvolvimento dessa discussão”, afirmou.
O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul destacou o papel da unidade como referência técnica no processo. “Atuar como laboratório para o sistema de rastreabilidade do Rio Grande do Sul é motivo de satisfação e compromisso. Esse processo é essencial para garantir a qualidade da produção pecuária e do produto que chega ao consumidor”, ressaltou Cardoso.
Rosane Collares reforçou que a parceria com a Embrapa representa um passo estratégico para consolidar o sistema estadual. “A rastreabilidade é uma ferramenta fundamental para fortalecer e ampliar o controle sanitário, com mais transparência e segurança. Hoje, já temos cerca de mil animais mapeados no Estado, considerando o projeto-piloto”, observou.
Tecnologia e transparência na pecuária
O plano de trabalho prevê a integração de esforços entre Seapi e Embrapa para desenvolver e validar tecnologias voltadas à qualificação e ao aprimoramento da rastreabilidade animal. A iniciativa permitirá acompanhar o histórico, a localização e o ciclo produtivo de cada bovino, consolidando o Sistema Estadual de Rastreabilidade Bovina.
Pelo acordo, a Embrapa será responsável pela identificação dos animais, registros e proposição de melhorias técnicas, enquanto a Seapi fornecerá identificadores eletrônicos e gerenciará o sistema de registro de dados.
Entre os benefícios esperados, estão o reforço do controle sanitário, a prevenção de furtos de animais, o acesso a mercados internacionais que exigem comprovação de origem e o aumento do valor agregado da produção. A rastreabilidade também contribui para o reconhecimento ambiental do bioma Pampa e para o fortalecimento da imagem sustentável da pecuária gaúcha.
Projeto-piloto e inovação tecnológica
A experiência teve início em 2024, em uma propriedade experimental da Seapi em Hulha Negra, onde 395 animais foram rastreados. Nessa fase, tecnologias como a biometria nasal começaram a ser testadas, permitindo a identificação única de cada bovino por meio de brinco ou bóton eletrônico.
As informações sobre raça, idade, vacinação e movimentações são armazenadas em uma base de dados oficial, garantindo segurança sanitária e rastreabilidade completa.
O Rio Grande do Sul faz parte do cronograma nacional que prevê a adoção obrigatória do sistema até 2032. Desde o lançamento oficial do projeto-piloto na Expointer 2025, o Estado tem se posicionado como um dos principais referenciais em rastreabilidade animal no país.

