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Urcamp

Museu Dom Diogo de Souza recebe acervo do ex-governador Alceu Collares

Em 22/11/2025 às 23:15h

por Redação JM

Museu Dom Diogo de Souza recebe acervo do ex-governador Alceu Collares | Urcamp | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Fotografias ao lado de lideranças, a exemplo de Brizola e Mandela, integram acervo / Foto: Divulgação

O Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda (FAT/Urcamp), avança na criação de uma sala permanente dedicada ao ex-governador gaúcho Alceu Collares, nascido no bairro Povo Novo (Getúlio Vargas). O espaço será montado a partir da doação do acervo pessoal do político, primeiro governador negro do Rio Grande do Sul, feita pela família. A confirmação foi detalhada por uma das gestoras do museu, Carmen Barros (Lula), que acompanha o processo desde os primeiros contatos.

O acervo entrará inicialmente em processo de catalogação e conservação. “O Museu prepara uma grande exposição temporária, que será apresentada ao público. A mostra será acompanhada de ações educativas, visitas mediadas, oficinas e outras atividades. O objetivo dessa etapa inicial é duplo: celebrar a chegada do acervo e, ao mesmo tempo, criar um ambiente de diálogo e formação, fortalecendo a função educativa do Museu e permitindo que estudantes, pesquisadores e visitantes compreendam a importância histórica, artística e afetiva de Collares para a região da Campanha e para o Brasil”, destaca.

Nascido em 7 de setembro de 1927, Collares teve uma trajetória marcada pela superação. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), dedicou-se à política e também ao esporte, jogando no Grêmio Esportivo Bagé. Foi prefeito de Porto Alegre de 1986 a 1989 e governador do Rio Grande do Sul de 1991 a 1995, quando criou os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes, implementou novos Cieps e o calendário rotativo escolar.

A aproximação com Collares, que morreu em dezembro do ano passado, começou ainda em vida, quando o reitor da Urcamp, professor doutor Guilherme Cassão Marques Bragança, visitou, em agosto do ano passado, o ex-governador para solicitar que parte de seu acervo fosse destinado ao museu. Após a morte de Collares, a equipe manteve o diálogo com a esposa, Neuza Canabarro, e os filhos, que reafirmaram o desejo já manifestado pelo próprio político de preservar sua memória em Bagé. “Ele sempre dizia: ‘Eu sou o Alceu Collares do Povo Novo de Bagé’. É uma história que inspira gerações”, destaca Carmen.

A família se mostrou “emocionada e receptiva” à proposta. Nas últimas semanas, Carmen esteve na residência dos Collares, onde iniciou a seleção preliminar das peças que comporão o acervo. Entre os materiais que serão doados estão quadros, álbuns de fotografias, documentos, certificados, premiações, roupas — incluindo a indumentária usada na posse como governador —, objetos pessoais, além de livros escritos e lidos por Collares. Também haverá itens de Neuza Canabarro, que manifestou interesse em doar seu próprio acervo.

O museu já possui um projeto curatorial e educativo estruturado, enviado previamente à família. A proposta prevê a montagem de uma grande exposição inaugural e, posteriormente, a criação de uma sala permanente dedicada ao ex-governador, seguindo o mesmo modelo utilizado em outra área do museu dedicada a uma autoridade federal. A curadoria colocará em destaque a identidade popular e negra de Collares, valorizando sua trajetória como figura política oriunda de um dos bairros mais tradicionais da cidade.

A iniciativa tem forte viés educativo. Atividades planejadas incluem oficinas com escolas do Povo Novo, podcasts sobre a trajetória política e social de Collares, dramatizações em parceria com grupos de teatro e projetos voltados ao ensino fundamental e médio. “O acervo do Collares permite trabalhar identidade, cidadania e história local. É uma oportunidade de fortalecer a autoestima e a memória de Bagé”, observa a gestora.

Todo o material recebido passará por processos de catalogação, registro e análise, seguindo normas do Ibram, ao qual o museu é registrado. O acervo será disponibilizado para consulta pública, como já ocorre com outras coleções. Atualmente, o museu atende cerca de 70 pesquisas anuais de estudantes, historiadores e instituições.

A montagem da exposição dependerá de captação de recursos, mas a direção do museu afirma que trabalhará com criatividade e parcerias, como tem feito em outros projetos, para viabilizar o espaço. A família arcará com o transporte do acervo até Bagé.

Quando concluída, a sala permanente sobre Alceu Collares integrará a ampliação das áreas expositivas planejada pelo museu, que está reorganizando parte do prédio para abrir novas salas e remanejar reservas técnicas. “É um legado para o presente e para o futuro. Um registro de uma trajetória que simboliza superação, representatividade e a força da história bajeense”, resume Lula.

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