Região
Incêndio que destruiu comércio em Aceguá reacende debate sobre ausência de bombeiros no município
Moradores agiram até a chegada das equipes de Bagé e do Uruguai; prefeitura e associação discutem alternativa
por Rochele Barbosa
Um incêndio de grandes proporções destruiu, na madrugada de quarta-feira (22), um comércio de atacado e varejo localizado na Avenida Internacional, na área central de Aceguá. O fogo começou por volta da 1h45, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros de Bagé e da cidade uruguaia de Melo, após moradores perceberem as chamas que rapidamente tomaram o prédio, situado próximo à base do Samu.
Segundo informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros, o imóvel foi consumido pelas chamas, resultando em perda total do estabelecimento. Apesar da gravidade do incêndio, não houve registro de feridos. Os bombeiros trabalharam durante toda a madrugada no combate ao fogo e no rescaldo, impedindo que as chamas se espalhassem para imóveis vizinhos.
Sem um Corpo de Bombeiros Militar instalado em Aceguá, moradores se mobilizaram nos primeiros momentos do sinistro. A proprietária do estabelecimento, Maria Milena Lima Nuñez, relatou ao Jornal Minuano que a comunidade tentou conter o fogo até a chegada das equipes.
“Nós conseguimos abrir as portas e entrar com baldes de água, mas quando o fogo chegou ao gerador, houve uma explosão. Se Aceguá tivesse um caminhão-pipa próprio, acredito que teria sido possível salvar muita coisa”, lamentou.
Milena, que administra o comércio há cerca de dois anos junto ao marido Diego Stoll e uma equipe de sete funcionários, explicou que parte do depósito conseguiu ser preservada. Ela afirmou que já iniciou o planejamento para reconstrução do prédio e retomada das atividades. “Um arquiteto já avaliou o local e devemos derrubar grande parte da estrutura para reconstruir em ferro. Estamos tentando alugar outro espaço para não parar de trabalhar”, disse.
Prefeitura quer criar Brigada Civil
O incêndio reacendeu o debate sobre a falta de estrutura de combate a incêndios em Aceguá. O prefeito Marcus Aguiar reconheceu a necessidade de avançar na criação de uma Brigada Civil. “Temos um caminhão-pipa de 12 mil litros, mas ainda não há pessoal qualificado. Há moradores fazendo cursos, mas não estão aptos para atuar em uma brigada. Vamos iniciar reuniões na próxima semana para estruturar esse projeto”, explicou.
Aguiar destacou ainda que, embora o município tenha colaborado com o reabastecimento dos bombeiros de Bagé, a distância de 60 quilômetros entre as cidades representa um desafio. “Sabemos da dificuldade das cidades pequenas em ter uma corporação militar. Vamos nos preparar para que, com apoio da Associação Comercial, tenhamos uma brigada civil equipada e com treinamento adequado”, completou.
O presidente da ACISA (Associação Comercial, Industrial e Serviços de Aceguá), Vanderson Machado, afirmou que a entidade já vinha tratando do tema após outro incêndio registrado em setembro. “Após esse novo episódio, acredito que o plano para uma brigada contra incêndio sairá do papel o mais breve possível. O atendimento dos bombeiros de Bagé foi exemplar, considerando o deslocamento de 60 quilômetros na madrugada”, elogiou.
Machado ressaltou que a ACISA está disposta a colaborar com a prefeitura para a formação da brigada, mas destacou que o projeto exige engajamento coletivo. “Precisamos do apoio do comércio local, pois isso gera custos e demanda união de todos”, disse.
Enquanto as causas do incêndio serão investigadas por perícia técnica, o episódio reforçou a preocupação dos moradores com a vulnerabilidade da cidade diante de emergências. A mobilização popular e o apoio entre instituições mostraram, mais uma vez, a força da comunidade de Aceguá — e a urgência de uma solução definitiva para garantir segurança e resposta rápida em situações como essa.

