Região
Lavras do Sul celebra legado pioneiro na geofísica brasileira
Integrantes da equipe de geofísicos formada na cidade, em 1932, encontraram o primeiro poço petrolífero economicamente viável do Brasil, no Recôncavo Baiano, e integraram a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Petrobras. O reconhecimento desse trabalho está registrado em um monumento inaugurado recentemente na cidade
por Redação JM
Um evento promovido pela Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf) marcou, recentemente, o reconhecimento oficial de Lavras do Sul como o berço da geofísica aplicada à pesquisa mineral no país. A cerimônia também inaugurou o Monumento Berço da Geofísica no Brasil, erguido em homenagem aos profissionais que fizeram história na área.
O título faz referência a um capítulo pouco lembrado, mas decisivo da ciência nacional. Em 1932, Lavras do Sul foi escolhida pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB) — órgão do então Ministério da Agricultura — para receber o primeiro treinamento sobre métodos geofísicos. O local escolhido foi a propriedade do lavrense Serapião de Freitas Souza, que já realizava lavra de ouro na região.

(Da esquerda para a direita) Foto da equipe de precursores da geofísica na mineração brasileira em Lavras do Sul, tirada pelo geofísico americano Mark Malamphy: Nero Passos, Décio Savério Oddone, Henrique Casper Alves Souza, Senhora Mark Malamphy, o lavrense Serapião de Freitas Souza, Eusébio Paulo de Oliveira, Irnack Carvalho do Amaral e Paulino Franco de Carvalho.
O treinamento foi conduzido pelo geofísico norte-americano Mark Malamphy, contratado pelo diretor do SGMB, Eusébio Paulo de Oliveira. A partir dessa experiência, formou-se a primeira equipe brasileira de geofísicos voltada à mineração, com Nero Passos, Décio Savério Oddone, Henrique Casper Alves Souza e Irnack Carvalho do Amaral — nomes que se tornariam fundamentais para o desenvolvimento da geofísica no país.
O impacto do trabalho iniciado em Lavras do Sul foi profundo. Décio Oddone e Irnack do Amaral aplicaram os conhecimentos adquiridos no município em missões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1941, e foram responsáveis pela descoberta do primeiro poço de petróleo economicamente viável do Brasil, em Candeias, no Recôncavo Baiano. Mais tarde, ambos integrariam a diretoria da Petrobras, consolidando a importância da formação recebida no interior gaúcho.
Presente no evento, o ex-diretor-geral da ANP e neto de um dos pioneiros, Décio Fabrício Oddone, lembrou o papel da geofísica na construção da economia nacional. “A geofísica ajudou o Brasil a se tornar um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. O país é mais rico hoje por causa da agricultura, da mineração e do petróleo”, afirmou.
A cerimônia reuniu representantes da SBGf, da Lavras do Sul Mineração, do Projeto Fosfato Três Estradas, além de familiares dos primeiros geofísicos e o coordenador do curso de Geofísica da Unipampa Caçapava do Sul, João Pedro Rebés Lima, responsável pela única graduação em geofísica do Sul do país.
O presidente da SBGf, Luis Fernando Santana Braga, destacou o simbolismo do monumento. “Lavras do Sul representa memória, ciência e a coragem de explorar o desconhecido. Foi aqui que tudo começou”, disse.
Mais de 90 anos depois, o município reafirma sua importância no mapa da ciência brasileira — não apenas como origem de uma geração de pesquisadores, mas como ponto de partida de uma trajetória que uniu mineração, energia e desenvolvimento nacional.

